Sábado de bom público marca Acampamento Farroupilha no Parque Harmonia

 


Após primeira semana com movimento moderado, evento ganha força com temperatura amena e expectativa de ainda mais visitantes após o fim da Expointer.

Se na primeira semana de Acampamento Farroupilha o público foi entre o pequeno e o razoável, a manhã deste sábado provou que aqueles que aguardavam uma maior presença de visitantes a partir deste final de semana estavam corretos. Em uma manhã nublada, mas com temperatura agradável variando entre 10,4ºC e 16,9ºC, de acordo com as estações verificadas pelo Climapoa, um grande número de pessoas passeou pelas ruas do Parque Harmonia no final da manhã.

Além de conhecer a tradição gaúcha, os visitantes do acampamento têm a oportunidade de conhecer os principais pratos da culinária do Estado, podem acompanhar shows e receber a hospitalidade que é marca dos gaúchos. Outra atração é um parque melhor organizado e bastante evoluído em relação aos anos passados.

"O acampamento está muito bom. O parque está cheio e bem organizado. Terminando a Expointer, o pessoal migra para o Harmonia. Hoje já dá para notar o aumento de público", afirmou o patrão do Piquete Três Irmãos, Márcio de Souza Mullemaister. "A empresa que tem a concessão do parque tem ajudado bastante os acampados. Assim como a Associação dos Acampados que trabalha o tempo todo para ajudar os piquetes. O acampamento está bem estruturado e bem organizado. Cada ano está melhor o evento. Esse ano de novo."

O Três Irmãos foi fundado em 2010 por Márcio, Marcelo e Tatiana, mas desde a década de 90 eles frequentam o Acampamento Farroupilha. Anteriormente, eles participavam de piquetes de amigos.

A estrutura recebia um bom público no final da manhã de sábado. Uma bandeira do Corpo de Bombeiros Militares do RS foi colocada na fachada do piquete, já que Márcio e outros envolvidos na organização trabalham no órgão de segurança do Estado. O espaço tem sete churrasqueiras e aceita que visitantes façam churrasco no local, desde que agendado com antecedência.

"Temos uma agenda que marcamos para grandes grupos. Mas os amigos, familiares, colegas do quartel dos bombeiros vêm em massa para cá também. O ambiente está muito bom. Quem quiser aproveitar tem que marcar", concluiu.

Luís Antônio Soussa e Jaqueline Ulian, de Porto Alegre, aproveitaram a manhã de sábado para visitar o acampamento junto do cão de estimação. Eles gostaram da organização do parque e comemoraram a ampliação dos espaços e atrações.

"O acampamento está muito bacana e ainda bem que não choveu. Estou gostando muito, mas é uma pena que o calçamento não foi feito em todas as partes, o que deixaria ainda melhor", destacou Soussa. "Eu concordo, mas estou gostando bastante. E parece que está maior do que no ano passado. Está muito bom", comemorou Jaqueline.

Como esperado por muitos piquetes e atrações, o fim da Expointer no domingo deve aumentar bastante a presença de público pelos corredores do acampamento e nos espaços comerciais. Como a segunda-feira é feriado de 7 de setembro, Dia da Independência, a tendência é de grande número de visitantes.



Projeto Terra Gaúcha coloca turismo rural em evidência



Iniciativa do Sebrae-RS e Senar-RS valoriza identidade, gastronomia e cultura e deve selecionar 50 propriedades.

Em meio aos festejos da Semana Farroupilha, um projeto foi lançado para valorizar empreendimentos gaúchos que trabalham com o que temos de mais expressivo: nossa identidade, gastronomia e cultura. A Coleção Terra Gaúcha – Turismo e Gastronomia de Origem, lançada durante a Expointer pelo Sebrae-RS e pelo Senar-RS, com apoio do Governo do Estado, quer colocar no mapa experiências rurais que têm algo que o turismo procura cada vez mais: autenticidade.

Basta percorrer o interior do Rio Grande do Sul para encontrar propriedades onde a experiência começa muito antes do visitante sentar-se à mesa. Está na paisagem, na história das famílias, nos aromas da cozinha e nos ingredientes que carregam a identidade de cada território.

A proposta é selecionar, por meio de edital, até 50 propriedades e empreendimentos rurais que já oferecem experiências turísticas ou apresentam potencial para desenvolvê-las. O selo Terra Gaúcha será a identificação da coleção, enquanto Sebrae-RS e Senar-RS atuarão na qualificação dos empreendedores, com capacitações em gestão, atendimento, posicionamento e organização da atividade turística.

Para Ariel Berti, diretor técnico do Sebrae-RS, é hora de mostrar para o Brasil e para o mundo o que o Estado tem de melhor. Durante muito tempo, tratamos nossas características culturais como algo tão natural que esquecemos que elas também são diferenciais turísticos potentes.

O churrasco, o vinho, os queijos, os produtos coloniais, os doces, a agricultura familiar, as histórias de imigração e as diferentes paisagens não precisam ser apenas parte da rotina. Podem ser experiências de viagem.

O orgulho de ser gaúcho também pode estar na mesa: no ingrediente produzido aqui, no produtor que preserva um modo de fazer, na receita que atravessa gerações e na propriedade que abre suas portas para compartilhar sua história.

Novidades saborosas

Considerado um dos melhores restaurantes do Brasil, o Benjamin Osteria Moderna, em Porto Alegre, comemora três anos com nova fase. A cozinha agora é comandada pela chef Laura Portela. O cardápio de inverno traz a nova seção Classici (como amatriciana e Cacio e Pepe), entradas como a whipped stracciatella e massas como o mezzo rigatoni com camarões e açafrão. Nas proteínas, o wagyu ganha versão com gnocchi de moranga. Sobremesas autorais e Jazz Nights completam a experiência.

Cultura missioneira em destaque

Porto Alegre recebe, até 20 de setembro, a 7ª edição do Piquete El Topador, que transforma o Rancho Tabacaray em espaço de celebração da cultura missioneira. Em 2026, nos 400 anos do início das Missões Jesuíticas Guaranis, o projeto amplia o olhar para o legado dos povos indígenas. A programação reúne música, gastronomia, fotografia, artesanato, poesia e dança.

Sabores do Pampa

A Fronteira da Paz recebe lançamento neste domingo, dia 6. A Vinícola Almadén, em Santana do Livramento, estreia o Sabores do Pampa, experiência que une vinho, fogo e gastronomia. A programação segue nos dias 13, 20 e 27 de setembro, com almoços de fogo de chão e parrilla. A Almadén mantém no Pampa um vinhedo de 450 hectares, implantado na década de 1970, considerado o maior e mais antigo de vitis vinifera do Brasil.




Em visita à Expointer, Caiado aposta em rádio e TV para crescer nas pesquisas



Candidato à Presidência cumpriu agenda neste sábado no Rio Grande do Sul e defendeu manutenção do Funrigs.

Ronaldo Caiado (PSD), candidato à Presidência da República, cumpriu agenda na 49ª Expointer neste sábado. O ex-governador de Goiás chegou à feira, cumprimentou visitantes e se deslocou para a Casa da Organização das Cooperativas do Estado do Rio Grande do Sul (Sistema Ocergs).

Ao ser questionado se ainda tem esperança de chegar ao segundo turno, mesmo com o crescimento de Augusto Cury (Avante) nas pesquisas, Caiado deposita esperança no horário eleitoral.

“Começamos agora o tempo de rádio e televisão. Eu sou o terceiro maior time, então tenho trabalhado exatamente em cima da força da estrutura”, comentou.

Nesta primeira parada, o presidenciável defendeu a manutenção do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs) e a utilização de parte da verba para lidar com as estiagens que têm atingido o RS.

“O Rio Grande passa por um momento extremamente difícil em decorrência de três perdas de safras no decorrer das seis últimas safras. Precisamos manter o Funrigs para poder investir em infraestrutura para termos uma maneira de diminuir essas consequências”, indicou.

O candidato passou por corredores da exposição e visitou os pavilhões do artesanato e da agricultura familiar, acompanhado por Gabriel Souza (MDB) e Ernani Polo (PSD), candidatos a governador e vice pela coligação, além dos postulantes ao Senado, Germano Rigotto (MDB) e Frederico Antunes (PSD). No pavilhão de artesanato, Caiado desembolsou R$ 13 mil em um kit completo de preparo para montaria.

Entre uma parada e outra, Caiado e Gabriel receberam de expositores pedaços de churrasco, doses de cachaça, espumante, vinho e suco de uva. Durante a caminhada, Caiado ouviu gritos pontuais de "desiste" e de apoio a Flávio Bolsonaro (PL), adversário na disputa à Presidência. O candidato não deu muita importância às provocações e se colocava como única opção para romper a polarização.

Dialogando com a temática da feira, o candidato trouxe propostas voltadas à agropecuária, com foco na manutenção das safras.

“Precisamos fazer aquilo que chamamos de projetos estruturantes, para que haja condição de fazer um projeto de subsolagem da terra aqui no Rio Grande, que tem passado por uma dificuldade de absorção”, apontou. A subsolagem consiste em arar o solo em profundidades maiores para descompactar a terra.

Caiado se mostrou favorável à renegociação de dívidas dos agricultores.

“Aquilo que foi produzido pelo governo federal, aquela medida provisória, não atingiu 10% dos agricultores”, criticou, em referência à Medida Provisória nº 1.376/2026, publicada em julho de 2026, que autoriza linhas especiais de crédito para renegociação e liquidação de dívidas rurais de produtores afetados por eventos climáticos extremos.

Questionado sobre as polêmicas recentes envolvendo Alexandre de Moraes, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, no caso Master, Caiado defendeu a saída de Moraes da condição de ministro.

“Ele deve fazer a defesa dele fora do STF, não na condição de ministro, julgando ali todas as matérias.”

O candidato do PSD almoçou junto da Farsul e seguiu para o pavilhão de máquinas. Fechou a agenda acompanhando a premiação do Freio de Ouro.



Projeto Istmo quer romper o isolamento da arte gaúcha na América do Sul



Iniciativa reúne curadoras de oito países para criar rede de intercâmbio e circulação cultural.

Durante décadas, artistas visuais do Rio Grande do Sul conviveram com uma espécie de dupla periferia: distantes dos principais centros econômicos e culturais do Brasil e, ao mesmo tempo, pouco integrados aos circuitos latino-americanos, apesar da proximidade geográfica e das afinidades históricas e culturais com os países vizinhos. É nesse ponto de tensão que nasce o projeto Istmo – Circuitos Criativos América do Sul, que pretende criar pontes entre a produção artística gaúcha e agentes culturais de oito países do continente.

Idealizado pelos artistas, curadores e professores Laura Cattani e Munir Klamt, o projeto aposta na criação de redes de intercâmbio éticas, sustentáveis e duradouras, reunindo curadoras, artistas, instituições, universidades e espaços independentes em torno de uma plataforma de circulação cultural. Mais que encontros pontuais, o Istmo pretende operar como um dispositivo permanente de mediação entre diferentes contextos artísticos sul-americanos.

“O Rio Grande do Sul permanece afastado tanto dos circuitos brasileiros quanto dos circuitos latino-americanos. Essa dupla condição faz com que a produção gaúcha circule pouco e raramente seja incluída nas narrativas continentais, apesar de sua força e singularidade”, afirma Laura.

Segundo ela, muitos artistas gaúchos só acessam redes internacionais por esforço individual, frequentemente precisando migrar para centros como São Paulo para obter reconhecimento. “Essa migração se tornou quase um rito tácito de validação profissional. Mas ela exige recursos financeiros, reorganização da vida e afastamento de redes de apoio. Para muitos, torna-se proibitiva”, observa.

O projeto foi concebido para reduzir essas assimetrias. Durante sua realização, curadoras e agentes culturais sul-americanas visitaram instituições, espaços culturais, universidades e iniciativas independentes do Estado, além de participarem de leituras de portfólio, palestras, oficinas, exposição virtual, catálogo e documentário.

“A internet amplia o acesso, mas não substitui o encontro. O Istmo funciona como um catalisador presencial de relações profundas, permitindo que a diversidade da produção gaúcha seja vista e compreendida dentro do panorama sul-americano”, explica Laura.

A proposta também busca enfrentar hierarquias históricas que atravessam processos de internacionalização cultural. Para a curadora, uma inserção ética depende menos da lógica de mercado e mais da construção de relações baseadas em reciprocidade, afinidade poética e responsabilidade cultural.

“A internacionalização só é sustentável quando representa muitas vozes e muitas formas de produção, e não apenas aquelas tradicionalmente visibilizadas”, afirma.

Esse compromisso aparece na escolha das curadoras convidadas e na estrutura do edital aberto aos artistas. A chamada buscava contemplar ao menos 40% de mulheres, pessoas negras, indígenas, quilombolas, LGBTQIA+, pessoas com deficiência e integrantes de comunidades historicamente minorizadas – perspectiva que foi amplamente superada.

Outro ponto central é a diversidade institucional apresentada às convidadas. Em vez de concentrar visitas apenas em instituições consolidadas, o Istmo inclui também espaços periféricos, autogeridos e independentes.

“O projeto não quer mostrar uma versão filtrada da cena cultural do estado, mas sua multiplicidade real”, resume Laura.

Ao reunir agentes de diferentes países, o Istmo também pretende deslocar imagens cristalizadas sobre o Rio Grande do Sul, muitas vezes percebido de fora como homogêneo ou vinculado a uma identidade regional rígida.

A curadora equatoriana Syl Quezada destaca: “Participar do projeto de Laura e Munir foi uma experiência enriquecedora para pensar a arte a partir de diferentes latitudes, olhares e sensibilidades, construindo formas de nos integrarmos, nos conhecermos e colaborarmos mutuamente”.

A curadora colombiana Carolina Cerón completa: “Porto Alegre foi um resgate. Percorrer sua cena artística me devolveu a estranheza diante da criação, essa capacidade de assombro que o ofício docente às vezes vai ofuscando. Os artistas que conheci não são apenas referências bibliográficas: são sementes.”

A expectativa é que o projeto gere impactos concretos na circulação profissional e no fortalecimento institucional do setor, com convites para exposições internacionais, residências artísticas, intercâmbios pedagógicos e redes permanentes de pesquisa.

“A alteridade é fundamental. É no encontro com o outro que compreendemos melhor quem somos e quem ainda podemos ser”, conclui Laura.


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