Pré-candidatos ao Senado confrontam ideias em debate da Granpal
Oito concorrentes participaram nesta sexta-feira, 26, de evento com transmissão ao vivo da Rádio Guaíba e do Correio do Povo
O generoso tempo do primeiro debate entre oito dos pré-candidatos ao Senado pelo RS, promovido nesta sexta-feira, 26, pela Associação dos Municípios da Região Metropolitana de Porto Alegre (Granpal), não garantiu detalhamento de propostas ou foco nas demandas da região que concentra 40% da população do Estado. Mas deixou claro que há grandes diferenças no grau de preparação que os postulantes apresentam na corrida até o momento. Que parte deles confunde atribuições do Legislativo e do Executivo. E que alguns desconhecem, ou preferem não tratar, dos movimentos que de fato senadores podem fazer para atender às necessidades do RS.
O evento reuniu os pré-candidatos Frederico Antunes (PSD), Germano Rigotto (MDB), Manuela D’Ávila (PSol), Marcel van Hattem (Novo), Milton Cardoso (PSDB), Paulo Pimenta (PT), Renato Jaguarão (Cidadania) e Ubiratan Sanderson (PL). Durante quase três horas, divididas em cinco blocos, eles falaram no Instituto Caldeira, com transmissão ao vivo da Rádio Guaíba e do Correio do Povo, respondendo a perguntas da Granpal e de entidades da sociedade civil, ou trocando questionamentos entre si.
Mesmo que quase todos os participantes carregassem pastas repletas de papeis e as consultassem em cada ocasião que um questionamento começava a ser formulado, as falas com proposições e alternativas concretas para os problemas especificados nas perguntas, que abordaram desde áreas básicas, como educação e segurança, até a preparação do RS para as mudanças climáticas, foram esparsas e ficaram restritas a parte dos pré-candidatos.
Não raro, ao invés de responderem às questões colocadas, eles apresentaram roteiros prontos, recheados de frases de efeito, e formatados ou com pontos que suas equipes já identificaram como centrais nas próprias pré-campanhas, ou com críticas ora ao governo federal, ora ao estadual, sendo a maior parte delas endereçadas ao primeiro.
A estratégia é conhecida entre marqueteiros políticos por servir bem para cortes nas redes sociais e repetir discursos direcionados a nichos do eleitorado. Mas, em um debate, bloqueia o objetivo central do confronto de ideias. O mesmo ocorre com outra tática da qual lançaram mão alguns dos pré-candidatos: a de escolher para as interações os próprios companheiros de chapa, ao invés dos concorrentes. O método, conhecido em debates, é usado para a troca de elogios e o reforço das próprias argumentações.
A falta de sintonia entre perguntas e respostas, ou a tática de cada um dizer o que bem entendesse nas interações, ignorando os temas para discussão, chegou a gerar desconforto em parte dos adversários. Fez com que três dos pré-candidatos lembrassem que estavam ali para debater. E que dois deles fizessem rápidos comentários fora dos microfones.
As sinalizações não foram suficientes para conter a profusão de citações a questões externas ao trabalho dos senadores, as referências a fatos do passado sem conexão com as vagas em disputa, ou os exageros em relação aos próprios currículos. Nem a tietagem entre alguns dos participantes, com frases como “votei no senhor em duas eleições” ou “não tenho dúvida que farás um ótimo trabalho no Senado”, trocadas entre integrantes de chapas adversárias. No pleito deste ano, os eleitores gaúchos vão escolher dois senadores.
Correio do Povo
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