Fecomércio-ES e CNC pedem que votação do fim da escala 6x1 fique para depois das eleições

 


Entidades lançam campanha nacional e alertam para alta de custos e risco ao emprego formal

A Fecomércio-ES e a Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) fazem um apelo aos senadores para que a proposta que prevê o fim da escala 6x1 não seja votada nesta quarta-feira (2). As entidades defendem que uma mudança na jornada de trabalho dessa dimensão não seja aprovada de forma acelerada e às vésperas das eleições.

O posicionamento faz parte da campanha nacional "A conta já está alta demais. Mudança das regras do trabalho às vésperas da eleição? Agora não", lançada no fim de semana pela CNC, em conjunto com federações e sindicatos filiados.

A votação do fim da escala 6x1 está tramitando no Senado após ser aprovada na Câmara. Com o avanço da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que altera a jornada, as entidades argumentam que uma mudança constitucional nas relações trabalhistas exige maior análise técnica e diálogo entre trabalhadores, empresários e poder público.

Segundo a Fecomércio-ES e a CNC, o momento econômico também exige cautela. Entre os fatores apontados estão juros elevados, crédito caro e restritivo, endividamento das famílias, inadimplência das empresas e redução de investimentos.

"Somos a favor do debate sobre o bem-estar do trabalhador, mas uma decisão dessa magnitude exige análise técnica, diálogo e profunda responsabilidade. A conta para quem produz e emprega no Brasil já está alta demais", afirma o presidente da CNC, José Roberto Tadros.

Para Tadros, alterações na jornada deveriam ser discutidas por meio da negociação coletiva, considerando as características de cada atividade econômica. Ele alerta para possíveis impactos principalmente sobre micro e pequenas empresas e para a manutenção dos empregos formais.

O presidente da Fecomércio-ES, Idalberto Moro, também defende que eventuais mudanças sejam negociadas entre trabalhadores e empregadores. "O caminho seguro continua sendo a negociação coletiva, que respeita as realidades de cada região e de cada setor. Defender o trabalhador também significa defender o emprego. Não existe proteção social duradoura sem empresas saudáveis, capazes de investir, crescer e contratar", afirma.

Um dos principais argumentos é o impacto sobre os custos. Segundo a Fecomércio-ES, mais de 90% da mão de obra do setor atua no regime 6x1. A avaliação é de que uma mudança sem período adequado de adaptação poderia elevar os custos operacionais, com reflexos nos preços ao consumidor, redução de vagas e aumento da informalidade.

A mobilização inclui ainda outra preocupação do comércio: a discussão sobre o fim da chamada "Taxa das Blusinhas", cobrada sobre compras internacionais de menor valor. Para as entidades, uma eventual retirada da tributação poderia ampliar a diferença de custos enfrentada pelo varejo brasileiro em relação às plataformas internacionais.

Diante do cenário, Fecomércio-ES e CNC pedem "sensatez e serenidade" aos senadores e defendem que mudanças nas jornadas sejam construídas por meio de convenções e acordos coletivos.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

Vídeo - Smart TV TCL 115" 4K UHD QLED Mini LED – Modelo 115C7K (2025)

Smart TV TCL 115" 4K UHD QLED Mini LED – Modelo 115C7K (2025)

Smartphone Samsung Galaxy Z Flip4 128GB Azul - 5G Octa-Core 8GB RAM Câm. Dupla + Selfie 10MP