Hora das reconstruções

 Começa um processo que deve impulsionar a recuperação do país, mas que não deve envolver somente a infraestrutura civil, mas também a democrática

Jurandir Soares

A Venezuela ainda está contando seus mortos e tentando tirar gente dos escombros. Tarefa que vai longe. E o número de vítimas ainda está longe de ser precisado. Felizmente, há uma mobilização internacional pela ajuda. Aviões com mantimentos, medicamentos e socorristas têm chegado ao país, vindos das mais diversas partes do mundo. Inclusive do Brasil.


Começa um processo que deve impulsionar a reconstrução do país, mas que não deve envolver somente a infraestrutura civil, mas também a democrática. A Venezuela está numa espécie de limbo desde 3 de janeiro, quando, por ordem de Donald Trump, as forças norte-americanas arrancaram Nicolás Maduro do poder.


SUCESSÃO


Desde então, a vice Delcy Rodriguez assumiu o governo e vinha contornando os entraves políticos, próprios de uma ditadura. Porém, ditadura ou democracia, o fato é que agora o país está diante de uma catástrofe que exige união de todas as forças políticas. Assim como ajuda de todas as nações, independentemente do sistema de governo em vigor.


Desde o século passado, o mundo enfrentou catástrofes de proporções épicas, incluindo terremotos, tsunamis e desastres industriais. A recuperação de cada país revela padrões distintos: enquanto nações desenvolvidas reconstruíram rapidamente com tecnologia avançada, as de baixa renda ainda lutam para superar cicatrizes socioeconômicas profundas. A Venezuela, que já foi uma potência regional, em função de suas altas reservas de petróleo, hoje tornou-se uma nação paupérrima, devido à péssima administração do sistema introduzido, em 1990, por Hugo Chávez, sob o nome de “Socialismo do Século 21”.


DESAFIO


Se Delcy Rodriguez já tinha o desafio de governar um país dividido politicamente, agora precisa agir não só diante dessa fratura, mas também em meio ao caos gerado pelos terremotos. Nenhuma tragédia, no entanto, foi maior do que a desencadeada pela Segunda Guerra Mundial, responsável por 60 milhões a 75 milhões de mortos, entre civis e militares. Em alguns países, como a Alemanha nazista, houve destruição total.


E aí veio a mão estendida dos Estados Unidos, democráticos, com o Plano Marshall para a reconstrução. Primeiro, teve de aceitar a divisão da Alemanha com a Rússia. Ajudou substancialmente na recuperação da então Alemanha Ocidental, que introduziu a democracia e tornou-se uma potência econômica. Tão potência a ponto de, mais tarde, absorver e tornar democrática e desenvolvida a então comunista parte oriental.


MOMENTO


Pois este é o momento dos Estados Unidos na Venezuela, especialmente depois de sua intervenção de janeiro último. Sua missão agora é dar todo o suporte material possível para a reconstrução do país e, ao mesmo tempo, agir nos bastidores políticos para que a democracia seja restabelecida.


Este compromisso aumenta para o governo Trump na medida em que apeou Nicolás Maduro do poder, colocou uma preposta, Delcy Rodriguez, para governar e pôs a mão no que há de mais valioso economicamente no país: o petróleo. Trump já proporcionou a volta ao país das grandes petroleiras e precisa fazê-las dar a sua contrapartida neste momento de busca de recuperação.


TAREFA


É claro que, neste momento, os venezuelanos estão em meio à dor e à busca pelos desaparecidos. Momentos de muita dor e consternação, porém momentos também de pensar no futuro e agir para ir recolocando o país nos trilhos, em todos os sentidos. Afinal, para a reconstrução há unanimidade. Já para a volta da democracia é diferente. Porém, está mais do que na hora de não só os Estados Unidos, mas todos os países que estão dando ajuda contribuírem para a Venezuela voltar a ser a potência que foi antes da ascensão desse regime que fez com que cerca de 8 milhões de pessoas deixassem o país em busca de sobrevivência.

Correio do Povo

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