Paquistão declara guerra aberta ao regime talibã do Afeganistão

 


O Paquistão declarou "guerra aberta" contra o governo talibã do Afeganistão nesta sexta-feira (27 de fevereiro de 2026), em meio a uma grave escalada de confrontos na fronteira comum de 2.600 km.O ministro da Defesa paquistanês, Khawaja Muhammad Asif, anunciou a medida em postagem no X (antigo Twitter): “Nossa paciência chegou ao limite. A partir de agora, é guerra aberta entre nós e vocês”. Ele acusou o Talibã de transformar o Afeganistão em base para militantes, exportar terrorismo e atuar como aliado indireto da Índia, arquirrival de Islamabad.A declaração veio horas após o Exército do Paquistão realizar bombardeios aéreos contra alvos militares talibãs em Cabul (capital), Kandahar e Paktia, na noite de quinta para sexta. Islamabad afirmou ter atingido 22 posições e eliminado 274 militantes e autoridades talibãs, divulgando imagens das operações.O Talibã confirmou os ataques paquistaneses, mas negou baixas significativas e afirmou ter respondido com ofensivas terrestres e de drones contra posições militares paquistanesas na fronteira. O porta-voz talibã Zabihullah Mujahid disse que as forças afegãs atacaram em retaliação a bombardeios anteriores do Paquistão no domingo (22).A escalada rompe o frágil cessar-fogo mediado por Catar e Turquia desde outubro de 2025 e ocorre após meses de acusações mútuas: o Paquistão culpa o Talibã por abrigar o Tehrik-i-Taliban Pakistan (TTP) e outros grupos que realizam ataques em seu território; o Talibã nega alianças e acusa Islamabad de interferência.O primeiro-ministro paquistanês Shehbaz Sharif reforçou o tom: “Nossas forças armadas estão prontas para esmagar qualquer agressão”. O conflito já deixa centenas de mortos e feridos nos últimos dias, gerando alertas internacionais da China, Rússia e ONU sobre risco de caos regional.A tensão na fronteira Durand Line (disputada desde 1947) é histórica, mas a declaração de “guerra aberta” marca a pior crise desde a queda de Cabul em 2021.

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