O torcedor sem pão, sem circo e sem alegria: a seleção que não voltou

 


Em artigo, o colunista Hiltor Mombach critica a postura da Seleção Brasileira após a eliminação precoce na Copa do Mundo para a Noruega.

Apenas um jogador voltou ao Brasil no voo fretado da CBF: Danilo. O técnico Carlo Ancelotti não acompanhou a delegação. Seguiu para Nova York e depois foi para Vancouver, no Canadá, passar férias com a família.

Para Mombach, o contraste é duro: “O torcedor brasileiro vexado, cabisbaixo, pela eliminação diante da modestíssima Noruega, tendo que pegar dois, três ônibus para ir trabalhar por um salário mínimo, tendo que dar a cara a tapa neste Brasil terceiro-mundista. E os jogadores, despudorados, desavergonhados, nababos, se escondendo em países do primeiro mundo.”

O texto aponta que, se fossem campeões, os atletas voltariam para desfilar em carro aberto, “vangloriando-se das suas próprias qualidades, méritos ou conquistas, jurando, hipocritamente, ter feito isso pelo país, para dar alegria para as pessoas, como se o torcedor, sem pão, enchesse a barriga com circo”.

O colunista cobra vergonha e cumplicidade com a decepção nacional: “Tivessem vergonha, esse sentimento doloroso que aponta algo não feito, uma promessa não cumprida, retornariam todos, jogadores, treinador, comissão técnica, para um cortejo em carro fúnebre.”

Ele conclui que “essa seleção não merece o Brasil que tem” e que “provoca desonra, causa vergonha”. Critica os atletas como “bonifrates, bonecos movidos a cordéis, mandaletes de casas de aposta, patrocinadores internacionais, preocupados apenas com a imagem pessoal, pois esta rende milhões”.

Apesar da crítica, Mombach reconhece a resiliência do torcedor: “A esperança não é a última que morre pois ela não morre nunca. Mesmo traído, o torcedor já projeta um Brasil para 2030. Somos uma nação de masoquistas. Tudo será igual dentro de quatro anos.”

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