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Humor do Monde, por Juremir Machado da Silva

Conversei com o cartunista Plantu em Paris. Fiz uma entrevista com ele que publicamos no Caderno de Sábado do Correio do Povo . Um tríptico: Plantu, Edgar Morin e Michel Houellebecq. Três pensadores, três trajetórias, três visões de mundo. Plantu está em Porto Alegre, participando do Encontro França-Brasil. Ele falará hoje, às 10h, na Faculdade de Comunicação da PUCRS. Todo mundo está convidado. Plantu tem a dura e deliciosa missão de fazer a charge da capa do jornal Le Monde. No bate-papo, senti um homem divertido, sensato e crítico. Há quem considere o humor sagrado e intocável. É o que pensam, por exemplo, alguns dos que fazem humor preconceituoso de televisão. O humor direitoso de Danilo Gentili e outros do gênero. Fiz a pergunta óbvia a Plantu: há limite para o humor? Ele me respondeu com engenhosa ironia: “Sei, por experiência, que tudo e todos na vida têm um limite. Mas esse limite varia. Não conheço um só exemplo de cartunista que não se fixe um limite. Mas esse limite var...

Eco e os imbecis, por Juremir Machado da Silva

Umberto Eco é um monstro da erudição. Publicou alguns best-sellers mais cultos do mundo, entre os quais “O Nome da Rosa”, com passagens em latim. Quando eu fazia o curso de Umberto Eco no Colégio da França, em Paris, fiz uma entrevista com ele. Quis saber a razão de tanta dificuldade nos seus livros. Ele respondeu na bucha que, para sentir prazer, o leitor precisa carregar pedras. Gostei. E pulei as partes que não compreendi. Anos depois, fui à casa de Umberto Eco em Milão. Levei comigo meu amigo professor da USP Clóvis de Barros Filho. Ofereci, como intermediário, 150 mil dólares para Eco vir ao Brasil. Ele recusou. Explicou que os jornalistas brasileiros são muito chatos e não o deixariam em paz . Algo assim. Sem vaselina. O homem é fogo. Recentemente ele soltou uma verdade paradoxal: as redes sociais deram voz a uma legião de imbecis. Irrefutável. Eco lamentou que agora idiotas têm o mesmo direito à expressão que prêmio Nobel. O problema é que tem Prêmio Nobel idiota. Outro d...

Saudades do Catete, por Juremir Machado da Silva

Deposto em 1945, Getúlio Vargas retirou-se para um exílio estratégico em São Borja e Itaqui, nas fazendas Santo Reis e Itu. Esta última era uma velha propriedade da família, terras adquiridas desde por volta de 1875. Mas, quando o ex-presidente ali completou o seu desterro, era uma nova estância. Tinha pouca coisa lá. Maneco, filho de Getúlio, que era agrônomo, concebeu uma casa de estilo indefinido e eclético, cuja forma arrancava comentários divertidos de Vargas: “O agrônomo Maneco é um arquiteto revolucionário”. Maneco plantou árvores no pátio da fazenda e tentou dar à solidão da campanha um ar de boa morada. Mas o ambiente era mesmo espartano e bom somente para as reflexões sem fim. A célebre visita do jornalista Samuel Wainer a Getúlio, no carnaval de 1949, que rendeu a reportagem anunciando a decisão de Vargas de voltar aos combates no poder, aconteceu em Santos Reis, não no Itu. Poucos antes desse primeiro encontro com Wainer, Getúlio andava mais ensimesmado do que nunca. N...

A falta de pudor do judiciário, por Juremir Machado da Silva

Eu sou um idiota. Assumido. Acredito em bom senso, responsabilidade e até em comportamento republicano. Discuti, faz mais de um ano, com um senhor do judiciário sobre auxílio-moradia. – O senhor acha justo? Eu, como professor e jornalista, não tenho. – Não é auxílio-moradia. – É o quê? – Parcela Autônoma de Equivalência. – Equivalência a quê? – Aos ganhos dos deputados. – A diferença não está no que eles receberam de auxílio-moradia? – Por isso é Parcela Autônoma de Equivalência. Ah, bom! Passou. Veio o segundo. Agora é auxílio-moradia mesmo. Continuo não tendo como professor e jornalista. Além disso, os togados recebem os tais “subsídios”, um pacote à prova de penduricalhos. Quebrei a cabeça. Concluí: remuneração é tudo que certas pessoas ganham sem levar em consideração o que precisam gastar. Vulgo teta. Só a plebe paga moradia com o seu salário. Uau! Aí veio o caso do juiz João Carlos de Souza Corrêa, esse que foi parado num blitz dirigindo sem a carteira um ve...