Trump e suas idiossincrasias

 Somente nesta terça-feira o presidente dos Estados Unidos Donald Trump se queixou da falta de apoio da Otan, referendou que quer tomar a Groenlândia e anunciou que voltaria a atacar o Irã

Jurandir Soares

Somente nesta terça-feira o presidente dos Estados Unidos Donald Trump se queixou da falta de apoio da Otan, referendou que quer tomar a Groenlândia e anunciou que voltaria a atacar o Irã. Tudo isto no dia em que ele participou em Ancara, na Turquia, de uma reunião da Organização do Tratado do Atlântico Norte. Ocasião em que ele encontrou mais um dirigente como qual “rolou um clima”. Desta vez com o presidente turco Recep Tayyip Erdogan, para o qual disse que só foi à reunião da Aliança Atlântica por causa dele. “Se não fosse por você eu não viria”, declarou.


QUEIXA


Há muito que Trump vem batendo com seus aliados da Otan, a ponto de eles se convencerem de que precisam agir de forma conjunta, se reforçar militarmente, porque, em caso de um confronto, não poderão contar com os Estados Unidos, que é a maior força da organização. O mote de Trump tem sido a contribuição financeira dos países membros. Vem alegando que muitos não estão destinando o percentual de 2% do PIB para a Aliança, conforme estabelece o estatuto dela. O que, realmente, vinha acontecendo.


A guerra na Ucrânia mudou o quadro. Diante da ameaça que representa o russo Vladimir Putin, todos trataram de se atualizar com a contribuição. A qual tem ido, fundamentalmente, para a Ucrânia, em termos de armamentos, logística e abastecimento. Os europeus estão convencidos de que em breve Putin atacará algum país membro da Otan e, então, será necessário enfrentá-lo. E, para isto, não querem deixar de contar com a participação dos EUA.


AJUDA


Mas Trump tem uma outra queixa. Se diz decepcionado pelo fato de os aliados da Otan não terem saído em sua ajuda na guerra com o Irã. Queria que ajudassem no bombardeio para liberar o Estreito de Ormuz. Neste ponto, o primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, foi muito claro: “Esta guerra não é nossa”. De fato, foi uma guerra decretada por Trump e Benjamin Netanyahu, ou seja, por EUA e Israel contra o Irã. E, neste caso, não pode ser invocado o artigo 5° do estatuto da Otan, porque este estabelece que todos os países devem sair em auxílio de outro membro quando este for atacado. E não quando um país ataca, como é este caso. Portanto, queixa infundada.


GROENLÂNDIA


A ilha, que é uma possessão da Dinamarca, já foi motivo de uma mobilização militar dos europeus parar enfrentar, vejam bem, os Estados Unidos. Isto aconteceu depois de Trump ameaçar mandar forças para tomar a ilha, que ele diz necessitar por questão de segurança. Mesmo sabendo que seriam derrotados em caso de uma invasão americana, os europeus se mobilizaram militarmente por uma questão de honra.


O tema Groenlândia parecia ter saído da agenda de Trump, porém, voltou na presente reunião de Ancara. Parece incrível que Trump voltou com a mesma truculência. Ora, sabe-se, perfeitamente, que, se Trump propusesse à Dinamarca ampliar a base militar que os EUA já possuem na ilha, não haveria nenhum problema. E os norte-americanos teriam livre trânsito por ali. Porém, Trump vem com sua arrogância de tomar uma área que tem dono e este dono é um parceiro da Otan.


PERMANÊNCIA


Ainda na reunião da Otan, Trump descartou a Espanha. “Eles não participam, não pagam. Eu não quero saber da Espanha. Cortar todo o comércio com a Espanha, inclusive visitas”, declarou ele. Seria um racha na organização se não se soubesse como Trump procede. Pois, ao final do encontro, disse que se mantém como responsável pela unidade europeia e que os EUA querem permanecer na organização e vender armas a ela. Ou seja, aí vem o interesse comercial. Vender armas que serão destinadas à Ucrânia.


IRÃ


Por fim, o Irã, a quem ameaçou voltar a atacar, por considerar que a trégua provisória foi rompida pelo regime dos aiatolás, com ataques a petroleiros no Estreito de Ormuz. E aí ficamos mais uma vez diante daquele quadro que vem se repetindo, em que um dia se fala em acordo e no outro em bombardeio. O fato é que os dois países estão loucos para acabar com esta guerra. Ambos estão só perdendo. O difícil é encontrar uma forma de dourar a pílula, terminando a guerra e fazendo com que cada lado se considere vencedor.


Correio do Povo

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