A Pátria perdeu as chuteiras!!!

 Parafraseando a expressão clássica do dramaturgo Nelson Rodrigues que intitula sua famosa coletânea de crônicas esportivas, publicadas entre as décadas de 50 e 70 reunidas no livro “A pátria de chuteiras”, o autor eternizou a ideia de que a Seleção Brasileira de futebol representava naquela época mais do que o “país do Carnaval”, mas também a transformação pejorativa do complexo de “país de vira-latas”, no qual o brasileiro carregava uma inferioridade inata em relação ao resto do mundo, bem como de não ser “um país sério”, para a essência de uma nova identidade, ou seja: “o país do futebol” indevidamente confundida com patriotismo, tal era a paixão e a obstinação da maioria da população pelo futebol, que assim tornava-se no orgulho nacional.

Passaram-se os anos de conquistas memoráveis celebradas com muita euforia, embora pontuadas por lampejos equivocados de pífias vitórias, as chuteiras começaram a cair, pois seus protagonistas transformados em ídolos nacionais começaram a emigrar para outros países, encantados por salários estratosféricos e patrocínios inescrupulosos de poderosas multinacionais, que os tornaram em milionários vaidosos, ostentando fortunas incalculáveis exibindo-se com jatos particulares, iates e carros de alto luxo, além de viverem encastelados em castelos e mansões de altíssimo padrão. Esqueceram de jogar o futebol-arte do passado e não mais sentir glória e a honra de representar o outrora “país do futebol“, resultando no quase total desinteresse do povo que não mais os reconhece como ídolos, mas protagonistas de um Festival de Vaidades que não traz mais alegrias, apenas decepções.
Assim a Seleção Brasileira de futebol de tantas glórias do passado, humilhada em 8 de julho de 2014 com a derrota acachapante para Alemanha por 7X1 em casa, que marcou o início do fim da “Pátria de Chuteiras” sepultada com a recente derrota para pequena Noruega que nos supera em tudo, além do futebol!
E agora como somos reconhecidos no Mundo? Ainda pelo fútil Carnaval; pela triste realidade sócio-econômica que gera repulsivo contraste de desigualdade social; pela violência e pela imoralidade de governantes corruptos e criminosos que de certa forma também infestaram o futebol.

Post de Plínio Pereira Carvalho

Fonte: https://www.facebook.com/1677131654/posts/10229186872931212/?rdid=6KXYfK5NN9wieNnq#

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