“Sinto falta de uma greve”, diz ministro do Trabalho em Porto Alegre, ao defender mobilização por direitos trabalhistas
Luiz Marinho participou de encontro com lideranças sindicais e afirmou que paralisações podem ser necessárias para destravar negociações entre trabalhadores e empresas
O ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho, participou neste sábado, em Porto Alegre, de um encontro com lideranças sindicais e representantes de diversas categorias para discutir o fortalecimento da negociação coletiva e pautas trabalhistas em debate no Congresso Nacional. Entre os temas estiveram o fim da escala 6x1, a redução da jornada de trabalho sem diminuição salarial, os impactos da pejotização e o financiamento das entidades sindicais.
“Sinto falta de uma greve”, disse o ministro ao público presente, ao afirmar que vê a necessidade de mobilizações em alguns setores, para impulsionar negociações entre trabalhadores e empregadores.
Depois, em coletiva de imprensa, Marinho afirmou que, embora o diálogo deva ser sempre a prioridade, há situações em que uma paralisação pode servir para destravar as tratativas. “Eu sinto que vários segmentos estão com o diálogo bloqueado para possibilitar o contrato coletivo. Então está faltando uma grevinha em alguns setores para provocar que o empresário sente à mesa para buscar uma solução. Agora, a solução negociada é sempre o melhor caminho”, afirmou.
O ministro também rebateu críticas de setores empresariais contrários ao fim da escala 6x1, após ser questionado sobre a manifestação de diversas entidades gaúchas que temem o impacto da medida. Segundo ele, argumentos semelhantes foram utilizados em outros momentos da história para contestar avanços trabalhistas, como a criação da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), do 13º salário, das férias remuneradas e das reduções anteriores da jornada semanal.
Marinho argumentou que a atual escala tem provocado adoecimento entre trabalhadores e afirmou que isso gera custos para empresas, para o sistema público de saúde e para a Previdência Social. Como exemplo, citou que “um empresário bolsonarista” teria reduzido faltas e preenchido vagas após testar uma jornada menor.
“ O fim da escala 6 x1, com a redução da jornada para 40 horas semanais, é a grande solução para melhorar o ambiente de trabalho brasileiro, evitando o adoecimento. Além de criar um problema para o trabalhador, o adoecimento cria um problema de custos adicionais para as empresas, para a saúde pública e para a previdência social, que é quem banca o afastamento. Então, na verdade, é uma grande solução que nós temos”, declarou.
O ministro também defendeu o fortalecimento das entidades sindicais. Para ele, a reforma trabalhista enfraqueceu o financiamento dos sindicatos e reduziu sua capacidade de negociação coletiva. Segundo Marinho, uma eventual mudança no modelo de custeio depende de aprovação pelo Congresso Nacional.
O encontro na Capital reuniu representantes de centrais sindicais para discutir os desafios da organização dos trabalhadores diante das mudanças nas relações de trabalho. Entre os temas debatidos estiveram a valorização da negociação coletiva, o combate à pejotização, a redução da jornada sem diminuição salarial e o fortalecimento da representação sindical.
Correio do Povo
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