O secretário estadual de Reconstrução do Rio Grande do Sul, Pedro Capeluppi, defendeu com firmeza o modelo de concessão de rodovias adotado pelo governo Eduardo Leite (PSD) durante depoimento na Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Pedágios, realizada nesta quarta-feira (25) na Assembleia Legislativa. O depoimento ocorreu em clima tenso, com embates frequentes entre o secretário, o presidente da CPI, Paparico Bacchi (PL), o relator Miguel Rossetto (PL), e o líder do governo, Frederico Antunes (PP), que chegou a criticar o tom dos questionamentos da oposição.A CPI investiga os três blocos de concessão de rodovias estaduais: o Bloco 3 já foi concedido à iniciativa privada em 2023; o Bloco 2 está em fase de leilão; e o Bloco 1 ainda em discussão.Questionado sobre o motivo de o governo não ter optado pela Empresa Gaúcha de Rodovias (EGR) para executar as obras e investimentos previstos — como duplicações —, Capeluppi foi taxativo: “A EGR não funcionou”. Ele explicou que a estatal é mais voltada para manutenção rotineira e não possui capacidade para realizar grandes obras de infraestrutura. Além disso, destacou a limitação da EGR em atrair financiamentos privados, o que restringe sua atuação em comparação com a iniciativa privada.Outro ponto de atrito foi o Bloco 3, concedido em 2023, que enfrenta atrasos em obras e pedido de reequilíbrio financeiro e revisão tarifária por parte da concessionária. O secretário esclareceu que o contrato prevê expressamente a possibilidade de reequilíbrio em casos excepcionais, como as enchentes de maio de 2024, que afetaram trechos rodoviários. Qualquer solicitação, segundo ele, deve ser analisada pela agência reguladora Agergs.Sobre a contratação do BNDES para a modelagem das concessões — ocorrida em 2019, antes de Capeluppi assumir o cargo —, o secretário elogiou o trabalho técnico: “Esse arcabouço robusto de dados e levantamentos nos dá muita segurança de que esse é o melhor modelo possível de concessão de rodovias para o Rio Grande do Sul no momento atual”.Capeluppi rebateu as críticas da oposição argumentando que a modelagem segue normas jurídicas consolidadas em outros contratos e oferece à população gaúcha o melhor padrão de concessão disponível hoje, com foco em investimentos pesados que o poder público sozinho não conseguiria bancar em curto prazo.A sessão reforçou a polarização em torno do tema pedágios no estado, com a base governista defendendo a atratividade de recursos privados para acelerar obras e a oposição questionando atrasos, custos e benefícios reais para os usuários.

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