“Atos do Brasil oneram comércio dos EUA”, diz Rubio em carta a Flávio Bolsonaro

 Secretário de Estado americano fala sobre tarifas de 25% contra produtos brasileiros e lista pontos de discórdia

A carta de Rubio foi endereçada ao gabinete do senador Flávio Bolsonaro e data da última terça-feira Foto : Eric Lee / POOL / AFP / CP

O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, respondeu ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) com uma correspondência oficial sobre a proposta de tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. Um dia após o anúncio da medida, Flávio, que é pré-candidato ao Palácio do Planalto, disse ter mandado uma carta pedindo ao secretário que os EUA desistissem das taxas.


O novo tarifaço foi proposto com a conclusão de uma investigação americana sobre práticas comerciais do Brasil conduzida pelo Escritório Comercial americano. Antes da adoção da ação, foram abertas consulta e audiência públicas sobre o tema, em que Flávio se inscreveu para participar.


A carta de Rubio foi endereçada ao gabinete do senador e data da última terça-feira. "Como o senhor observou, o embaixador Jamieson Greer, representante comercial dos Estados Unidos, anunciou em 1.º de junho de 2026 sua conclusão de que certos atos, políticas e práticas do Brasil são irrazoáveis ou discriminatórios e oneram ou restringem o comércio dos EUA", afirmou o secretário, reforçando que a investigação foi "determinação específica" de Donald Trump.

O chefe da diplomacia americana apontou "diferenças substanciais" no entendimento das duas nações sobre setores considerados estratégicos. Ele menciona taxas sobre o comércio digital; práticas de pagamentos eletrônicos (referindo-se ao Pix); tratamento tarifário preferencial abusivo; medidas anticorrupção; proteção da propriedade intelectual; acesso ao mercado de etanol; e desmatamento ilegal. O secretário disse que os EUA querem ver um Brasil "próspero, seguro e economicamente estável".


Audiência

Na terça-feira, Flávio anunciou que se inscreveu para "defender o Brasil" e participar da audiência pública sobre a proposta de tarifa, marcada para 6 de julho. Como mostrou o Estadão, o governo Lula não enviará representante por entender que o encontro será feito para ouvir entidades que seriam afetadas pelas novas tarifas, como empresas.


A atuação do governo brasileiro está sendo feita no grupo de trabalho criado após a reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e Trump na Casa Branca, em maio.


Estadão Conteúdo e Correio do Povo

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