Baby do Brasil na tela e na fala em Ouro Preto

 “Apocalipse Segundo Baby” é o documentário que trata da artista, e que ganha a tela da 21ª CineOP

Baby do Brasil em debate na 21ª CineOP Foto : Marcos Santuário / CP


Baby do Brasil sempre pertenceu ao grupo dos artistas que preferem atravessar as certezas. Nunca se acomodou em rótulos, nunca pareceu interessada em corresponder às expectativas de ninguém. É justamente essa inquietação permanente que transforma “Apocalipse Segundo Baby” exibido na noite deste sábado na 21ª CineOP, em algo muito maior do que um documentário biográfico. O filme é uma viagem por uma personalidade que fez da metamorfose um modo de existir.


No encontro com a imprensa realizado na tarde deste sábado, Baby apareceu intensa, generosa, espirituosa e absolutamente à vontade para revisitar a própria história. Exatamente como sua trajetória sempre sugeriu. Disse estar muito feliz com o resultado do filme e fez questão de destacar a sensibilidade do diretor Rafael Saar. Segundo ela, o grande mérito da obra está justamente em não tentar enquadrá-la ou julgá-la. Ao contrário. Saar opta por revelar aquilo que existe de mais íntimo na personagem, permitindo que as contradições convivam naturalmente com a liberdade que sempre marcou sua caminhada.

"É uma bênção revisitar meus caminhos e me ver cada vez melhor", resumiu a artista, numa frase que sintetiza o espírito do documentário. Não há nostalgia. Há movimento. Baby nunca olha para trás para lamentar, mas sim para compreender.


Também chamou atenção sua defesa apaixonada da experiência coletiva do cinema. Disse que adora ver filmes na sala de exibição e declarou seu carinho pelo chamado cinema de rua, justamente num momento em que festivais como a CineOP reafirmam a importância da tela grande como espaço de encontro, reflexão e memória.


Essa relação entre memória e reinvenção estrutura todo o longa. Produzido pela Dilúvio Produções em parceria com o Canal Brasil, o documentário acompanha Baby por lugares decisivos de sua trajetória, como Salvador, Niterói e Santiago de Compostela. Cada cidade funciona menos como cenário e mais como estado de espírito. São paisagens que despertam lembranças da infância, da fuga para a Bahia ainda adolescente, da explosão criativa vivida ao lado dos Novos Baianos, da carreira solo e de uma busca espiritual que atravessa praticamente toda sua vida.


Seria impossível contar a história da música brasileira sem dedicar um capítulo inteiro a Baby do Brasil. Primeiro como voz, compositora e presença magnética dos Novos Baianos, grupo que ajudou a redefinir os limites entre samba, rock, MPB e cultura popular nos anos 1970. Depois, em carreira solo, construindo uma identidade absolutamente singular, capaz de misturar pop, ritmos brasileiros, experiências místicas, ousadia estética e uma permanente recusa ao previsível.


Poucos artistas brasileiros mudaram tantas vezes de pele sem perder a própria essência. Baby foi musa da contracultura, revolucionou figurinos, linguagem, comportamento e nunca deixou de provocar debates, muitas vezes desconfortáveis, sobre arte, fé, liberdade e transformação.


É justamente aí que o filme de Rafael Saar encontra sua força. Em vez de recorrer ao formato convencional, povoado por especialistas e depoimentos ilustrativos, escolhe acompanhar Baby em sua própria jornada de autorreflexão. O diretor, que já realizou documentários sobre Ney Matogrosso, Luhli & Lucina, Maria Alcina e Luís Capucho, aposta numa narrativa que prefere perguntas a respostas definitivas. Como ele próprio define, trata-se de investigar uma artista que o Los Angeles Times descreveu como alguém que possui "o fogo e a fúria de uma Janis Joplin latina".


Talvez nem essa definição seja suficiente.


Porque Baby nunca coube em comparações. Ela continua sendo um acontecimento artístico em permanente construção. E é exatamente isso que “Apocalipse Segundo Baby” oferece ao público da CineOP, um convite para acompanhar quem ela continua escolhendo ser.

Correio do Povo

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Vídeo - Smart TV TCL 115" 4K UHD QLED Mini LED – Modelo 115C7K (2025)

Smartphone Samsung Galaxy Z Flip4 128GB Azul - 5G Octa-Core 8GB RAM Câm. Dupla + Selfie 10MP

Smart TV TCL 115" 4K UHD QLED Mini LED – Modelo 115C7K (2025)