UE diz que enviará pedido de novos dados sobre carne brasileira

 País terá duas semanas para apresentar informações adicionais e buscar a reanálise da decisão que o retira da lista de fornecedores


A União Europeia (UE) enviará ao Brasil uma lista de informações adicionais a serem respondidas sobre questões sanitárias envolvendo a exportação de produtos de origem animal, após o bloco ter retirado o País da lista de fornecedores de produtos animais a partir de 3 de setembro. O Brasil terá cerca de duas semanas para devolver as informações para a reanálise das autoridades europeias, explicou ontem o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério da Agricultura, Luis Rua.


"A UE concordou em estratificar as questões por tipo de proteína, já que são estágios diferentes e formas de produção diferentes. Eles também enviarão uma lista de informações para que o Brasil dê garantias adicionais do cumprimento do regulamento de antimicrobianos", disse Rua ao Estadão/Broadcast.


A questão foi acordada em reunião entre o embaixador do Brasil junto à União Europeia, Pedro Miguel da Costa e Silva, e a Direção-Geral da Saúde e Segurança Alimentar da Comissão Europeia (DG Sante). "Houve compromisso por parte da UE em analisar o tema de maneira célere. Com análise baseada em ciência e racionalidade, teremos condição para que o Brasil volte à lista", acrescentou Rua.


Na terça-feira, a UE publicou uma atualização da lista de países autorizados a exportar animais e produtos de origem animal para o bloco, excluindo o Brasil do grupo de nações que cumprem as exigências contra o uso de antimicrobianos na pecuária. A medida, validada pelos Estados-membros, estabelece quais países poderão continuar acessando o mercado europeu a partir de 3 de setembro, com base no Regulamento (UE) 2019/6.


O Brasil terá de fornecer garantias sobre a não utilização dessas substâncias para fins de crescimento ou rendimento, segundo a decisão sanitária europeia. A decisão decorre do resultado da votação realizada no âmbito do Comitê Permanente para Plantas, Animais, Alimentos e Ração da Comissão Europeia, que aprovou uma atualização dessa listagem. A medida abrange carnes, ovos, mel e animais.


Agora, o governo brasileiro, que negociava o tema desde outubro do ano passado com a UE, busca reverter a medida antes que entre em vigor em 3 de setembro. O Brasil exporta cerca de US$ 1,8 bilhão por ano em proteínas à UE.

Inatacáveis

Na manhã de ontem, Rua se encontrou com a embaixadora da União Europeia (UE) no País, Marian Schuegraf, para tratar do tema. "Externamos a surpresa e o descontentamento com a forma que a medida foi feita e o nosso interesse em encontrar uma solução. A negociação avançou bem com o compromisso da UE com a análise célere", disse. "Reforçamos o pedido de prioridade à reanálise do caso e que o Brasil merece ser tratado como bom parceiro comercial", relatou.


As informações adicionais a serem solicitadas pelo bloco europeu são de cunho de sanidade animal e estão relacionadas à apresentação de provas pelo Brasil de rastreabilidade e segregação na produção destinada ao bloco europeu. Não há prazo para reanálise do tema pela UE. Na visão do governo brasileiro, a revisão da medida não exige uma nova auditoria do bloco no sistema sanitário nacional, sendo restrita à troca de documentos


O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, descartou ontem qualquer relação entre a decisão da UE de barrar a carne brasileira com a assinatura do acordo do bloco do Norte com o Mercosul no início deste mês. Segundo o chanceler explicou em entrevista à CNN Brasil, a colocação em dúvida do uso de alguns medicamentos pelos produtores domésticos no gado nacional não é nova e já vinha sendo discutida entre as partes. Para ele, o diálogo com a UE continuará e o Brasil provará que está agindo conforme as regras, pois a carne brasileira é "inatacável".


Cotidiana

"A questão de aprovação de sanidade dos produtos brasileiros, é uma questão que se trata cotidianamente, sempre. O Brasil é um grande exportador de proteína animal para os Estados Unidos, para a União Europeia, para a Ásia, para todos os continentes", disse. "O Brasil é um dos maiores exportadores no setor agrícola de forma geral e esse diálogo com as autoridades locais é constante porque a vigilância sanitária em cada país - como também é no Brasil - sempre evolui e pede informações adicionais "


Essa questão específica com a UE, conforme o chanceler, já vinha sendo discutida. "Isso não é uma novidade e tampouco é uma decisão que entra em vigor automaticamente. Se entrar em vigor, será em setembro deste ano e neste período evidentemente que se pode conversar e negociar e trocar informações entre as equipes técnicas", explicou.


Vieira lembrou ainda que o aviso de bloqueio da carne brasileira veio dessa instância técnica da UE em que se está discutindo a questão de usos diferentes medicamentos na produção das proteínas. "Isso continuará sendo examinado, todos os dados serão trocados e nós temos a certeza de que poderemos provar que a qualidade da carne brasileira - que é reconhecida no mundo inteiro - é sem dúvida nenhuma inatacável. Nós temos excelentes produtos, excelentes qualidades e usamos apenas os medicamentos que são aprovados mundialmente."

Estadão Conteúdo e Correio do Povo

Empresário Carlinhos Cachoeira foi preso em operação da Polícia Federal, em aeroporto na Zona Sul de São Paulo, nesta quarta-feira (13)

 


Empresário Carlinhos Cachoeira foi preso em operação da Polícia Federal, em aeroporto na Zona Sul de São Paulo, nesta quarta-feira (13). O empresário foi detido pelas autoridades enquanto tentava embarcar, após cumprimento de mandado judicial.

Fonte: https://web.facebook.com/watch/?v=1918353755487967

CSG anuncia medidas para facilitar pagamento do free flow

 Novo site de cobrança passa a valer a partir desta quinta-feira; aplicativo também contará com biometria


A concessionária Caminhos da Serra Gaúcha (CSG) anunciou um conjunto de medidas para facilitar o pagamento do pedágio eletrônico free flow nas rodovias do Vale do Caí e da Serra Gaúcha. Entre as iniciativas estão a parceria com operadora de tag sem mensalidade e um novo site de pagamento, com recursos voltados à ampliação da segurança e da praticidade para os usuários.


O novo aplicativo também contará com biometria. Dessa forma, os clientes que já possuem a ferramenta instalada no celular, ao realizarem o primeiro acesso com senha, serão convidados a cadastrar a biometria. Em caso de aceite, os próximos acessos poderão ser feitos por meio da biometria, sem necessidade de utilização de senha. As ações entram em vigor a partir desta quinta-feira.


Entre as novidades, os clientes das rodovias administradas pela CSG poderão adquirir uma tag de pagamento automático da ConectCar sem cobrança de mensalidade no pagamento de pedágios eletrônico free flow. A parceria entre as empresas busca facilitar o pagamento da tarifa e reduzir o esquecimento, que resulta em multa.


A oferta se aplica aos seis pórticos de cobrança da CSG situados nas regiões do Vale do Caí e Serra Gaúcha, bem como a outros pórticos free flow em diferentes localidades do Brasil. A tag promocional CSG e ConectCar é na modalidade pré-paga, ou seja, o pagamento do pedágio pode acontecer automaticamente pelo cartão de crédito.


Para isso, o cliente precisa manter saldo disponível ou solicitar a recarga automática, que pode ser feita no app ConectCar. Se no dispositivo não houver saldo suficiente para o pagamento da tarifa do free flow no momento da passagem, o cliente fica inadimplente e poderá ser multado, por isso cadastrar a recarga automática é fundamental.


A adequação ocorre após a decisão do governo federal de suspender multas por evasão de pedágio free flow. O objetivo é que, com essa adequação, a cobrança esteja disponível na carteira digital de trânsito. Para o diretor-presidente da CSG, Ricardo Peres, a iniciativa busca ampliar o acesso à tecnologia e facilitar o pagamento automático da tarifa do pedágio com benefícios aos motoristas que são clientes da CSG.


“Queremos que os motoristas sigam e aproveitem sua viagem sem a necessidade de paradas ou filas. Trabalhamos para tornar o sistema ainda mais acessível, eficiente e simples. Por isso, ao oferecer uma tag sem mensalidade, facilitamos a adesão a um modelo mais automático e melhoramos a experiência do cliente, evitando possíveis multas”, reforçou.


Ao utilizar a tag nas rodovias administradas pela concessionária ou outros pórticos de free flow em diferentes localidades do Brasil, não haverá cobrança de mensalidade. Agora, caso o cliente utilize a tag em pedágios convencionais (com cancelas) ou estacionamentos conveniados, uma taxa de utilização será cobrada no mês em que houver uso, com valor promocional de R$ 9,90.


Para aderir à tag, o usuário poderá solicitar diretamente em uma base de atendimento da CSG ou fazer o cadastro pelo site da concessionária, recebendo o equipamento em casa, sem custo de envio. Além do site, do aplicativo e da tag, o pedágio free flow também poderá ser pago diretamente nas bases de atendimento e totens digitais da CSG. Nos totens, é possível pagar em dinheiro, Pix ou cartões de débito e crédito, sem necessidade de cadastro prévio.


O conjunto de estradas concedidas à CSG representa 271,5 km. A empresa é responsável pela administração e manutenção da totalidade da ERS 122 (km 0 ao 168,65), ERS 446 (km 0 ao 14,84) e ERS 240 (km 0 ao 33,58), além de trechos da RSC 453 (km 101,43 ao 121,41), BR 470 (km 220,50 ao 233,50) e RSC 287 (km 0 ao 21,49).


As rodovias fazem parte dos municípios de Antônio Prado, Bento Gonçalves, Bom Princípio, Campestre da Serra, Capela de Santana, Carlos Barbosa, Caxias do Sul, Farroupilha, Flores da Cunha, Garibaldi, Ipê, Montenegro, Portão, São Leopoldo, São Sebastião do Caí, São Vendelino, Triunfo e Vacaria.

Correio do Povo

Cinco casas terão de ser demolidas e 14 seguem interditadas no Jaguaré

 Até a tarde de terça-feira, 194 pessoas tinham sido cadastradas para receber auxílio emergencial imediato


A Defesa Civil de São Paulo informou ontem que cinco imóveis atingidos pela explosão que ocorreu na segunda-feira, no Jaguaré, zona oeste da capital paulista, terão que ser demolidos por conta do alto risco estrutural. Outras 14 residências permanecem interditadas cautelarmente e só poderão ser liberadas após a realização de obras de recuperação.


Até o fim da noite de terça-feira, técnicos da Defesa Civil e do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) haviam vistoriado 105 imóveis na região. Desse total, 86 foram liberados para o retorno imediato das famílias. As vistorias nas demais ruas foram retomadas ontem por equipes integradas da Defesa Civil, IPT e as concessionárias envolvidas no acidente, a companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) e a Companhia de Gás de São Paulo (Comgás).


Os imóveis atingidos foram classificados em quatro níveis de risco. Na categoria verde, as residências foram consideradas seguras para ocupação, com danos leves, como quebra de vidros e perda de eletrodomésticos, que deverão ser ressarcidos pelas concessionárias responsáveis.


Já os imóveis enquadrados na classificação amarela permitem a entrada dos moradores somente para a retirada de pertences pessoais.


No nível laranja, as residências seguem interditadas cautelarmente e o acesso só pode ocorrer com acompanhamento da Defesa Civil. Segundo o órgão, esses imóveis precisarão passar por reformas antes de uma eventual liberação.


Risco elevado

As cinco construções classificadas no nível vermelho apresentam risco elevado de desabamento e serão demolidas, de acordo com a Defesa Civil.


A explosão ocorreu na comunidade Senhora das Virtudes 2, em uma área próxima das Ruas Doutor Benedito de Moraes Leme e Piraúba, atrás do Condomínio Morada do Parque, no Jaguaré. A área é caracterizada pela alta densidade de moradias, com casas construídas muito próximas umas das outras e, em alguns casos, compartilhando o mesmo terreno.


Informações preliminares indicam que o acidente pode ter sido provocado por um vazamento de gás identificado durante uma obra executada pela Sabesp na região.


Moradores da região relataram que já sentiam um "cheiro de gás" desde o início da tarde de segunda-feira, horas antes do acidente. Contaram ainda que, em contato com funcionários da Sabesp, que trabalhavam em uma obra na região, receberam a orientação para não acender a luz ou o fogão sob o risco de ocorrer algum tipo de detonação.


A reportagem do Estadão teve acesso ao interior de um dos imóveis que foi indiretamente atingido. A casa fica na parte elevada do terreno, nas proximidades das ruas Dr. Benedito de Moraes Leme e Piraúba. Mesmo estando mais distantes, estruturas do imóvel ficaram severamente danificadas. A porta de um dos quartos foi arremessada com a explosão. No banheiro, o boxe do vidro quebrou por inteiro e o chuveiro chegou a se desprender da parede. Do quarto desta residência é possível ver que os imóveis localizados na altura da rua ficaram totalmente destruídos.


Em nota conjunta, Sabesp e Comgás afirmaram que o acidente aconteceu durante uma obra de remanejamento de tubulação de água, momento em que uma rede de gás foi atingida. As empresas informaram ainda que "todos os protocolos de segurança foram adotados imediatamente após a ocorrência".


Vítimas

A explosão deixou uma pessoa morta e outras três feridas. Uma das vítimas recebeu atendimento no Hospital Universitário da USP e já teve alta. Outra permanece internada e está estável no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. O terceiro paciente segue em estado grave no Hospital Regional de Osasco, na região metropolitana de São Paulo.


A Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) informou que equipes técnicas acompanharam a atuação das concessionárias no local e que abrirá, em conjunto com as autoridades responsáveis, uma investigação para apurar as circunstâncias do acidente.


Segundo as empresas responsáveis, até a tarde de terça-feira, 194 pessoas tinham sido cadastradas para receber auxílio emergencial imediato, ampliado de R$ 2 mil para R$ 5 mil. Parte das famílias atingidas também está sendo acolhida em hotéis.

Estadão Conteúdo e Correio do Povo

Sol predomina no RS nesta quinta-feira, com mais nuvens na Metade Sul

 Nova massa de ar frio fraca avança pelo Sul do território gaúcho sem intensificar o clima gelado



Nesta quinta-feira, 14, a maior parte do Rio Grande do Sul terá um dia de sol entre nuvens, com momentos de céu claro em algumas áreas. A nebulosidade se concentra na Metade Sul. Entre a madrugada e a manhã, há previsão de nevoeiro, neblina ou nuvens baixas em diferentes pontos do território gaúcho.


O começo do dia segue frio em todas as regiões, mas com mínimas mais altas que nos últimos dias. Uma nova massa de ar frio, porém fraca, começa a ingressar pelo Sul gaúcho e deve apenas manter as baixas temperaturas, sem nova queda acentuada. A tarde será amena a agradável em todos os municípios gaúchos.

MetSul Meteorologia e Correio do Povo

Profissional português deixa o Grêmio

 Head scout Hugo Ribeiro foi contratado em dezembro de 2025


Nos últimos dias, o head scout Hugo Ribeiro pediu desligamento do Grêmio. Anunciado em dezembro de 2025, o profissional português tinha contrato de 90 dias e, após o vínculo, optou por não seguir no Tricolor por razões familiares.


A contratação de um head scout era uma promessa de campanha do presidente Odorico Roman. Hugo Ribeiro chegou ao clube com a aprovação do conterrâneo Luís Castro e substituiu Fernando Lázaro, que desempenhava função semelhante na gestão Alberto Guerra.


Com a saída de Hugo Ribeiro, o Tricolor já está no mercado em busca de um profissional para desempenhar a função. Por ora, o clube não designou outra pessoa para o setor.


Correio do Povo

Justiça decreta prisão preventiva de mulher investigada pela morte do cachorro Branquinho

 Decisão atende a pedido do MPRS e foi cumprida pela Polícia Civil no início da noite desta quarta-feira


A pedido do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), a Justiça decretou a prisão preventiva da mulher investigada pela morte do cachorro Branquinho, ocorrida em novembro do ano passado, em Porto Alegre. A decisão foi cumprida no começo da noite desta quarta-feira, 13 de maio, pela Polícia Civil.


Inicialmente, o pedido de prisão preventiva havia sido negado. No entanto, com a atuação do MPRS, que apresentou fatos novos e elementos adicionais ao processo, a Justiça reconsiderou e deferiu a medida.


O caso, registrado por câmeras de segurança, apura a morte do animal a golpes de picareta. A prisão preventiva foi considerada necessária para assegurar a ordem pública e o regular andamento da investigação.


Correio do Povo

Imagem Folheados - Conheça o novo brinde desta semana!

 


Faça qualquer compra na Imagem Folheados, acima de R$ 160,00, e ganhe esta linda gargantilha folheada a ouro, contendo pingente em forma de um fecho fake no formato de uma estrela.

Link da loja: https://www.imagemfolheados.com.br/?a=97592  

Adolescente é apreendido após ação conjunta entre MPRS e Europol

 Equipe se infiltrou em grupos online e identificou indícios de planejamento para ação violenta


O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), por meio do Núcleo de Prevenção à Violência Extrema (NUPVE), atuou em cooperação internacional que resultou na apreensão de um adolescente no Leste Europeu, impedindo a consumação de um atentado. A ação envolveu o compartilhamento de informações com a Polícia Federal e a articulação com a Europol, a agência da União Europeia para a cooperação policial.


O caso foi identificado a partir do monitoramento de processos de radicalização em ambientes digitais realizado pelo NUPVE. Durante a investigação, a equipe se infiltrou em grupos online e, ao acompanhar comunicações entre adolescentes, conseguiu identificar sinais que apontavam para a preparação de uma ação violenta prestes a ocorrer fora do país. A análise dos conteúdos, cruzamento de dados e identificação de padrões permitiram localizar o suspeito e identificar um cenário concreto de risco, que foi rapidamente repassado às autoridades.


O adolescente no Leste Europeu já se encontrava em fase avançada de preparação. Ele pretendia realizar um ataque em local público e transmitir a ação ao vivo pela internet. Para isso, havia adquirido equipamentos e itens que indicavam planejamento prévio, como vestuário de estilo militar, capacete com câmera acoplada para gravação, além de objetos que seriam utilizados durante a ação, incluindo dispositivos de choque e spray de pimenta. Também havia organizado meios de deslocamento e fuga, o que reforçou a urgência da intervenção.


De acordo com o procurador de Justiça Fábio Costa Pereira, coordenador do NUPVE, a atuação demonstra que os fenômenos investigados pelo núcleo ultrapassam fronteiras. “No ambiente digital, não existem barreiras geográficas. A cooperação entre instituições é essencial para prevenir atos graves, independentemente de onde eles ocorram. Quando identificamos um risco concreto, trabalhamos para que a informação chegue rapidamente a quem pode agir”, destaca.


O promotor de Justiça Leonardo Rossi, integrante do núcleo, ressalta que a agilidade no compartilhamento de dados foi determinante para o desfecho do caso. “Trata-se de um trabalho técnico e integrado, que depende da articulação entre diferentes órgãos e países. Essa resposta conjunta é fundamental para interromper ciclos de violência antes que eles se concretizem”, afirma.


Nos últimos dois anos, o NUPVE atuou em mais de 800 casos relacionados à prevenção da violência extrema envolvendo adolescentes. Somente em 2026, seis possíveis atentados foram evitados a partir da atuação do MPRS, sendo cinco no Rio Grande do Sul e um no Exterior.


Correio do Povo

Oceano da segurança

 Diálogo em Portugal coincide com a divulgação de uma pesquisa mostrando que quase 70 milhões de brasileiros já tiveram contato com o crime

Por Alexandre Garcia

O recepcionista do hotel em Amarante, no norte de Portugal, na intenção de ser amistoso, ao ver meu endereço, perguntou: “Em Brasília também é perigoso?”. Expliquei que não, pelos padrões brasileiros, mas muito perigosa pelos padrões portugueses. Mencionei cidades brasileiras que são bem mais perigosas que a capital federal, mas não era necessário. Ele já sabia porque convive com brasileiros que trabalham no ramo hoteleiro de Portugal e revelam porque vieram viver em terras lusitanas. Sempre é para fugir dos perigos por que já passaram no Brasil.


O diálogo coincide com a divulgação de uma pesquisa Datafolha no Fórum Brasileiro de Segurança Pública, mostrando que quase 70 milhões de brasileiros já tiveram contato com o crime; que 41% das mulheres e 30% dos homens já não saem à noite por medo. Que o maior pavor é com vigarices digitais, assalto à mão armada e receber um tiro na rua. Entre as mulheres, 82% temem agressão sexual. Imagine o pavor das mães em relação às suas crianças.


Há dias, em Lisboa, encontrei um casal de Fortaleza que se mudou para Portugal depois de sequestro com assassinato. Contaram-me que seus filhos pequenos estão aprendendo a andar na rua, para irem à escola sozinhos – como todos íamos na minha geração. As crianças tiveram que perder o medo de andar na calçada, brincar no parque público. No mesmo dia, recebíamos amigos e, quando eles saíram, vimos que havia uma mochila do lado de fora da porta. A arrumadeira, que trabalharia no dia seguinte, não quis perturbar-nos e deixou lá a mochila. Já estava acostumada com a segurança de seu novo país, depois de ter deixado Pernambuco após o quinto assalto.


O vizinho que me visitava, às vezes, divide comigo um café no quiosque da esquina. Certa vez deixou por lá a carteira, com dinheiro e cartões. Ninguém levou. O mesmo aconteceu com uma sacola de compras que minha mulher deixou na calçada, diante do Museu Fernando Pessoa. Só lembrou cinco quadras à frente, quando tomávamos café numa mesa de calçada, sobre a qual ficam nossos celulares, enquanto passa muita gente de bicicleta rente às mesas. Ela voltou para buscar a sacola, que estava no mesmo lugar onde a deixara. Lisboa tem poucas garagens nos prédios centenários. Os carros ficam na rua. Carros arrombados ou vidros quebrados são exceção.


Como viram, fiz também a minha pesquisa e lamento constatar que o medo de brasileiros no Brasil é medo de outros brasileiros. Inclusive daqueles que a Itália classifica como máfia e os americanos como terroristas narcotraficantes. Os governantes usam muito a palavra soberania, mas as organizações criminosas exercem domínio em rios e pistas aéreas da Amazônia e em áreas do Rio de Janeiro e outras cidades. O estado brasileiro desrespeita a Constituição que estabelece que segurança pública é dever do estado. A Constituição acrescenta que é responsabilidade de todos, mas o estado tudo faz para impedir que as pessoas se protejam convenientemente. Pelo que vejo em Portugal, a proteção que conseguem é a barreira do Oceano Atlântico. E o presidente acha que a solução é criar mais um ministério.


Correio do Povo