Secretário de Energia dos EUA supervisiona acordos de petróleo em Caracas

 


O secretário de Energia dos Estados Unidos, Chris Wright, supervisionou nesta quarta-feira (2), em Caracas, a assinatura de acordos com multinacionais petrolíferas como Chevron e Eni. O movimento ocorre após um pacto inédito que concede a Washington participação em parte das reservas de petróleo da Venezuela.

A americana Chevron, principal produtora privada no país, e a italiana Eni assinaram contratos de produção que ampliam sua participação em vários campos. A visita ocorre cinco dias depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciar o que chamou de "maior acordo petrolífero da história", que prevê controle sobre 65 bilhões de barris das reservas venezuelanas.

Wright se reuniu no Palácio de Miraflores com a presidente interina Delcy Rodríguez e disse esperar que os acordos tragam "paz" e "prosperidade" à Venezuela, detentora das maiores reservas de petróleo bruto do mundo. O governo venezuelano também firmou acordos com a GE Vernova para reparar parte da rede elétrica do país.

"Acredito que os acordos assinados hoje, com bilhões de dólares em investimentos e, finalmente, a criação de muitos empregos, são essenciais para começar a trazer paz, oportunidades e prosperidade para todos", declarou Wright. À CNBC, afirmou que a produção venezuelana, hoje de 1,2 milhão de barris por dia (b/d), deve "superar os 2 milhões de b/d até o final desta década".

Vestida de branco, Rodríguez agradeceu a Trump e disse que o acordo beneficiará as duas nações. Segundo ela, o pacto foi assinado em 28 de agosto, o que foi confirmado por Wright.

"Quando falo em aumentar a produção, falo do bem-estar do povo venezuelano. Estamos falando do futuro da Venezuela e hoje também assinamos acordos de exploração. Entramos em uma nova etapa de exploração de novos campos e novas oportunidades", afirmou. Rodríguez também disse que haverá processo eleitoral "nas condições em que a Venezuela estiver preparada", após Trump afirmar que o país "não está pronto" para eleições.

Durante o evento, o diretor executivo da Chevron, Mike Wirth, disse que a empresa espera "investir mais de 7 bilhões de dólares e dobrar a produção" para mais de 500 mil b/d nos próximos cinco anos. Os acordos incluem novas concessões na Faixa do Orinoco e termos legais, fiscais e comerciais atualizados.

O governo venezuelano afirma que a produção aumentou quase 30% desde a derrubada de Nicolás Maduro em operação militar americana em 3 de janeiro, mas o número ainda está longe dos 3 milhões de b/d registrados no final do século passado. Rodríguez, que foi vice de Maduro até sua captura, promoveu reforma que abriu o setor de petróleo e mineração ao capital privado.

Segundo Rodríguez, o acordo com os EUA deve gerar 209 bilhões de dólares (R$ 1,07 trilhão) em 25 anos para a Venezuela. O pacto inclui campos antes administrados por empresas da Rússia e da China.

Na segunda-feira, a Casa Branca detalhou que o governo venezuelano concedeu à North American Blue Energy Partners (Nabep) "concessões por 100 anos para 17 campos petrolíferos com reservas provadas de aproximadamente 65 bilhões de barris" e que "a Nabep concedeu ao Escritório de Capital Estratégico do Departamento de Guerra dos Estados Unidos uma participação acionária de 35% em sua empresa controladora".

A Nabep foi fundada pelo investidor venezuelano Alejandro Betancourt. "A Nabep demonstrou um histórico extremamente bem-sucedido na produção de grandes volumes de petróleo na Venezuela. Esse é um parceiro comercial em quem podem confiar", defendeu Wright.

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