Infantino sofre maior derrota na Fifa e vê reeleição em 2027 virar incógnita
A retirada do plano de abrir a Copa do Mundo e outros ativos da Fifa ao capital privado foi mais que uma derrota administrativa para o presidente Gianni Infantino. A desistência gerou críticas até de aliados e transformou uma reeleição que parecia certa em 2027 em um cenário de incertezas.
Foi a primeira grande derrota de Infantino desde que assumiu a entidade em 2016. A resistência ao projeto foi além da tradicional oposição da Uefa e atingiu dirigentes próximos, integrantes da estrutura da Fifa e confederações.
Planos frustrados para o futuro
Nos bastidores, especulava-se que a criação da Fifa Forward Enterprise (FFE) – empresa que concentraria os direitos comerciais da entidade – poderia ser a transição para Infantino se tornar comissário ou CEO da nova estrutura, mantendo influência mesmo após deixar a presidência. Com o abandono do projeto, a possibilidade perdeu força.
Também houve rumores, sugeridos pelo presidente dos EUA Donald Trump, de que Infantino poderia mirar o cargo de secretário-geral da ONU. "Não me surpreendeu a notícia. As articulações políticas que manteve nos EUA indicavam que algum outro interesse fora do futebol poderia estar sendo considerado", disse o advogado Eduardo Carlezzo, especialista em Direito Desportivo Internacional.
Reeleição ameaçada
Até a semana passada, o cenário mais provável era um quarto e último mandato até 2031 sem sobressaltos, após ampliar a Copa para 48 seleções e aumentar as receitas. Agora, o quadro mudou.
"A contestação deixou de vir apenas de adversários externos e passou a alcançar federações, confederações e aliados próximos. Isso afeta não apenas o projeto, mas a própria forma como sua liderança é percebida", avaliou Andrei Kampff, especialista em Direito Desportivo.
"Tal apoio pode ter ido pelos ares e a Uefa levará adiante um plano para substituição do Infantino, seja agora, seja criando um oponente forte na eleição do ano que vem", completou Carlezzo.
A Uefa reagiu imediatamente: "Não podemos continuar assim com planos secretos em prazos acelerados, elaborados por indivíduos sem rosto e de benefício duvidoso para o jogo. Devemos identificar os responsáveis e responsabilizá-los."
O jornal britânico The Telegraph informou no sábado que dirigentes europeus discutem forçar a saída de Infantino. As 55 federações da Uefa estariam dispostas a apoiar a destituição, que precisaria de 43 votos para ser convocada. Ainda não há procedimento formal, mas a discussão já marca uma mudança. O Estadão apurou que não há moção de censura no estatuto da Fifa.
Como começou a crise
A proposta criava a FFE para administrar os direitos comerciais da Copa e outras competições, com entrada de investidores privados em troca de bilhões para projetos e repasses às federações.
A Uefa acusou a Fifa de tentar "vender a alma do futebol" e ameaçou boicotar competições. Concacaf e AFC também se opuseram. Sem essas três confederações, Infantino perdeu a maioria entre as 211 filiadas.
Para Carlezzo, o desmoronamento rápido lembra a Superliga de 2021: "No caso da Superliga, a UEFA, ligas nacionais e dezenas de clubes europeus condenaram fortemente o projeto, o qual acabou sendo derrubado em apenas 48 horas. Foi um fiasco retumbante".

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