Porto Alegre ganha centro para monitorar impacto do clima na saúde
Porto Alegre agora conta com um Centro de Informação em Saúde e Clima (Cisc), inaugurado nesta sexta-feira (10) pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha. A unidade faz parte de uma rede com nove centros espalhados pelas cinco regiões do país e tem como objetivo antecipar riscos, monitorar eventos climáticos extremos e organizar respostas rápidas do SUS com base em dados e evidências.
Na Capital, as principais preocupações são chuvas intensas e extremos de frio e calor. A previsão de um El Niño forte nos próximos meses aumenta o alerta para mais precipitações, inundações e deslizamentos no Rio Grande do Sul.
Segundo Padilha, a ideia é cruzar dados meteorológicos com informações das unidades de saúde para se preparar melhor. “A gente vai cruzar a previsão da chuva, a previsão do aumento da temperatura com o que acontece dentro da unidade de saúde. Aumentou a chuva? Aumentou a temperatura? Que tipo de paciente chega mais na unidade básica? Que tipo de medicamento tem que estar lá? O primeiro grande objetivo é se antecipar, estar preparado com aquilo que pode acontecer", disse. O ministro também destacou a instalação de uma base da Força Nacional do SUS em Porto Alegre.
Padilha citou estudo da Fiocruz que liga o aumento da temperatura média à elevação de partos prematuros, o que eleva riscos de doenças pulmonares, cardíacas e desnutrição. Além de crianças, os idosos são grupo de atenção especial. “Os idosos tomam medicações de uso contínuo, têm doenças crônicas e são os que mais sofrem com aumento da temperatura ou em tragédias, quando têm dificuldade de locomoção. Muitos dependem de diálise ou ventilação. Mesmo um idoso aparentemente saudável pode ser afetado por uma ameaça silenciosa como o calor”, afirmou.
Integração com a Defesa Civil
A coordenadora do Cisc Porto Alegre, Evelise da Rocha, explicou que o centro vai trabalhar em conjunto com a Defesa Civil da Capital, que já tem estrutura de monitoramento climático.
“Vamos integrar dados de saúde: vigilância de doenças como dengue e leptospirose, que sofrem impacto do clima, e dados assistenciais, observando quais atendimentos aumentam quando há onda de frio, calor ou chuvas intensas, como em 2024”, disse.
A equipe do Cisc tem cinco profissionais: dois especialistas em Ciência de Dados, um meteorologista, um geógrafo com ênfase em análise espacial e um epidemiologista. Entre as ferramentas está a “mancha de inundação”, que identifica áreas atingidas pela enchente de 2024.
“Mapeamos o território com dados do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da UFRGS e do Serviço Geológico do Brasil, localizando quais serviços de saúde estão em áreas de risco ou atendem regiões suscetíveis a alagamentos. Quando há um evento em alguma comunidade, isso impacta diretamente o serviço de saúde responsável”, explicou Evelise.
Rede nacional
Os Centros de Informação em Saúde e Clima foram implementados em oito estados. Além de Porto Alegre, há unidades em Curitiba (PR), Rio de Janeiro (RJ), Belo Horizonte (MG), Cuiabá (MT), Fortaleza (CE), Santarém (PA), Belém (PA) e Salvador (BA).
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