Aliados norte-americanos ameaçados

 As bases militares foram instaladas nas monarquias do Golfo com a promessa de proteção, tudo que os EUA não oferecem

Jurandir Soares


A retomada da guerra no Golfo Pérsico deixou claro algo que já ocorrera durante os combates anteriores. Ou seja, enquanto os Estados Unidos bombardeiam o Irã, o troco de Teerã não vai contra o território norte-americano, que está muito longe, mas contra os aliados dos Estados Unidos que estão ali nas vizinhanças.


Basta observar as ocorrências desta semana. Os EUA bombardearam três cidades iranianas, mais uma base militar de Bushehr e uma ferrovia que fica no trajeto por onde estavam levando o aiatolá Ali Khamenei para o sepultamento. E qual foi a reação do Irã? Bombardeios ao Kuwait, Barhein, Catar e até a Jordânia, que parecia estar fora do circuito.


BASES


Acontece que a Jordânia tem o mesmo que as demais monarquias do Golfo, ou seja, base americana. Pouco se fala, mas a Jordânia mantém uma presença significativa de soldados norte-americanos no país. Utilizando principalmente a Base Aérea Muwaffaq Salti, localizada em Azrqa, e o posto avançado conhecido como Torre 22. Essas instalações abrigam aeronaves, equipamentos de defesa antiaérea e milhares de militares para missões de vigilância e operações regionais. Instalações semelhantes existem nos demais países do Golfo Pérsico recém atacados, assim como também na Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, países que também já foram alvo de ataques em ocasiões anteriores. Sendo que o Catar possui a maior base americana.


APOIO


Acontece que os Estados Unidos têm utilizado sua infraestrutura militar nas monarquias do Golfo Pérsico para coordenar, reabastecer e realizar operações de bombardeio contra o território do Irã. Essas ações aconteceram na primeira fase da guerra, assim como nesta semana.


As monarquias tentaram impor restrições diplomáticas para evitar que seus territórios fossem usados como plataformas de ataque direto, com medo de retaliações. No entanto, o Comando Central dos EUA, CentCom, que gerencia as operações as operações a partir de quartéis-generais avançados no Golfo, continuou utilizando a rede regional de aeronaves para as ofensivas. Com o que as monarquias ficam em posição vulnerável.


ATAQUES


Assim a monarquias se tornaram os alvos do Irã. Com o agravante de que as ações de retaliações iranianas não se dão somente contra as instalações militares americanas, mas contra pontos turísticos importantes das monarquias. Dubai, até antes da guerra era o lugar seguro para os ricos expandirem seus negócios e para quem quisesse visitar um país que se transformou numa grande atração turística e paraíso de compras. Segurança absoluta para os turistas, prédios todos climatizados e cortesia no atendimento. No início do conflito, quatro drones iranianos atingiram alguns de seus locais mais emblemáticos, como o moderníssimo aeroporto do emirado.


Outro aeroporto que sofreu profundos danos foi o da cidade do Kuwait. Outra moderníssima instalação que foi parcialmente destruída. Os aeroportos das demais monarquias que não foram atingidos tiveram que fechar ou operar parcialmente, com o medo predominando entre os usuários.


DECLÍNIO


A Arábia Saudita também teve que entrar nessa da restrição de voos, não por ataque a aeroporto, mas a uma de suas principais instalações petrolíferas. Sem contar as dezenas de mísseis balísticos e de cruzeiro, além de drones, lançados contra as bases norte-americanas no seu território.


O curioso é que as bases estadunidenses foram instaladas nas monarquias do Golfo com a promessa de dar-lhes proteção. E, como se pode observar pelo desenrolar da guerra, proteção é tudo que os EUA não estão oferecendo a seus parceiros do Golfo, que eles não chamam de Pérsico, mas de Arábico. E a renda do turismo – que visa substituir a do finito petróleo – sofreu uma queda em torno de 80%.

Correio do Povo

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