Existe liberdade de expressão, mas
não posso garantir liberdade após a expressão.
- Idi Amin
As principais notícias do dia. Política, economia, notícias internacionais, agronegócio e empreendedorismo.
Existe liberdade de expressão, mas
não posso garantir liberdade após a expressão.
- Idi Amin
Smartphone Samsung Galaxy A56 128GB 5G 8GB RAM Preto 6,7" Câm Tripla + Selfie 12MP
#GalaxyA56 #SamsungGalaxyA56 #SamsungA56 #SamsungBrasil #GalaxyA #SamsungGalaxy #SmartphoneSamsung
Empreendimento aposta no potencial turístico dos Campos de Cima da Serra
A Vinícola Campestre, nos Campos de Cima da Serra, vem apostando no enoturismo para transformar Vacaria em um novo destino turístico ligado ao vinho no Rio Grande do Sul. A propriedade foi adquirida em 2015 e inaugurada em 2019, mas as atividades turísticas começaram efetivamente em 2020. Com a pandemia, o projeto precisou ser interrompido e retomado apenas entre o fim de 2021 e o início de 2022. Desde então, a vinícola passou a investir em experiências como visitas guiadas, piqueniques, happy hours, restaurante e espaços para eventos e celebrações.
O empreendimento foi planejado para unir estética e funcionalidade, conciliando a produção de vinhos finos com a recepção de visitantes. Atualmente, a vinícola é a única de Vacaria voltada ao turismo, em uma região que ainda busca consolidar esse segmento, diferentemente de polos tradicionais como Bento Gonçalves. A proposta da empresa é fomentar o turismo nos Campos de Cima da Serra e ampliar o fluxo de visitantes para a região.
Para fortalecer esse projeto, a Vinícola Campestre prepara um investimento superior a R$ 60 milhões na construção de um hotel com 115 apartamentos integrado à vinícola. O espaço contará com piscina, quadra de tênis, wine bar, restaurante e cinema, além de estrutura para atender eventos realizados nos salões da propriedade, que comportam até 700 pessoas. Segundo a empresa, o objetivo é oferecer uma experiência completa aos turistas e suprir a carência de hospedagens preparadas para o turismo na região.
A história da vinícola, porém, começou muito antes do projeto em Vacaria. A Campestre foi fundada em 1968, em Campestre da Serra, pela família Zanotto, responsável pela marca Pérgola, vinho de mesa que lidera as vendas nacionais há 12 anos consecutivos, segundo a empresa. Com o crescimento da marca tradicional, a família decidiu investir também na produção de vinhos finos por meio da marca Zanotto, criada para a unidade de Vacaria.
O case de sucesso foi apresentado no Fórum Destinos RS. O evento é realizado pelo Correio do Povo, com patrocínio de Governo do RS, Sicoob e Prefeitura de Capão da Canoa e com apoio do CIEE-RS.
Correio do Povo
Mercado de experiências premium é discutido em evento no Espaço de Experiências do CIEE-RS, em Porto Alegre
Luxo, saúde e bem-estar: inspirações para um novo turismo no RS foi o tema do quarto painel do 1º Fórum Destinos RS, realizado nesta segunda-feira, no Espaço de Experiências do CIEE-RS, no Centro Histórico de Porto Alegre, mediado pela jornalista e colunista do Correio do Povo, Anelise Zanoni. O evento é promovido pelo Correio do Povo. De acordo com ela, há um grande potencial turístico de alto padrão no Rio Grande do Sul, mas que ainda é pouco explorado.
“Acho que há muito espaço aqui no RS”, salientou ela. Camilla Barretto, presidente da Brazilian Luxury Travel Association (BLTA), contou a respeito da trajetória da associação. Hoje, ela tem 75 associados, com hotéis em 37 destinos brasileiros, embora nenhum no Rio Grande do Sul. "Vocês têm uma natureza exuberante, praias, vinícolas, mas nenhum hotel dentro da BLTA”, contou.
Segundo Barretto, o turista desta categoria em si “não quer grandes palácios, quer aquilo que é único, natural e verdadeiro”. “É através desta conexão emocional que as pessoas vão perceber a diferença, e isto é luxo”. Ainda comentou que luxo e sustentabilidade são indissociáveis. "Não queremos trazer algo de fora e colocar para dentro, mas valorizar aquilo que é 100% brasileiro. autêntico", disse a presidente.
Conforme ela, o que designa a experiência de luxo é a diferença entre o bom e o excelente, desde os mínimos detalhes, a exemplo da escrita do nome do hóspede corretamente. Ela sugeriu também a criação de uma espécie de associação de empresários que queiram desenvolver o turismo de luxo no RS. "A BLTA está de portas abertas para compartilhar este conhecimento", disse Camilla.
A gerente de Vendas do Castelo St. Andrews, Evellem Vidal, contou a trajetória do empreendimento, sediado em Gramado e com 16 anos de história. "O encantamento do luxo começa muito antes, desde o atendimento. Não vendemos luxo, mas sim conforto, momentos memoráveis, aquele descanso de uma rotina exaustiva, um encontro com a família. Amamos tecnologia, mas o cliente sente do outro lado quando há este contato humano", salientou Evellem.
“Nossa adega está entre as 80 melhores do mundo em hotéis de luxo, o que nos orgulha muito. Procuramos sempre trazer garrafas nacionais, e temos esta responsabilidade social de valorizar o que é do Rio Grande do Sul”. Letícia Rossa, jornalista e coordenadora de Comunicação do restaurante Catherine Gramado, comentou sobre sua experiência pessoal e familiar com a gastronomia.
"O luxo, para nós, é o básico bem feito. No final do dia, todos querem se sentir especiais, mas a grande missão da nossa casa é fazer com que as pessoas se sintam vistas, especiais, saiam muito melhores e mais felizes, completas e ricas do que quando entraram. Isso passa pela premissa da personalização", disse Leticia. Hoje, o restaurante tem o lema de “mudar para seguir iguais”.
“Sabemos que nós somos, mas para nos mantermos relevantes em um mercado de 400 restaurantes e lanchonetes em Gramado neste turbilhão de mercado, precisamos estar sempre em movimentação, sermos sempre autênticos”.
Rodrigo Colla, gerente Geral do Hilton Porto Alegre, salientou a história da rede Hilton no mundo e no Brasil. "A Hilton é uma marca full-service, com todos os serviços, além da hospedagem, gastronomia, bem-estar e eventos, sociais ou corporativos", contou. Na Capital, a rede chegou em 2022.
"Dentro desta renovação que identificamos necessária, no nosso caso o que representa o bairro em que está localizado o hotel, o Moinhos de Vento, com objetivo de trazer a identidade do bairro. O desenho do bairro é muito parecido com um diamante, e nosso objetivo foi fazer esta revitalização sendo o hotel a joia do bairro Moinhos de Vento". Acrescentou que, embora a unidade de Porto Alegre não seja um dos cinco que consideramos de luxo, há o oferecimento de “experiências espetaculares”.
“São clientes corporativos, em sua maioria brasileiros, um percentual de norte-americanos, mas o sul-americano é muito presente no nosso negócio. Para mim, o luxo significa tempo, que pode ser percebido de forma diferente por nossos clientes. Isto garante que nosso cliente possa ter a oportunidade de despertar sozinho, por meio de quartos com isolamento acústico, além da personalização do serviço”, salientou Colla. O evento é realizado pelo Correio do Povo, com patrocínio de Governo do RS, Sicoob e Prefeitura de Capão da Canoa e com apoio do CIEE-RS.
Correio do Povo
Maioria dos casos é de candidatos a vereadores, nos pleitos municipais
Um em cada cinco brasileiros (22%) afirma já ter recebido oferta para vender o voto em alguma eleição, segundo pesquisa Ipsos-Ipec realizada em conjunto com o Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE) e divulgada nesta segunda-feira, 11. O levantamento faz parte da campanha "Voto não tem preço, tem consequências" e mostrou que a maioria dos entrevistados, ou seja, 62% da população, não se sente segura para denunciar o crime eleitoral, tampouco sabe como fazê-lo.
A pesquisa mostra que três quartos da população consideram a oferta de dinheiro uma forma de compra de voto. Segundo a socióloga Adelia Franceschini, consultora do levantamento, porém, essa não é a única maneira de abordar os eleitores. "Há muitas outras formas de compra de voto que não chegam nem a 30%, como oferecer consultas médicas, facilitar o acesso a benefícios sociais, oferecer churrasco ou festa, entre outras", explica.
"Temos dois problemas: um é a compra de votos em si, porque 22% já é muita gente. O outro é que cerca de 70% não entendem muitas moedas de troca como compra de voto, mas sim como um "favorzinho"", afirma a socióloga.
A pesquisa também mostra que candidatos a cargos municipais são os que mais motivam tentativas de coação de eleitores. Vereadores correspondem a 59% dos relatos de pessoas que afirmam já ter sido abordadas por candidatos ou cabos eleitorais com esse tipo de proposta. Prefeitos aparecem em seguida, com 43%.
Além disso, mesmo entre os que não foram diretamente abordados para vender o voto, 39% relatam que essa prática ocorre "sempre" onde moram. A soma dos que dizem que isso acontece "frequentemente" ou "às vezes" chega a 30%.
O levantamento mostra que o Nordeste é a região com maior incidência de entrevistados que apontaram ter recebido abordagens para vender o voto: 32%, dez pontos a mais que a média nacional e bem acima dos 18% do Sudeste, a mais populosa do País.
"Quanto menor a cidade, mais compra de votos. Mais gente depende de emprego na prefeitura, por exemplo. O dinheiro também é mais "útil", ao permitir mais facilmente a satisfação de necessidades. Já nas cidades maiores, as cestas básicas são mais "práticas" para os candidatos", diz o cofundador do Movimento de Combate à Corrupção Eleitoral (MCCE), Chico Whitaker.
Como denunciar
Um dos objetivos da campanha do MCCE é incentivar denúncias de compra de votos ao Ministério Público e à Justiça Eleitoral. A pesquisa mostra, porém, que 62% dos brasileiros não sabem como denunciar o crime, enquanto 52% afirmam não se sentir seguros para fazer a denúncia.
A compra de votos, chamada pela legislação de "captação ilícita de sufrágio", pode ser denunciada por meio do aplicativo Pardal, da Justiça Eleitoral e do Ministério Público, além de delegacias, promotorias, e-mails e ouvidorias. O crime inclui oferecer dinheiro, benefícios ou vantagens em troca de votos e pode levar a até quatro anos de prisão.
A pesquisa foi feita pelo Ipsos-Ipec entre 4 e 8 de dezembro do ano passado, com 2.000 entrevistas em 131 municípios. O nível de confiança utilizado é de 95%. A margem de erro para as perguntas que englobam toda a amostra é de 2 pontos percentuais para mais ou para menos.
Estadão Conteúdo e Correio do Povo
Celular Samsung Galaxy S25+ 5G, 512GB, 12GB RAM, Câmera Tripla de 50+12+10, Tela Grande de 6.7"
#SamsungGalaxyS25
#GalaxyS25Plus
#SamsungS25
#GalaxyS25Series
#LancamentoSamsung
#GalaxyAI
Evento do Correio do Povo ocorre no Espaço de Experiências do CIEE-RS, em Porto Alegre
Com mediação da gerente de Jornalismo do Correio do Povo, Mauren Xavier, o último painel do 1º Fórum Destinos RS foi dedicado ao turismo esportivo, com vistas à Copa do Mundo Feminina de 2027, que terá Porto Alegre como uma de suas sedes no Brasil. O evento ocorreu desta segunda-feira no Espaço de Experiências do CIEE-RS, no Centro Histórico da Capital.
A secretária Municipal Extraordinária da Copa do Mundo 2027 de Porto Alegre, Débora Garcia, disse que a Prefeitura tem feito "um trabalho incansável para fazer uma Copa do Mundo maravilhosa em Porto Alegre. “Somos a única cidade que criou uma secretaria extraordinária para a Copa, e ela vindo para Porto Alegre vai movimentar o turismo local, que é o que precisamos. Queremos que as pessoas venham e permaneçam pelo menos dois ou três dias em Porto Alegre”, disse Débora. Ainda conforme ela, a Fifa “reclamou muito da nossa rede hoteleira”. No entanto, estes e outros empreendimentos em produção poderão mudar esta realidade.
Já o gerente de Marketing e Comunicação da Fraport Brasil, Rafael Guerra, salientou brevemente o histórico da companhia desde a obtenção da concessão da operação do Aeroporto Internacional Salgado Filho. “A Fraport chegou em Porto Alegre com objetivo de cumprir as obras da concessão. Elas foram realizadas dentro do prazo, incluindo uma que era anseio da população gaúcha, que foi a ampliação da pista, mais edifícios modernos.
“Tivemos o impacto da pandemia, o que reconfigurou toda a aviação global. E aqui no RS tivemos mais um impacto extremamente significativo, as enchentes de 2024, algo sem precedentes, não apenas na infraestrutura, mas também na dinâmica de crescimento. Falamos que a retomada seria gradual, não apenas em estrutura e capacidade, mas também a retomada das próprias companhias aéreas, de se planejarem", disse Guerra.
Ele acrescentou a celebração no fato da Copa do Mundo vir a Porto Alegre. “Precisamos pensar o que podemos fazer para que o Estado tenha esta visibilidade com recorrência e representatividade a ponto de virar o ponteiro. Obviamente, ficamos muito felizes em termos superado e recuperado os patamares de passageiros de 2023. Agora temos um cenário global em 2026, impacto nos combustíveis de aviação, o que é outro desafio”
O terceiro a falar foi o supervisor de Vendas da Azul, Luciano Matuziaki, relatando as diversas rotas e ações da companhia no Rio Grande do Sul; entre elas, os cerca de 35 voos diários chegando e saindo de Porto Alegre. Segundo ele, por exemplo, de um voo diário, a rota da Capital gaúcha a Recife terá dois voos diários a partir de julho. "As comunidades do interior, que muitas vezes reivindicam mais voos, não podemos fazer por falta de demanda".
Matuziaki salientou o impacto no preço do combustivel do conflito no Oriente Médio, que pressionou para cima os custos. Ele ainda destacou que o lazer, antes da pandemia representando por volta de 10% do mercado da aviação brasileira, hoje está por volta de 35%. “Esta é uma oportunidade que temos de projetar eventos esportivos não para a baixa estação. As companhias aéreas podem ser mais demandadas, não sozinhas, mas com administradoras de aerportos para aumentar número de voos fora da alta temporada.”
Os palestrantes ainda debateram a possibilidade de ampliar os voos de e para Porto Alegre, ao que Matuziaki comentou que, ao menos no caso da companhia, "ainda não está pronta para decolar". "Não digo que isto está na gaveta. Temos que fazer este passo a passo, mas seria excelente".Empresário e presidente do Sindicato de Hospedagem e Alimentação de POA e Região (Sindha), Nelson Ramalho iniciou sua fala ressaltando que, no passado, via "uma Porto Alegre apagada", mas que isto ficou para trás, algo visto no Rio Grande do Sul como um todo. “Gramado, por exemplo, é um grande case, mas o RS tem muita coisa boa, e está sendo redescoberta de novo. Vejo hoje Porto Alegre como uma capital a nível internacional, de grandes restaurantes e chefs quailficados”, comentou.
"Nossa qualidade hoteleira, apesar de não termos alguns hoteis padrão Fifa, temos mais de 200 empreeendimentos hoje, muitos com padrão bastante alto”. Salientou ainda a febre da corrida, com maratonistas, profissionais ou amadores, buscando Porto Alegre devido a sua altimetria atrativa, em eventos como a Maratona Internacional, cuja 42ª edição ocorre no final deste mês. “Um corredor de maratona não profissional traz, em média, três pessoas com ele, e tudo isto faz uma movimentação muito grande na nossa economia.” O evento é realizado pelo Correio do Povo, com patrocínio de Governo do RS, Sicoob e Prefeitura de Capão da Canoa e com apoio do CIEE-RS.
Correio do Povo
Investida se deu após ministro suspender a Lei da Dosimetria
Como previsto, a reação de parlamentares à decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo, de suspender a Lei da Dosimetria até que ações que questionam a constitucionalidade da regra sejam analisadas pelo plenário da Corte, foi rápida e não ficou restrita às críticas e manifestações.
Entre as iniciativas, está a do líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante, que visa retomar o debate sobre a anistia. O deputado começou a recolher as 171 assinaturas necessárias para protocolar uma nova PEC com o objetivo de livrar os envolvidos nos atos de 8 de janeiro das penas e sanções. Entre eles, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
O texto concede anistia “aos que participaram, direta ou indiretamente, de fatos ocorridos em Brasília, Distrito Federal, no dia 08 de janeiro de 2023”, mencionando as condenações por danos ao patrimônio público e pelos crimes de associação criminosa armada, entre outros. Na justificativa da proposta, Sóstenes afirma que a decisão de Moraes representa uma afronta à soberania do Congresso. “O Supremo está impedindo a aplicação de uma norma aprovada pela ampla maioria dos congressistas. Isso representa um claro ataque à democracia e à separação dos poderes”, diz trecho do texto.
A dosimetria, aprovada pelo Congresso após meses de debates, foi articulada como uma alternativa à anistia “ampla, geral e irrestrita” defendida por lideranças da oposição. O veto do presidente Lula ao texto foi mais um capítulo no tensionamento com o Congresso, que escalou após a decisão monocrática de Moraes, no último sábado. A tendência, porém, é a Corte avalizar a dosimetria. Caso o cenário se confirme, os ânimos tendem a se arrefecer.
Correio do Povo
Fotos, cartas e diversos tipos de documentos ajudam a contar a história dos trabalhadores da mineração
O Museu Estadual do Carvão, instituição da Secretaria da Cultura (Sedac) localizada em Arroio dos Ratos (RS), recebeu um conjunto de documentos de clubes esportivos da Região Carbonífera. São cartas, ofícios, fotos, tabelas de jogos e campeonatos, entre outros materiais, produzidos e armazenados pelas agremiações entre as décadas de 1930 e 1980. O acervo vai passar por um processo de higienização e classificação, para ser incorporado ao Arquivo Histórico da Mineração. O objetivo é preservar os itens e disponibilizá-los ao público interessado na memória das pessoas que formaram o território.
A doação foi feita por Vili Tissot, que descobriu os documentos durante a realização de um projeto comunitário com crianças em idade escolar, na sede do Sport Clube Guarani, em Arroio dos Ratos. Na busca por um local onde pudesse guardar seus materiais, acabou localizando um armário repleto de documentos. Entendendo a importância da descoberta, solicitou autorização do clube para guardá-los em casa e ir em busca de quem pudesse recebê-los.
De acordo com a historiadora do Museu do Carvão, Liana Ribeiro, receber um acervo tão singular demonstra a confiança que a população têm na instituição e atesta que o Museu é referência na valorização das diversas dimensões que compõem a trajetória da mineração. “Essas agremiações esportivas surgiram nas primeiras décadas da mineração de carvão na região. Ainda que tenham se modificado bastante ao longo do tempo, elas desempenham, ainda hoje, um papel importante nessas localidades”, afirma.
Liana relata que o material traz, por exemplo, nomes e fotos de antigos membros, evidenciando como esses espaços foram relevantes para os trabalhadores da época. “Isso revela o alcance dos clubes esportivos na Região Carbonífera. Certamente, muitos outros aspectos das dinâmicas das vilas mineiras poderão ser descobertos a partir desses registros”, completa.
O esporte como fonte de memória
Tassiane de Freitas, doutora em História e autora de pesquisa que analisa as experiências dos trabalhadores da mineração de carvão no Rio Grande do Sul a partir de espaços de lazer e encontros, levanta como uma das hipóteses para a inserção do futebol nas localidades a influência inglesa, a partir da imigração no século 19. Durante o seu estudo, ela identificou descendentes dessas famílias atuando em associações.
A pesquisa relata que, no século 20, as empresas mineradoras alcançaram lucros excepcionais com o aumento de exportações de carvão mineral, o que permitiu o investimento em entidades esportivas e sociais, por meio de apoio a sedes e materiais. Na época, predominava uma visão de que as práticas esportivas seriam uma ferramenta de aperfeiçoamento moral e físico dos trabalhadores, afastando-os de práticas consideradas degradantes, como jogos de cartas ou de azar e o consumo de bebidas alcoólicas. Assim, a prática do futebol, por exemplo, era vista pelas mineradoras como mais um instrumento de disciplina e controle dos operários, para além de seus locais de trabalho.
No entanto, através desses espaços, se desenvolveu uma sociabilidade e agência própria daqueles trabalhadores, fundamental para a continuidade dos clubes mesmo após o declínio da mineração. Agora, uma parte relevante dessa história pode ser resgatada e revisitada na documentação do Arquivo Histórico da Mineração.
As informações foram concedidas pela Secretaria de Estado da Cultura (Sedac-RS).
Correio do Povo