MPRS aciona Interpol e diz que “todos falhamos” em caso de menino de 3 anos morto pelo pai em Viamão

 


O Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) detalhou a investigação sobre a morte do menino de 3 anos espancado pelo pai em Viamão. Segundo a subprocuradora-geral de Justiça para Assuntos Institucionais, Alessandra Moura Bastian da Cunha, os outros quatro filhos do casal estão em uma instituição de acolhimento e recebem atendimento.

A mãe da criança foi presa preventivamente na tarde desta quinta-feira, 9, enquanto prestava depoimento na Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA) de Viamão. Ela também é investigada pelo crime.

“O que se apurou no primeiro momento é que essa mãe está sendo presa por, como garantidora da segurança do seu filho, ter se omitido. Para além disso, acabou se verificando na análise dos documentos que já havia referência que ela também agredia os filhos. Esse perfil foi o que fez com que o MPRS concordasse com a prisão preventiva dela”, explicou Alessandra.

Crianças acolhidas e suspeita de agressões anteriores
De acordo com a subprocuradora, o Conselho Tutelar pediu o acolhimento das outras quatro crianças e a Justiça deferiu, já que não há parentes conhecidos no Brasil. “Por serem migrantes”, afirmou.

Três dos quatro filhos apresentam relatos de agressões anteriores. Por isso, foram solicitados prontuários médicos dos hospitais por onde a família passou. “Para que se verifique o tamanho dessa situação”, disse. Ainda é cedo para afirmar se a mãe participou da morte do menino de 3 anos.

Instrumento usado na agressão
A polícia cumpriu mandado de busca e apreensão na casa da família, em Águas Claras, para identificar o objeto usado contra a criança. O pai alegou ter usado apenas os punhos. Mas, segundo Alessandra, o relato médico indica que as lesões “possivelmente não teriam sido causadas apenas com punhos. Precisaria ter sido utilizado um instrumento contundente”.

Investigação internacional
O MPRS pediu colaboração da Interpol. O pai é norte-americano e a mãe nasceu no Japão, mas também tem descendência norte-americana.

“A família vem migrando à medida que existe um cerco a esses abusos”, afirmou a subprocuradora. Ela confirmou que o MP de Santa Catarina já havia enviado informações sobre o grupo à rede de proteção.

Crimes cometidos em outros estados serão investigados pelas autoridades locais, mas o MPRS solicitou antecedentes para entender o histórico. “Já se pediu colaboração da Interpol para saber se esse homem não tinha antecedentes nos Estados Unidos e se já não era procurado por lá.”

A família passou por São Paulo, depois Santa Catarina, e estava há seis meses em Viamão.

Responsabilidade da rede
Sobre possível omissão de agentes públicos, Alessandra disse que ainda é cedo para apontar falhas. “Temos que entender nesse momento que, quando uma criança sofre um homicídio dessa forma, todos nós falhamos como sociedade. Certamente existiram sinais que poderiam ter e deveriam ter sido denunciados. É precoce falar se houve falha, as responsabilidades serão apuradas”, concluiu.

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