Deputados da base governista pedem ao STF fim do sigilo no caso "Dark Horse"
Deputados da base do governo protocolaram, nesta quarta-feira (2), um pedido ao Supremo Tribunal Federal (STF) para que seja derrubado o sigilo dos inquéritos que investigam o financiamento do filme "Dark Horse" por Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
O pedido foi apresentado ao presidente da Corte, ministro Edson Fachin, e revelado durante coletiva no Salão Verde da Câmara convocada pelos deputados Lindbergh Farias (PT-RJ), Pedro Uczai (PT-SC), Jandira Feghali (PCdoB-RJ) e André Janones (Rede-MG), que estão entre os signatários da petição.
Segundo o site R7, a petição solicita que Fachin leve ao plenário do STF uma questão de ordem para uniformizar o regime de publicidade dos processos e determinar o levantamento do sigilo de petições sob relatoria do ministro André Mendonça.
Os deputados salientam que devem permanecer sob sigilo apenas peças relacionadas a diligências ainda em andamento cuja divulgação possa comprometer objetivamente as investigações.
Assimetria nas investigações
O grupo argumenta que há diferença de tratamento na condução de investigações relacionadas à Operação Compliance Zero.
Os parlamentares destacaram o fato de Mendonça ter determinado, em julho, o levantamento do sigilo de uma investigação que envolvia o senador Jaques Wagner (PT-BA), embora tenha mantido sob sigilo os procedimentos relacionados ao senador e candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Segundo os parlamentares, a diferença de critérios pode produzir uma "assimetria" com efeitos sobre a disputa eleitoral.
Publicidade como regra
Os parlamentares também afirmam que não conhecem a fundamentação para a manutenção do sigilo nos três procedimentos do caso "Dark Horse". Segundo a petição, os autos permanecem sob reserva desde a instauração dos inquéritos, sem que os requerentes tenham tido acesso às peças ou sequer saibam se a decisão de impor o sigilo foi fundamentada.
O documento cita informações divulgadas pela imprensa. Entre elas, a emissão de R$ 1,5 milhão em notas fiscais pelo escritório de advocacia de Flávio Bolsonaro a empresas utilizadas no circuito de pagamentos de Daniel Vorcaro, fato que, segundo a petição, foi parcialmente admitido pelo senador.
Os deputados também mencionam reportagem publicada em 1º de setembro que apontou um repasse adicional de aproximadamente US$ 1,66 milhão para o fundo estrangeiro que centralizava os recursos do filme. Segundo o documento, o novo valor elevaria para cerca de US$ 12,3 milhões o montante identificado como destinado por Vorcaro ao projeto.
Na petição, os parlamentares defendem que o sigilo permite que investigados apresentem publicamente sua própria versão sobre o conteúdo das apurações, enquanto imprensa e sociedade não conseguem confrontar as informações. O grupo sustenta que a publicidade dos atos processuais deve ser a regra e que a restrição precisa ser fundamentada e limitada.
Além do levantamento do sigilo, os deputados pedem que o plenário do STF estabeleça uma diretriz para os processos derivados da Operação Compliance Zero. Pela proposta, a manutenção do sigilo deveria depender de decisão fundamentada, com delimitação do objeto e do prazo e reavaliação periódica.
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