Sobe para 235 o número de mortos por terremotos na Venezuela

 Milhares de pessoas seguem desaparecidas após desastre natural na região de La Guaira

Cenas de destruição indicam catástrofe humanitária Foto : Federico Parra / AFP / CP

Pelo menos 235 pessoas morreram nos dois terremotos que atingiram a Venezuela na quarta-feira, segundo um novo balanço divulgado pelo ministro da Saúde, Carlos Alvarado, nesta quinta. Entre as vítimas estariam dois brasileiros. "Infelizmente, recebemos 235 pacientes que chegaram sem sinais vitais ou que morreram em nossos estabelecimentos de saúde", disse Alvarado nesta quinta-feira à TV estatal.


O Exército dos Estados Unidos anunciou o envio de dois navios de guerra, além de aviões de transporte e helicópteros, para ajudar a Venezuela após os terremotos. "Essas forças vão oferecer serviços especializados de mobilidade e apoio ao pessoal do governo americano" na Venezuela, informou o Comando Sul no X. O presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, também anunciou o envio de uma missão brasileira de apoio.


Venezuelanos escavavam os escombros de edifícios que desabaram em uma tentativa de resgatar familiares. Pessoas correram em pânico após os tremores de magnitudes 7,2 e 7,5 que atingiram, na véspera, o norte do país com menos de um minuto de intervalo.


A região mais castigada foi La Guaira, cidade costeira vizinha de Caracas e onde fica o principal aeroporto do país, que permanece interditado devido ao terremoto. "Foi terrível, foi terrível. Tudo, tudo desabou", disse à AFP Yilsmaris Blanco, diante de um prédio rachado. "É algo que não desejo a ninguém."


Os trabalhos de resgate avançavam lentamente, e ainda havia corpos visíveis sob os escombros. Moradores ouviram durante horas três pessoas soterradas. Suas famílias tentavam retirá-las, mas era impossível mover as placas de concreto com as ferramentas improvisadas que possuíam. Em outra área, moradores relataram que ouviram uma menina presa sob os escombros chorar por horas. Ela morreu pouco depois.


A presidente Delcy Rodríguez, que assumiu o poder de forma interina após a captura de Nicolás Maduro pelos Estados Unidos, visitou nesta quinta-feira La Guaira, onde a AFP constatou a ocorrência de saques, e declarou a região como "zona de desastre".


Nas redes sociais, multiplicaram-se os pedidos de informações sobre desaparecidos, muitos deles em La Guaira. Pessoas consultavam listas divulgadas pelos hospitais públicos com os nomes dos feridos. "Minha casa desabou completamente, perdi familiares, minha sogra morreu, minha filha está desaparecida, não consigo encontrá-la", declarou em La Guaira Jean Alexander Capote, 48 anos, diante de um edifício de mais de 15 andares que perdeu várias paredes durante os tremores.


Perto dali, homens e mulheres saíam de um estabelecimento comercial saqueado carregando sacolas cheias de produtos. O primeiro terremoto ocorreu às 18h04 locais, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS). Quase um minuto depois, ocorreu o segundo, de magnitude 7,5, o mais forte a atingir a Venezuela desde 1900.


AFP e Correio do Povo

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