Mãe de menino de 3 anos morto pelo pai em Viamão é presa; polícia investiga histórico de violência
A Polícia Civil prendeu na tarde desta quinta-feira, 9, a mãe do menino de 3 anos espancado até a morte pelo próprio pai em Viamão. Ela também deve responder pelo crime. O caso, que já mobilizava a rede de proteção à infância, ganhou novos desdobramentos e segue sob investigação.
Segundo a delegada Luana Tamiozzo Medeiros, titular da Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam) de Viamão, o inquérito apura homicídio doloso duplamente qualificado e tortura. A investigação não se limita ao episódio que causou a morte: busca identificar possíveis agressões anteriores contra os outros filhos do casal.
O laudo do Instituto-Geral de Perícias (IGP), que vai apontar oficialmente a causa da morte, ainda não foi concluído. A Polícia Civil também aguarda informações de Conselhos Tutelares de Santa Catarina e São Paulo, estados onde a família já tinha registros envolvendo as crianças.
Casa em área isolada de Águas Claras
A família morava em uma casa simples de madeira, nos fundos de um terreno com máquinas e equipamentos, em Águas Claras, região rural de Viamão. O local é marcado por grandes terrenos, sítios de fim de semana e pouco movimento.
Na manhã desta quinta, roupas infantis ainda estavam estendidas no varal. Moradores relatam que ninguém mais foi visto entrando ou saindo do imóvel desde o dia das agressões.
“Parecia ser uma família tranquila, mas como eram novos por aqui, não tínhamos tanto contato. Só víamos passar na rua”, conta uma empresária da região, que pediu para não ser identificada. “Os moradores estão em choque. É um lugar que, pela tranquilidade, muitos escolhem para morar. Ninguém imaginava uma coisa dessas.”
Apesar de a casa ficar ao lado de uma igreja, vizinhos dizem que a família não tinha vínculo conhecido com a instituição. Circularam informações de que o pai atuaria como missionário, mas a Polícia Civil ainda não confirmou a qual igreja ele estaria ligado.
Passagens por outros estados e rede de proteção
O casal, formado por um norte-americano e uma japonesa, vivia em situação de vulnerabilidade social. Ao chegar em Viamão, procurou espontaneamente os serviços públicos de saúde e assistência.
No início, as equipes identificaram apenas carências econômicas. Depois, manchas no corpo de uma das crianças levaram à formação de uma rede integrada de acompanhamento com saúde, educação, assistência social e Conselho Tutelar.
Durante o trabalho, o município descobriu que a família já havia sido atendida pela rede de proteção de Santa Catarina, onde as crianças chegaram a ficar em acolhimento institucional antes de voltarem aos pais.
Com base nisso, o monitoramento foi intensificado. Segundo relatórios da assistência social, a família participava de reuniões no CRAS e no CREAS, comparecia às atividades escolares e, naquele momento, não havia indícios concretos de violência que justificassem medida mais severa. Vizinhos ouvidos também não relataram agressões.
Agora, a Polícia Civil espera a documentação dos órgãos de Santa Catarina e São Paulo para reconstruir o histórico completo antes da mudança para Viamão. A prefeitura informou que deve abrir sindicância para apurar a atuação da rede de atendimento no caso.

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