Segurança pública foi o tema central no quarto bloco do debate para o Senado
Encontro no Instituto Caldeira foi promovido pela Granpal, com cobertura e transmissão do Correio do Povo e Rádio Guaíba
João Streb
O quarto bloco do debate com os pré-candidatos ao senado, promovido pela Granpal (Associação dos Municípios da Região Metropolitana de Porto Alegre) com transmissão do Correio do Povo e Rádio Guaíba, foi de confronto direto, com foco em violência contra a mulher, facções e, novamente, a dívida do Estado com a União.
Com a presença dos oito pré-candidatos que têm representação partidária no congresso, a dinâmica deste bloco era de intervenções diretas entre os debatedores, com tema livre. Cada pré-candidato teve a oportunidade de escolher um adversário para responder uma pergunta, realizar uma réplica partindo da resposta, além da realização da tréplica. O tempo para as perguntas era de 30 segundos, com resposta e réplica de um minuto e meio, com 30 segundos de tréplica.
O primeiro embate foi entre os pré-candidatos de esquerda, Paulo Pimenta (PT) e Manuela D’ávila (Psol), ambos apoiadores do bloco de Juliana Brizola (PDT) na pré-candidatura ao governo do Estado.
Pimenta começou em tom conciliador, fazendo alusão a ações do período pós-enchente, enaltecendo ações do governo federal. Na resposta, a Psolista seguiu de forma semelhante, mas indagou que “precisamos olhar aquilo que faltou”, focando nos desafios nos primeiros passos da reconstrução.
Na tréplica, Pimenta comentou sobre o auxílio emergencial na retomada inicial do Estado.
O ex-governador do RS e pré-candidato do bloco de Gabriel Souza (MDB), Germano Rigotto, indagou o Ubiratan Sanderson (PL), do bloco do Luciano Zucco (PL), sobre a importância que terá esse mandato do senado.
Sanderson comentou sobre o período de atuação como deputado federal e utilizou o papel fiscalizador do senado, criticando os envolvidos no caso de corrupção do Banco Master. Na réplica, Rigotto frisou que o Estado não tem condições de retomar o pagamento da dívida em 2027, além de alguns pontos vistos como excessos no Supremo Tribunal Federal (STF) e no Congresso.
Sanderson utilizou a tréplica para ressaltar que não existem desavenças diretas entre candidatos, mas que a população precisa cuidar das diferenças de projeto entre eles e visão de mundo.
O deputado Frederico Antunes (PSD), que também é pré-candidato pelo bloco de Gabriel Souza, questionou Rigotto sobre quais seriam os dois grandes temas que o adversário deveria agir no senado.
Na resposta, Rigotto criticou a radicalização, que dificulta negociação de temas importantes. Entre os assuntos, o ex-governador escolheu a repactuação da dívida e a crise climática, destacando a necessidade de financiamento e integração entre as entidades federativas.
Antunes destacou a faixa de fronteira e as tributações vigentes como dificultadoras de crescimento para o RS, especialmente se comparado a outros estados, além das dificuldades enfrentadas por pequenos empreendedores. Rigotto utilizou a tréplica para reforçar os pontos trazidos por Antunes.
Marcel Van Hattem (Novo), do bloco do Luciano Zucco (PL), questionou Milton Cardoso (PSDB) sobre combate à corrupção. Cardoso, que é do bloco de Marcelo Maranata (PSDB), exaltou que uma das formas de lidar com essas questões seria retirar a esquerda do poder, emendando um questionamento sobre o crime organizados e facções, aliado a não assinatura do Brasil da Declaração de Coalizão "Escudo das Américas" dos Estados Unidos, que foi proposta em março de 2026.
Van Hattem comentou que caberia a eles, na posição de senadores, tipificar as facções criminosas como terroristas. Ainda dentro da tréplica, o parlamentar do Novo falou sobre os indicadores de feminicídios, questionando a impunidade de feminicidas que tinham histórico criminoso, mas não estavam presos. Fechou o comentário defendendo redução da maioridade penal de forma ampla e castração química para crimes sexuais.
No momento com mais troca de farpas do bloco, Milton Cardoso questionou Paulo Pimenta se ele realizaria o impeachment dos ministros Dias Toffoli, Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, todos membros do STF.
Na réplica, o petista comentou novamente sobre o caso do Banco Master, indagando sobre os valores recebidos para o filme Dark Horse, que faz alusão a trajetória de Jair Bolsonaro.
Na resposta, Milton Cardoso emendou: “Estou entrando na política para implodir esse sistema”. Criticou de forma contundente os membros do PT e, especialmente, o presidente Lula. Na réplica, Pimenta rebateu as críticas de Cardoso de forma direta: “Tu não vai entrar para política, esse teu discurso não vai colar”.
A Psolista Manuela questionou Frederico Antunes sobre propostas de enfrentamento ao feminicídio. O líder do governo na Assembleia Legislativa do RS (ALRS) ressaltou os projetos da gestão de Eduardo Leite (PSD), incluindo a criação da Secretaria da Mulher e os investimentos em segurança pública, com a perspectiva de cortar os casos antes que cheguem ao ponto de feminicídio. O pré-candidato comentou que as orientações não devem se limitar às escolas. “Cada núcleo precisa ter uma orientação que vale sobre os limites”, apontou.
Manuela rebateu de forma incisiva, comentando que “Quem protege mulheres, no fim, somos nós mulheres”. Além da educação, Manuela reforçou a importância de criminalizar a misoginia, comparando com o crime de racismo, e do auxílio financeiro para que mulheres não se mantenham em ambientes nocivos.
Antunes seguiu na mesma linha, falando sobre oportunidades de emancipação para mulheres na comunidade.
Renato Jaguarão (Cidadania), do bloco de Marcelo Maranata, questionou Van Hattem sobre privilégios políticos, que falou da economia no próprio mandato, ressaltando que não foi impeditivo nas funções. Ainda usando o espaço da primeira resposta, criticou algumas decisões do STF, as quais classificou como monocráticas.
Jaguarão direcionou críticas ao judiciário, focando no excesso de despesas, além de reforçar que participou da implementação da Lei 15.678/2021, que extingue as pensões vitalícias de ex-governadores.
Na réplica, Van Hattem renovou as ponderações sobre o STF, fazendo alusão ao caso do Banco Master, pedindo impeachment dos ministros.
O deputado Ubiratan Sanderson fechou o debate questionando Renato Jaguarão combate às facções e segurança pública. O pré-candidato do Cidadania citou várias comunidades de Porto Alegre e como as facções dominam essas regiões. Aproveitou o espaço para rebater a alfinetada de Pimenta, indagando que “eleição tu sabe começa, mas não sabe como termina”.
Sanderson criticou que não há um alcance grande da gestão de segurança pública no município, desejando elevar as Guardas Civis Municipais (GCM) como força policial.
Como última participação, Jaguarão demonstrou preocupação com a chegada das facções em municípios do interior.
Correio do Povo

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