Caribéu: o cozido do Pantanal que abraça e conta história
No Pantanal, longe de tudo e perto do céu, o peão não tinha geladeira. Tinha sol, gado e mandioca. Para a carne não estragar, virava carne-seca pendurada no varal do tempo. A mandioca era o pão da terra. Quando a comitiva voltava de dias tocando boiada, cansada e com fome, a cozinheira jogava tudo em uma panela só: a carne-seca dessalgada, a mandioca quebrada e um caldo grosso. Assim nasceu o caribéu.
O nome vem da caldeirada dos antigos. É o cozido pantaneiro, irmão do barreado e primo da vaca atolada. Comida que abraça, que sustenta, que conta história de cheias, secas e de homens que dormem olhando estrela. É prato que não se faz com pressa. Se faz com prosa.
Caribéu Pantaneiro - Receita para 6 pessoas
Ingredientes:
- 800g de carne-seca de costela ou charque
- 1kg de mandioca descascada em cubos médios
- 1 cebola grande picada
- 4 dentes de alho amassados
- 2 colheres de banha de porco ou azeite
- 1 pimenta-bode ou dedo-de-moça sem semente
- cheiro-verde e cebolinha bem picados
- sal só se precisar
Modo de preparo:
1. A dessalga com carinho: Deixe a carne-seca de molho por uma hora, trocando a água duas vezes. Depois, corte em cubos e cozinhe por uns 15 minutos até ficar macia. Reserve a água.
2. O alicerce: Na panela grande, derreta a banha. Doure a cebola e o alho até perfumar. Junte a carne já cozida e deixe fritar levemente até criar uma casquinha.
3. O abraço: Acrescente a mandioca crua em cubos e cubra com a água do cozimento da carne + água quente até dois dedos acima. Junte a pimenta e deixe ferver em fogo baixo.
4. O segredo: Não mexa muito. Deixe a mandioca ir se desmanchando sozinha e engrossando o caldo. Quando ela estiver quase um purê e a carne começando a desfiar, está no ponto. Tem que ficar cremoso, não aguado, tipo um pirão grosso.
5. Final de comitiva: Desligue o fogo, jogue o cheiro-verde. Sirva fumegando em prato fundo, com arroz branco e pimentinha ao lado.
Toque final de chef: Se quiser honrar 100% a tradição, finalize com torresmo por cima. O contraste do cremoso com o crocante é o que faz o peão chorar de saudade.

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