Relatório da PF aponta pelo menos seis encontros entre Moraes e dono do Banco Master entre 2024 e 2025

 



Segundo a Polícia Federal, a relação entre o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, ex-presidente do Banco Master, teria começado em 2024, antes da Operação Compliance Zero que prendeu Vorcaro em novembro de 2025.

As informações constam em relatório elaborado a partir da extração de dados do celular de Vorcaro. O sigilo do material foi derrubado nesta terça-feira por determinação do ministro André Mendonça, relator do caso Master no STF. De acordo com a CNN Brasil, o documento identifica sinais de pelo menos seis reuniões entre os dois no período de novembro de 2024 a agosto de 2025.

O relatório cita diálogos de 2025. Em 19 de abril, Vorcaro teria dito à namorada que iria se encontrar com Moraes e feito uma chamada de vídeo mostrando a presença do ministro. Em 29 de abril, em nova chamada, ao ser questionado sobre quem era a outra pessoa, teria respondido: "Alexandre Moraes".

O documento também aponta mensagens de 15 de novembro de 2025, dois dias antes da primeira prisão, em que Vorcaro teria perguntado a Moraes se precisava deixar o país e sobre o juiz do caso, além de eventual medida na manhã seguinte. No dia 17 de novembro, data do cumprimento da ordem de prisão, os dois teriam conversado por WhatsApp ao longo do dia, com troca de prints de blocos de notas em modo de visualização única sobre a negociação de venda do banco, segundo a PF.

A PF aponta ainda contratos entre o Banco Master e o escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, mulher do ministro, do qual ela e dois filhos são sócios. Um contrato de R$ 129 milhões foi revelado em janeiro deste ano, e um levantamento do Estadão/Broadcast apontou aumento de processos com participação da advogada no STF e STJ após a posse de Moraes, de 27 para 152. Em março de 2026, o STF divulgou nota negando que as mensagens fossem de Moraes e afirmando que se referiam a outros contatos da agenda de Vorcaro.

O relatório traz ainda dois outros pontos: em março de 2026, Vorcaro teria pago uma degustação de whisky em Londres com Moraes, o procurador-geral Paulo Gonet, o ministro Dias Toffoli e o diretor-geral da PF, conforme cruzamento de dados do celular e registros de sessão; e, segundo a PF, Moraes teria aberto e editado a versão final de um contrato de R$ 131,27 milhões em valores brutos entre o banco e o escritório da esposa - fato confirmado pelo próprio escritório. Mensagens atribuídas a Vorcaro também são tratadas como indício de emissão de cartões com limite de R$ 300 mil para os filhos de Moraes, em negociação que teria envolvido o administrador do escritório e o banco.

Em 4 de março de 2026, Vorcaro foi preso na terceira fase da Operação Compliance Zero, por ordem do ministro André Mendonça.

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