A FÁBRICA DOS ESPANTOS - 03.07.26
Por Alex Pipkin, PhD em Administração Poucos personagens atravessaram o tempo com tanta elegância quanto Dr. Jekyll e Mr. Hyde. Um exibia a respeitabilidade das boas maneiras; o outro revelava aquilo que as etiquetas escondiam. A diferença é que, na vida real, ambos cansaram da literatura e resolveram trabalhar na mesma redação. Num editorial, derramam-se lágrimas pelo avanço do crime organizado, denuncia-se a infiltração das facções na economia e manifesta-se virtuosa preocupação com a erosão das instituições. No seguinte, celebra-se o gigantismo do Estado, romantizam-se burocracias cada vez menos sujeitas a controles, relativizam-se alianças politicamente convenientes e qualquer tentativa de impor limites ao poder passa a ser rotulada como ameaça à democracia. É uma sofisticada linha de montagem de perplexidades. Primeiro, naturalizam-se os cupins que corroem os freios institucionais. Depois, publicam-se editoriais indignados, perguntando por que o teto desabou. O editor...