Lula diz que defendeu em reunião com Trump grupo de trabalho global contra crime organizado

 Lula questionou a estratégia dos EUA de combater o crime organizado com bases militares e defendeu a criação de alternativas econômicas ao crime


O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), disse nesta quinta-feira, 7, que defendeu ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a criação de um grupo de trabalho (GT) com todos os países da América Latina, ou até do mundo para o combate ao crime. "Eu disse a ele que estamos dispostos a construir um grupo de trabalho com todos os países da América Latina e quiçá, com todos os países do mundo, para criarmos um grupo forte de combate ao crime organizado", comentou, em entrevista a jornalistas, após reunião realizada com Trump em Washington.


Lula disse ainda que questionou a estratégia dos EUA de combater o crime organizado com bases militares e defendeu a criação de alternativas econômicas ao crime. "Como você vai fazer um país deixar de produzir coca se você não oferece uma alternativa de algum produto que alguém possa plantar e ganhar dinheiro?", questionou.


Na entrevista, o presidente brasileiro também destacou que parte das armas que chega no Brasil sai dos EUA. "É importante saber que tem lavagem de dinheiro que é feita em Estados americanos. Se a gente colocar a verdade na mesa e criarmos um grupo de trabalho para trabalharmos juntos, poderemos resolver em décadas aquilo que não resolveu em séculos", afirmou.


Lula ainda defendeu o multilateralismo em contraste ao "unilateralismo das taxações do presidente Trump" e disse que nenhum País tem a hegemonia de combater o crime organizado. "É uma coisa que tem que ser compartilhada com todos, e o Brasil tem expertise, tem uma extraordinária Polícia Federal (PF)", disse.


Minerais críticos

O presidente da República afirmou também que o Brasil não tem preferência nas parcerias com outros países para a exploração de minerais críticos. O petista citou países como China e Estados Unidos, adversários na corrida pelos elementos.


"Não temos preferência. O que queremos é fazer parceria, compartilhar com as empresas americanas, chinesas, alemãs, japonesas, francesas, ou seja, quem quiser participar conosco, para ajudar a gente a fazer a mineração, para fazer a separação e para produzir a riqueza que essa riqueza rara nos oferece, estão sendo convidados", declarou Lula.


Ele reafirmou que o Brasil tratará os minerais críticos como "uma questão de soberania nacional" e chamou como "extraordinária" a aprovação pela Câmara do projeto para regularizar o setor.


Tarifas

O presidente brasileiro afirmou ainda ter discutido a sobretaxação norte-americana a produtos brasileiros durante reunião com Trump. Segundo Lula, Trump "teimou" haver produtos norte-americanos com taxa maior do que a praticada.


"Ele Trump sempre acha que nós cobramos muito imposto. Argumentei para ele: "Não, a média do imposto que nós cobramos de vocês é 2,7%, apenas 2,7%". Mas ele continua teimando", declarou Lula. "Trump teimou e disse que tem produtos americanos que são taxados em 12% no Brasil", enfatizou.

Reunião das áreas comerciais

Lula afirmou ter sugerido a Trump uma reunião entre as áreas comerciais dos dois países daqui um mês e disse que o Brasil estaria disposto a ceder caso seja constatada uma sobretaxação brasileira. O petista defendeu ainda um "plano de metas" para as reuniões.


"Quem estiver errado vai ceder. Se a gente tiver que ceder, vamos ceder. Se eles tiverem que ceder, vão ter que ceder", disse Lula. "Tem divergência que ficou explicitada na reunião, o ministro dele falou uma coisa, os nossos, outras", completou.


Copa do Mundo e sorrisos

Lula afirmou também ter pedido a Trump que sorrisse mais e brincou ter solicitado ao presidente norte-americano para que não cancele os vistos dos jogadores da seleção masculina de futebol às vésperas da Copa do Mundo, que terá, neste ano, os Estados Unidos como uma das sedes.


"Espero que você não venha anular o visto dos jogadores brasileiros para a seleção. Por favor, não faça isso porque nós vamos vir aqui para ganhar a Copa do Mundo. Ele riu", contou Lula.


A reunião

A reunião entre Lula e Trump começou por volta das 12h40 (11h40 no horário de Washington D.C) desta quinta-feira, na Casa Branca, e durou três horas. Esse foi o primeiro encontro dos dois na sede do governo norte-americano.


Na reunião, Lula esteve acompanhado pelos ministros Alexandre Silveira (Minas e Energia), Dario Durigan (Fazenda), Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria e Comércio), Mauro Vieira (Relações Exteriores) e Wellington César (Justiça e Segurança Pública).


Já a equipe de Trump foi composta pelo vice-presidente dos Estados Unidos, J.D Vance, pela chefe de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, pelo representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, pelo secretário de Comércio, Howard Lutnick, e pelo secretário do Tesouro, Scott Bessent.


A relação Lula-Trump

Lula e Trump tiveram um primeiro contato na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), em setembro passado. Depois, se encontraram na cúpula da Asean, em outubro de 2025.


Desde o início do mandato de Trump, em janeiro passado, a relação entre Brasil e Estados Unidos é marcada por crises. O governo norte-americano impôs uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros, depois derrubada pela Suprema Corte do país, sancionou autoridades com a Lei Magnitsky, além de começar a investigar supostas práticas comerciais desleais por parte do Brasil.


Estadão Conteúdo e Correio do Povo

Narrativas de Lula e de Trump não indicam tensionamento ou embates

 Presidentes do Brasil e dos EUA se reuniram em Washington, nesta quinta-feira, sob forte expectativa


O tom em que ocorreu o encontro entre os presidentes do Brasil e dos Estados Unidos e supostos avanços em pautas estrategicamente abordadas foram divulgados por manifestações individuais e restritas, diante do cancelamento da coletiva conjunta, originalmente prevista, mas que acabou cancelada.


O americano Donald Trump, como de praxe, usou a Truth Social para se manifestar. “Acabo de concluir minha reunião com Luiz Inácio Lula da Silva, o muito dinâmico presidente do Brasil. Discutimos muitos temas, incluindo comércio e, especificamente, tarifas. A reunião transcorreu muito bem. Nossos representantes estão programados para se reunir e discutir certos elementos-chave. Reuniões adicionais serão agendadas nos próximos meses, conforme necessário”, escreveu o americano.

Considerando o perfil incontrolável de Trump, nas redes sociais e fora delas, a publicação pode ser interpretada como um indicativo de que, se eventualmente não houve avanços efetivos no encontro, pelo menos por ora, também não há indícios de que ocorreram tensionamentos ou embates, que não raro marcam encontros do americano com líderes mundiais. Muitas vezes em frente às câmeras, em uma espécie de espetáculo de mau gosto, para dizer o mínimo.


Pelo lado brasileiro, após brevíssimas falas de ministros, Lula narrou a conversa e respondeu às perguntas de jornalistas. Lula estava descontraído e brincalhão. Classificou a reunião “de muito boa”, disse ter razões para acreditar que “Trump gosta do Brasil”. “A nossa relação é boa, muito boa. Uma relação que muitos não acreditavam. O negócio do amor à primeira vista, da química, foi isso que aconteceu”, disse Lula.


Correio do Povo

Ex-ministros da China são condenados a pena de morte por corrupção

 Wei Fenghe e Li Shangfu receberam suspensão condicional por dois anos, que pode ser comutada para prisão perpétua se o condenado não cometer nenhum crime durante o período de suspensão


Os ex-ministros da Defesa da China Wei Fenghe e Li Shangfu foram ambos condenados à morte, com suspensão condicional da pena por dois anos, por acusações de corrupção, informou a agência de notícias estatal Xinhua nesta quinta-feira (7).


As Forças Armadas têm sido um dos principais alvos de uma ampla campanha anticorrupção ordenada pelo presidente Xi Jinping após sua ascensão ao poder em 2012.


Os expurgos atingiram a elite da Força de Foguetes, responsável por armas nucleares e mísseis convencionais, em 2023.

No início deste ano, a campanha se intensificou ainda mais, resultando na destituição do general Zhang Youxia, chefe do Exército de Libertação Popular, membro do Politburo e considerado um aliado de Xi.


Reportagens anteriores da Xinhua afirmavam que Li era suspeito de receber "grandes somas de dinheiro" em subornos, além de subornar outras pessoas, e uma investigação concluiu que ele "não cumpriu com suas responsabilidades políticas" e "buscou benefícios pessoais para si e para outros".


Uma investigação iniciada contra Wei em 2023 concluiu que ele havia aceitado "uma enorme quantia de dinheiro e bens valiosos" em subornos e "ajudado outros a obterem benefícios indevidos em negociações de pessoal", informou a agência Xinhua em 2024, acrescentando que suas ações foram "extremamente graves, com um impacto altamente prejudicial e danos tremendos".


Na China, uma sentença de morte com possibilidade de suspensão condicional da pena é geralmente comutada para prisão perpétua se o condenado não cometer nenhum crime durante o período de suspensão.


Após a comutação, ele será preso perpétuamente, sem possibilidade de nova comutação ou liberdade condicional, afirmou a Xinhua.


Os expurgos em curso nas Forças Armadas da China por corrupção estão deixando sérias deficiências em sua estrutura de comando e provavelmente prejudicaram a prontidão de suas Forças Armadas, que estão se modernizando rapidamente, afirmou o Instituto Internacional de Estudos Estratégicos neste ano.


CNN Brasil

Lula: “Demos um passo importante na consolidação da relação democrática histórica que o Brasil tem com os EUA”

 Presidente brasileiro, chanceler e ministros fizeram pronunciamento à imprensa após encontro com Trump



O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um pronunciamento à imprensa após a reunião com Donald Trump na Casa Branca. Os mandatários estiveram reunidos durante cerca de três horas nesta quinta-feira, 7. “Eu saio daqui com a ideia de que nós demos um passo importante na consolidação da relação democrática histórica que o Brasil tem com os Estados Unidos”, afirmou.


Lula destacou que já havia dito a Trump que a boa relação entre os dois países é “uma demonstração ao mundo de que as duas maiores democracias do continente podem servir de exemplo para o mundo”. O presidente brasileiro defendeu ainda o multilateralismo e os esforços no combate ao crime organizado transnacional.


“O Brasil está preparado para discutir com qualquer país do mundo qualquer assunto. Não temos veto, não temos assunto proibido. Nós não abrimos mão da nossa democracia e da nossa soberania. O resto, é tudo discutível”, concluiu Lula.


O presidente encerrou sua fala citando uma brincadeira que fez com Trump: “Você não venha a anular os vistos dos jogadores brasileiros da Seleção. Por favor, não faça isso, porque nós vamos vir aqui para ganhar a Copa do Mundo. Ele riu, porque agora ele vai rir sempre”.

Tarifas, combate ao crime e minerais críticos

Antes da fala de Lula, se manifestaram o chanceler Mauro Vieira e ministros. Vieira detalhou as etapas do encontro e destacou que a reunião durou cerca de 3h, quando o tempo previsto era de 1h10. Vieira classificou a reunião como “muito produtiva” e destacou que os “presidentes estabeleceram missões para cada uma das áreas”.


O primeiro tema discutido, segundo Vieira, foi o comércio bilateral, mais especificamente as tarifas impostas pelo governo dos Estados Unidos a produtos importados do Brasil. Em seguida, foi abordada a cooperação entre os dois países no combate ao crime organizado transnacional. Em seguida, os minerais críticos foram pautados pelos presidentes.


“Tudo isso se desenvolveu em um clima muito positivo, muito amistoso”, avaliou Vieira. Também se manifestaram os ministros presentes no encontro: Marcos Elias Rosa, do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços; Wellington Silva, da Justiça e Segurança Pública; Dário Durigan, da Fazenda; Alexandre Silveira, de Minas e Energia.

Correio do Povo

Após reunião, Lula e Trump orientam ministros a resolverem tarifas em 30 dias

 Líderes de Brasil e EUA se reuniram na Casa Branca por mais de 3h em Washington


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta quinta-feira (7), após reunião com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca, em Washington, que equipes dos dois governos deverão fechar uma proposta para resolver o impasse sobre tarifas de exportação e de uma investigação comercial aberta pelos norte-americanos contra o Brasil desde o ano passado, fortalecendo o diálogo com os EUA.


O objetivo é que uma proposta seja levada aos dois líderes em cerca de 30 dias. O Brasil voltou a defender o encerramento da apuração aberta com base na Seção 301 da Lei de Comércio dos EUA.


"Eu falei assim: "Vamos colocar um grupo de trabalho e vamos permitir que esse moço [do Ministério] da Indústria e Comércio do Brasil, junto com o teu ministro do Comércio, sentem em 30 dias e apresentem para nós uma proposta para a gente poder bater o martelo". Quem estiver errado vai ceder. Se a gente tiver que ceder, nós vamos ceder", disse Lula a jornalistas na sede da Embaixada do Brasil em Washington.


No procedimento, os EUA acusam o Brasil de concorrência desleal, mencionando o Pix, tarifas sobre etanol, desmatamento ilegal e proteção de propriedade intelectual. Em abril deste ano, técnicos brasileiros reuniram-se nos EUA para esclarecimentos, defendendo o país contra a alegação de práticas desleais.


O governo brasileiro não reconhece a legitimidade de instrumentos unilaterais como a Seção 301, argumentando inconsistência com as regras da Organização Mundial do Comércio (OMC). Segundo Lula, o tema do Pix não foi mencionado durante a reunião entre os presidentes.


Encontro prolongado

Lula e Trump se reuniram por mais de 3 horas na Casa Branca, em Washington, incluindo um almoço oferecido pelo norte-americano. A expectativa era que ambos atendessem à imprensa no Salão Oval antes da reunião, mas o presidente brasileiro pediu para que a conversa com a imprensa ocorresse após o encontro.


Em postagem nas redes sociais, Trump informou que discutiu "muitos tópicos" com Lula, incluindo questões comerciais e de tarifas, e chamou Lula de "um presidente muito dinâmico". "A reunião foi muito produtiva. Nossos representantes têm reuniões agendadas para discutir alguns pontos-chave. Outras reuniões serão agendadas nos próximos meses, conforme necessário", escreveu o norte-americano.


Lula chegou à Casa Branca pouco depois do meio-dia (horário de Brasília). O encontro foi previamente negociado pelas equipes dos dois países, com a expectativa de tratar diversos temas, como comércio, combate ao crime organizado, além de questões geopolíticas e de minerais críticos.


A jornalistas, Lula disse ter saído muito otimista da reunião bilateral. "Eu acho que o Brasil está preparado para discutir com qualquer país do mundo, qualquer assunto. Não tem assunto proibido. A única coisa que não abrimos mão é da nossa democracia e da nossa soberania. O resto é tudo discutido", afirmou o presidente.

Crime organizado

Durante a coletiva de imprensa, Lula anunciou que o governo brasileiro vai lançar um plano de combate ao crime organizado "na semana que vem" e que, na conversa com Trump, ficou acertado que uma das frentes de trabalho entre dos dois governos será a cooperação para asfixiar financeiramente as organizações criminosas transnacionais que atuam no Brasil e nos EUA.


"Precisamos destruir o potencial financeiro do crime organizado e das facções", defendeu.


Segundo o ministro da Fazenda, Dario Durigan, equipes da Receita Federal brasileira e a contraparte norte-americana deverão fazer operações conjuntas para bloquear o contrabando de armas e outros produtos, incluindo o tráfico ilegal de drogas sintéticas provenientes dos EUA.


Ainda segundo Lula, eles não trataram sobre facções criminosas que atuam no Brasil. O governo dos EUA estuda mudar a designação de facções brasileiras como grupo terroristas, o que na avaliação do Brasil e de especialistas é um risco à soberania e não ajuda no combate ao crime


Em abril, Brasil e Estados Unidos já haviam anunciado um acordo de cooperação mútua visando combater o tráfico internacional de armas e drogas.


A parceria prevê o compartilhamento de informações sobre apreensões feitas nas aduanas dos dois países, de forma a viabilizar uma investigação célere de padrões, rotas e vínculos entre remetentes e destinatários de produtos ilícitos.


Terras raras

Outro ponto abordado na reunião entre Lula e Trump foi os investimentos na exploração dos minerais críticos e das terras raras, que são fundamentais na fabricação de componentes eletrônicos de equipamentos de alta tecnologia.


Na coletiva de imprensa, Lula disse ter informado a Trump da aprovação, nesta quarta-feira (6), da lei que institui Política Nacional de Minerais Críticos e Estratégicos (PNMCE). O projeto prevê, entre outros pontos, a criação de um comitê ou conselho responsável por definir quais são os minerais críticos e estratégicos do País.


Com cerca de 21 milhões de toneladas, a reserva brasileira de terras raras é a segunda maior já mapeada no mundo, ficando atrás apenas da China, que detém aproximadamente 44 milhões de toneladas. Porém, apenas cerca de 25% do território nacional foi mapeado, o que indica um enorme potencial ainda desconhecido.


"Qualquer um que quiser, o Brasil estará aberto a construir parceria. O que nós não queremos é ser meros exportadores dessas coisas. Não queremos repetir o que aconteceu com a prata na América Latina, com o ouro no Brasil, com o minério de ferro que a gente manda muito para fora e a gente poderia fazer um processo de transformação interna que a gente não fez. Então, com as terras raras, a gente vai mudar de comportamento", garantiu o presidente.


Vistos revogados

Lula disse ter entregue a Trump uma lista de autoridades e seus familiares brasileiros que ainda estão sofrendo com restrição de vistos norte-americanos como retaliação por conta do julgamento da tentativa de golpe de Estado no Brasil.


Parte da suspensão de vistos teria sido interrompida, mas algumas pessoas seguem sancionadas, incluindo, segundo Lula, a filha de 10 anos de idade do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e alguns ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).


Fazem parte da comitiva presidencial os ministros das Relações Exteriores, Mauro Vieira; da Justiça e Segurança Pública, Wellington César; da Fazenda, Dario Durigan; do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa; de Minas e Energia, Alexandre Silveira, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues.


Histórico

A relação comercial entre Brasil e Estados Unidos atravessa, desde 2025, uma fase de tensões decorrentes da política tarifária adotada pelo presidente Donald Trump, que retomou medidas protecionistas já observadas em seu primeiro mandato.


O ciclo de disputas começou com a imposição de tarifas de 25% sobre as importações de aço e alumínio, afetando diretamente o Brasil, um dos principais fornecedores desses produtos ao mercado norte-americano. As justificativas apresentadas pelos EUA para tais medidas combinavam argumentações econômicas e políticas.


Houve também críticas à Suprema Corte brasileira, no contexto das decisões do Judiciário brasileiro relacionadas ao processo contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, envolvido com os atos golpistas que culminaram com o 8 de janeiro de 2023.


Em abril, os Estados Unidos adotaram tarifas adicionais sobre diversos produtos brasileiros, sob o argumento de falta de reciprocidade comercial. O governo brasileiro intensificou algumas tratativas diplomáticas e, mais adiante, levou o tema à Organização Mundial do Comércio (OMC).


Além disso, o Brasil fortaleceu alguns de seus instrumentos legais, como medidas de reciprocidade e retaliação, na tentativa de evitar uma escalada ainda maior por parte do governo dos EUA. No fim de 2025 e no início deste ano, houve recuo parcial dos Estados Unidos, com exclusões de produtos e substituição do tarifaço por uma tarifa global temporária de cerca de 10%. Setores como aço e alumínio, porém, seguem com taxas elevadas. A comitiva brasileira retorna a Brasília ainda esta noite com previsão de chegada nesta sexta-feira (8).

Agência Brasil e Correio do Povo

Planalto pede que ministros não se posicionem sobre operação contra Ciro Nogueira

 Ação da PF mira senador e governo busca evitar interpretação de retaliação política



Logo após a Polícia Federal (PF) cumprir nesta quinta-feira, 7, um mandado de busca e apreensão contra o senador e presidente nacional do PP Ciro Nogueira (PP-PI), o Palácio do Planalto começou a orientar ministros a não se posicionarem sobre o caso.


A ordem do Planalto busca evitar que a operação contra o ex-ministro da Casa Civil no governo de Jair Bolsonaro (PL) e uma das principais lideranças do Centrão seja interpretada como uma retaliação do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) por causa da rejeição, pelo Senado Federal, da indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal (STF).


Com isso, ministros e auxiliares próximos do governo não devem fazer publicações nas redes sociais sobre o caso, além de evitar considerações à imprensa.


A derrota histórica na indicação de Messias, primeira em 132 anos, ocorreu devido aos votos dados pelo Centrão, do qual Ciro Nogueira é um dos principais articuladores no Senado. Publicamente, o piauiense declarou voto em Messias, mas o Planalto acredita que ele ajudou a derrotar o governo.


A indicação de Lula foi rejeitada por um placar de 34 votos favoráveis e 42 contrários. Era necessário o aval de 41 parlamentares para a indicação se concretizar na nomeação para a Corte.

A PF diz ter indícios de que o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, encomendou à assessoria da entidade um texto de uma emenda, posteriormente apresentada por Ciro Nogueira em uma proposta de emenda para favorecer Master em tramitação na Casa. A mudança constitucional buscava atender a interesses do banco.


Em diálogos, Vorcaro chegou a comentar que a emenda apresentada pelo parlamentar "saiu exatamente como mandei". O trecho, na PEC que tratava sobre o regime jurídico do Banco Central, propunha aumentar o limite de cobertura individual do Fundo Garantidor de Crédito (FGC), dos atuais R$ 250 mil para R$ 1 milhão. A emenda acabou não sendo aprovada.


A defesa de Ciro Nogueira afirmou que "repudia qualquer ilação de ilicitude sobre suas condutas, especialmente em sua atuação parlamentar".

"Medidas investigativas graves e invasivas tomadas com base em mera troca de mensagens, sobretudo por terceiros, podem se mostrar precipitadas e merecem a devida reflexão e controle severo de legalidade, tema que deverá ser enfrentado tecnicamente pelas Cortes Superiores muito em breve, assim como ocorreu com o uso indiscriminado de delações premiadas", diz a nota da defesa.

Estadão Conteúdo e Correio do Povo

Virada no tempo chega a Porto Alegre com rajadas de vento e instabilidade na energia

 Quedas de vegetação e destelhamentos pontuais foram registrados com avanço rápido da chuva



A virada no tempo chegou à Região Metropolitana por volta das 23h desta quinta-feira. Forte vendaval avançou pela zona Sul de Porto Alegre, seguido de pancadas rápidas de chuva forte; que em seguida afetaram a região central da Capital, com instabilidade no abastecimento de energia e quedas pontuais de vegetação e destelhamentos.


Um ciclone bomba condiciona as condições climáticas e influencia nas rajadas de vento. Na Fronteira, estragos intensos haviam sido registrados na primeira metade do dia, inclusive com a queda da turbina de um aerogerador no Parque Eólico de Santana do Livramento.


Pontos da zona Sul, como Camaquã; e da área Central, como no Centro Histórico e no Bomfim; tinham queda ou variações de tensão. Ainda não havia uma confirmação de quantas economias chegaram a ficar ou estavam desabastecidas.


As condições meteorológicas devem se estabilizar nesta sexta-feira, com melhora no tempo já pela manhã em diversos pontos. A temperatura, contudo cai bastante, com frio no fim de semana.



Correio do Povo

Massa de ar frio avança sobre o RS nesta sexta-feira, com chuva forte e rajadas de vento

 Frente fria associada a um ciclone bomba na costa da Argentina provoca temporais na Metade Norte do território gaúcho



Uma frente fria associada a um ciclone bomba na costa da Argentina provoca chuva na maior parte do Rio Grande do Sul no começo desta sexta-feira, 8. O tempo melhora a partir do Oeste e do Sul ainda pela manhã.


A instabilidade se concentra na Metade Norte, sobretudo entre a madrugada e a manhã, com chuva que pode ser forte e risco de temporais com vendavais. Ao longo do dia, o sol volta a aparecer entre nuvens na maior parte do território gaúcho.


A massa de ar frio avança sobre o RS no decorrer da sexta. Na Metade Norte, o começo é quente, mas as temperaturas caem ao longo da tarde. A circulação ciclônica entra com rajadas fortes de vento.

MetSul Meteorologia e Correio do Povo

Grêmio encaminha renovação de contrato com Gabriel Mec; confira os detalhes

 Meia vai ganhar uma valorização salarial no Tricolor


O Grêmio encaminhou, nesta quinta-feira, a renovação de contrato com Gabriel Mec. Conforme apurado pelo CP, o novo acordo amplia o vínculo da promessa por mais quatro anos, estendendo o prazo de setembro de 2027 para o mesmo mês de 2031. O anúncio oficial depende apenas da assinatura, prevista para os próximos dias.


Com o acerto encaminhado, o Tricolor se protege contra o assédio externo e evita o risco de perder o atleta sem custos no início da próxima temporada. O novo contrato prevê valorização salarial e mantém a multa rescisória para o mercado externo em 50 milhões de euros (R$ 290 milhões na cotação atual).


Gabriel Mec estreou no profissional na temporada passada e consolidou-se recentemente como titular. O camisa 37 soma 24 partidas, com um gol e duas assistências. Valorizado, o jovem de 18 anos voltou a despertar o interesse do Shakhtar Donetsk na última semana, embora os ucranianos ainda não tenham apresentado uma oferta formal.


Correio do Povo

Grêmio “ganha” R$ 6 milhões/ano ao se aliar ao Flamengo

 O dinheiro do Brasileiro tem a seguinte divisão: 40% iguais para todos os clubes; 30% de acordo com a posição na tabela e 30% conforme as audiência.


O dinheiro do Brasileiro tem a seguinte divisão: 40% iguais para todos os clubes; 30% de acordo com a posição na tabela e 30% conforme as audiência.

O Flamengo exigiu receber por um contrato até 2029 R$ 37,5 milhões anuais a mais. São R$ 150 milhões. Os demais clubes da Libra receberiam menos, portanto.

O Grêmio perderia cerca de R$ 4,5 milhões por temporada.

O Flamengo convenceu o Grêmio de que o clube gaúcho estava perdendo dinheiro pelo método de medição da audiência da TV.

O Flamengo adota o método da assinatura.

O Grêmio assinou nota em conjunto com o Flamengo defendendo o critério de rateio da verba de audiência.

O Grêmio não será descontado nos R$ 4,5 milhões e ainda receberá R$ 1,5 milhão pelo critérios das assinaturas.

Garantiu assim cerca de R$ 24 milhões por quatro anos.

NOTA

Da nota assinada por Flamengo e Grêmio: “Essa atuação foi fundamental para que Flamengo, Grêmio e os demais clubes da Libra firmassem acordo que encerra a divergência sobre a distribuição das receitas de audiência, parcela que corresponde a 30% da remuneração fixa total prevista...”

MENTIRA

O Palmeiras trata a nota de Flamengo e Grêmio como mentirosa: “O Palmeiras não assinou qualquer documento que implique receitas adicionais ao Grêmio. O recente acordo com a TV Globo determina que o próprio clube gaúcho e os demais signatários paguem um valor fixo anual ao Flamengo.”

DINHEIRO

O Flamengo teria se comprometido a repassar R$ 6 milhões ao ano a título de gratificação pela atuação do Grêmio nas negociações que culminaram no acordo entre o clube do Rio e os clubes da Libra. O Grêmio diz que o dinheiro não sai do caixa do Flamengo, que é pago diretamente pela TV.

INTEGRANTES

Integram a Libra Bahia, Grêmio, Vitória, Remo, Paysandu, Volta Redonda, ABC, Guarani, Sampaio Corrêa, Brusque, Flamengo, Atlético-MG, Santos, São Paulo e Bragantino. Até agora só o Palmeiras tratou a nota assinada em conjunto entre Grêmio e Flamengo como sendo mentirosa.


Correio do Povo