Ninguém quer o rótulo de favorito no Gre-Nal 450: torcedores de Inter e Grêmio transferem a pressão para o rival

 


Às vésperas do Gre-Nal 450, jogo de ida da final do Campeonato Gaúcho neste domingo (1º), na Arena do Grêmio, uma cena se repete nos dois lados da rivalidade: ninguém quer carregar o peso do favoritismo. Colorados e gremistas preferem transferir a responsabilidade para o adversário, numa espécie de “vacina” coletiva contra a cobrança em caso de derrota.Como observa o colunista Carlos Correa, o clássico mudou de tom ao longo dos anos. Antigamente, as torcidas disputavam para que seu time fosse visto como favorito. Hoje, atribuir favoritismo ao próprio clube pode gerar ira dos próprios torcedores — afinal, se o time perde, a cobrança virá em dobro; se vence, o feito já vem “descontado” (“Eu disse que o outro era favorito”). É o clássico mecanismo de autodefesa: “Nem doeu”.A realidade, segundo o texto, é que não há favorito claro neste Gre-Nal. A história da rivalidade mostra que o rótulo de favorito costuma pesar mais do que ajudar. Além disso, nem Grêmio nem Inter apresentam vantagens técnicas ou de momento que justifiquem favoritismo absoluto.O que equilibrou a balança na semana
A campanha no Gauchão apontava um leve favoritismo colorado: o Inter se classificou de forma mais sólida, enquanto o Grêmio sofreu para passar pelo Juventude. Mas os jogos de meio de semana pelo Brasileirão mudaram o cenário emocional:
  • O Grêmio venceu o Atlético-MG por 2 a 1 na Arena, fez o dever de casa, consolidou Gabriel Mec como titular e chegou a seis pontos na tabela, com tranquilidade na competição nacional.
  • O Inter, por outro lado, empatou por 1 a 1 com o Remo em Belém — considerado o pior desempenho das quatro rodadas no Brasileirão. O time voltou com mais dúvidas do que certezas, perdeu um treino por atraso de voo e segue com apenas dois pontos em 12 possíveis, ainda na zona de rebaixamento.
São campeonatos diferentes, mas a pressão psicológica não faz distinção. O clássico de domingo será disputado com casa cheia na Arena, e o jogo de volta está marcado para o dia 8, no Beira-Rio.No fim das contas, o favoritismo que ninguém quer assumir pode acabar sendo decidido exatamente pelo que as torcidas mais temem: o peso emocional de jogar com (ou contra) a expectativa.

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