Superego de Trump rateia
Recente episódio envolvendo a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni aguça questionamentos nos EUA sobre a saúde mental do presidente norte-americano
Jurandir Soares
O recente episódio envolvendo Donald Trump e a primeira-ministra italiana Giorgia Meloni vem aguçar um questionamento que vem se incrementando nos Estados Unidos e que diz respeito à saúde mental do presidente norte-americano. O recente encontro do G7, na França, teve como um de seus resultados uma magoada queixa da dirigente italiana, pelo fato de Trump ter dito que ela “implorou” para tirar uma foto com ele. “Ela queria muito tirar uma foto comigo”, disse aos jornalistas o “modesto” presidente dos EUA. Trump ainda disse que Meloni parecia feliz “por eu falar com ela” e que “eu não tinha por que falar com ela”.
Ou seja, deixava explícito que, porque ele, senhor do mundo, teria razões para conversar com ela, como se a premiê fosse uma reles ditadora de alguma republiqueta dos confins do planeta, e não a chefe de governo de um dos membros do grupo dos sete países mais ricos do mundo.
SOMATÓRIO
O detalhe é que este episódio de ego inflado de Trump não é um fato isolado. É apenas mais um que vem se somar às declarações fora de contexto que tem feito desde que assumiu seu segundo mandato. Senão, vejamos. Antes mesmo de assumir, disse que tão pronto tomasse posse iria acabar com a guerra na Ucrânia. E mais, uma guerra que não teria ocorrido se ele estivesse na presidência. Trump chegou a estender tapete vermelho para o russo Vladimir Putin, porém a guerra segue até hoje.
Depois que assumiu vieram agressões verbais a nações amigas, considerando-as como se fossem seu fundo de quintal. Começou pelo Canadá, parceiro dos EUA na Otan e no Acordo de Livre Comércio da América do Norte. Dizendo que queria anexar o país como 51° estado dos Estados Unidos. O que Trump conseguiu foi revoltar a população canadense e ajudar a reeleger o partido do primeiro-ministro Justin Trudeau, que estava por perder a eleição.
GROENLÂNDIA
Já a atitude que teve com relação à Groenlândia foi não só de arrogância, mas de estupidez. A arrogância ficou no fato de dizer que iria tomar um território que é possessão de outro país aliado e membro da Otan, a Dinamarca. País exemplo de bem-estar da população. A estupidez está no fato de dizer que precisava da ilha por questão de segurança, devido ao aumento da navegação pelo Ártico. Numa referência indireta aos navios russos e chineses que passaram a transitar por ali.
Ora, os Estados Unidos já possuem, de longa data, uma base militar na Groenlândia. Salta aos olhos de qualquer observador que era uma questão de apenas conversar com os parceiros, mostrando-lhes a importância da iniciativa. É evidente que não haveria nenhuma resistência. Assim, o que Trump conseguiu foi, diante de suas ameaças de invasão, fazer com que a Europa mobilizasse uma força militar para a ilha, a fim de protegê-la. Sabiam os europeus que não teriam capacidade militar de enfrentar os norte-americanos, mas defenderiam sua honra diante do estúpido agressor.
GUERRA
Trump acabou sendo atraído por seu amigo Benjamin Netanyahu para uma guerra cujas consequências não dimensionou. Mas que serviu para mostrar seus erros estratégicos ou falta de assessoria de inteligência, além da falta de coerência. Por 39 vezes disse, em um dia, que estava próximo de um acordo com o Irã e, no outro, que iria voltar a bombardear o país inimigo. Mas é preciso ressaltar outra de suas declarações totalmente fora de propósito: “Vamos exterminar uma civilização”. Referindo-se, logicamente, à milenar civilização persa que habita o Irã, o que falou no início da guerra. Mais uma declaração que parte de uma mente cuja sanidade vem sendo questionada.
E este questionamento, que não é de hoje, vem sendo feito por um coletivo de psiquiatras, neurologistas, psicólogos e especialistas em saúde pública de universidades renomadas como Harvard, Columbia e George Washington. Já em 2024, publicaram no The New York Times um texto que dizia que o então candidato mostrava sintomas de “um transtorno de personalidade grave e intratável: o narcisismo maligno”. Isto porque, naquela ocasião, ainda não haviam ocorrido os episódios referidos nesta coluna.
Correio do Povo
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