Entidades repudiam ocupação de terminal da Cargill no Pará

 Cinco entidades ligadas ao setor portuário e de infraestrutura divulgaram neste domingo (22) uma nota conjunta repudiando a invasão e ocupação do terminal da Cargill em Santarém (PA), realizada por indígenas na madrugada de sábado (21). O documento, assinado por Abiove, Abani, ABTP, Amport e IBP, classificou os atos como “inaceitáveis e incompatíveis com qualquer forma legítima de reivindicação” e pediu o restabelecimento imediato das operações.

Denúncias das entidades

  • Relatos de vandalismo, destruição de equipamentos e ameaças a trabalhadores.

  • Interrupção completa das atividades do terminal, que em 2025 movimentou mais de 5,5 milhões de toneladas de soja e milho.

  • Risco de desabastecimento de combustíveis e gás para transporte público, hospitais e aeroportos.

Posição da Cargill

A empresa confirmou a paralisação e destacou que a prioridade é garantir a segurança de funcionários, manifestantes e da comunidade local.

Reivindicações dos indígenas

O Conselho Indígena Tapajós e Arapiuns (Cita) afirma que a ocupação é resposta à falta de diálogo com o governo federal. O grupo protesta contra o Decreto nº 12.600, assinado em agosto de 2025, que incluiu os rios Madeira, Tocantins e Tapajós no Programa Nacional de Desestatização (PND), permitindo estudos para concessões de navegabilidade e obras de dragagem. Para os indígenas, os rios são “fonte de vida, sustento, memória e identidade”, e não apenas canais de exportação.

Reações institucionais

  • A Faepa também repudiou a ocupação, afirmando que reivindicações devem ser direcionadas ao governo federal e não a empresas privadas.

  • A Justiça Federal em Santarém negou analisar em regime de plantão o pedido da Cargill para retirada imediata dos manifestantes, alegando risco de agravamento do conflito.

  • O MPF contestou notificações de desocupação, apontando irregularidades na forma como foram feitas.

Esse episódio expõe a tensão entre interesses econômicos e reivindicações indígenas na Amazônia, envolvendo questões de infraestrutura, meio ambiente e direitos sociais.

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