Ex-secretária do Bem-Estar animal de Canoas é indiciada por maus-tratos
Inquérito foi remetido na quarta-feira à Justiça. Além da ex-secretária, foram indiciados mais três pessoas, uma delas uma policial civil
A 3ª DP de Canoas, na Região Metropolitana, indiciou quatro pessoas no contexto da Operação Carrasco. A investigação, que foi dividida em duas fases, apurou o crime de maus-tratos a animais e um esquema de estelionato por meio de campanhas de arrecadação em redes sociais para supostos tratamentos de animais doentes, entre outros crimes. O processo foi remetido à Justiça na quarta-feira. Um veterinário, que chegou a ser detido, não foi responsabilizado.
A protetora de animais e ex-secretária de Bem-Estar Animal de Canoas Paula Lopes foi indiciada por maus-tratos, estelionato, associação criminosa e violação de sigilo funcional. De acordo com a delegada Luciane Bertoletti, a investigada "transformou a atividade de resgate de animais em uma fonte de lucro, arrecadando dinheiro com casos de animais extremamente feridos nas redes sociais".
Também foram indiciados o marido de Paula, Marcelo Vieira, por associação criminosa, e a veterinária Tainara Harth, por maus-tratos e associação criminosa. Os dois já haviam sido indiciados anteriormente, na primeira fase da ação.
A policial civil Mari da Cunha Menezes, lotada no Cartório dos Animais da 15ª DP, também foi indiciada nesta segunda fase por violação de sigilo funcional. Ela teria realizado pesquisas de dados sigilosos para Paula e, ainda, auxiliado a retirar a guarda de animais com laudos falsos, de acordo com a delegada Luciane Bertoletti.
A prova contra a policial civil, de acordo com a delegada, é um áudio trocado com Paula. Na gravação, obtida a partir da extração de dados celulares na primeira fase da ação, Mari teria orientado como poderia ser produzido um exame laboratorial para justificar a retirada de um animal de seu tutor. "Tira o sangue de um bicho que tá mal, leva para um laboratório e aí, com o nome dele, apresenta esse exame lá. Não te disse isso, nunca", declarou Mari no áudio obtido pela Polícia. Apenas Paula Lopes permanece presa preventivamente, na Penitenciária Feminina de Guaíba.
Correio do Povo
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