Voto facultativo no RS: cai número de eleitores de 16 e 17 anos e cresce eleitorado acima de 70 anos

 

Martina e Valentina, ambas de 16 anos, escolheram votar neste ano Foto : Divulgação/CP

Voto facultativo: RS tem queda de eleitores adolescentes e alta de eleitores idosos para Eleições 2026

Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre o perfil do eleitorado para as Eleições de 2026 mostram uma inversão no voto facultativo no Rio Grande do Sul. Enquanto o número de eleitores com mais de 70 anos aumentou em todas as faixas, o número de adolescentes de 16 e 17 anos aptos a votar caiu significativamente em relação a 2022.

No RS, o voto é facultativo para jovens de 16 e 17 anos e para idosos com mais de 70 anos.

Queda entre eleitores de 16 e 17 anos no RS

  • 16 anos: 20.232 eleitores em 2026, queda de 40,09% em relação a 2022, quando eram 30.695.
  • 17 anos: 34.470 eleitores em 2026, queda de 30,15% em relação a 2022, quando eram 49.349.

Crescimento do eleitorado idoso no Rio Grande do Sul

O movimento inverso ocorre entre os idosos:

  • 70 a 74 anos: 483.459 eleitores (+15,82% vs 2022)
  • 75 a 79 anos: 347.437 eleitores (+27,20%)
  • 80 a 84 anos: 203.041 eleitores (+23,96%)
  • 85 a 89 anos: 109.061 eleitores (+20,78%)
  • 90 a 94 anos: 49.992 eleitores (+14,53%)
  • 95 a 99 anos: 23.947 eleitores (+1,89%)
  • 100 anos ou mais: 21.022 eleitores (+144,29% vs 2022)

O maior crescimento proporcional foi entre os eleitores com 100 anos ou mais.

O que explica a mudança no perfil do eleitor gaúcho?

Segundo o doutorando em Ciência Política pela UFRGS, Fábio Hoffmann, os dados refletem a mudança da pirâmide etária apontada pelo último censo.

“Com menos jovens se somando à população eleitoral, a tendência é que haja menor renovação, tanto de eleitores quanto de postulantes a representantes; há também uma menor pressão de renovação da agenda política”, explica.

Hoffmann cita dados da Pesquisa Mundial de Valores (WVS) que mostram que a participação eleitoral entre jovens de 16 a 24 anos caiu de 76% para 50% entre 2010 e 2022, enquanto entre maiores de 65 anos a queda foi menor, de 80% para 75%.

Para o pesquisador, o envelhecimento populacional, a queda da natalidade e a maior longevidade devem remodelar o eleitorado gaúcho e nacional nos próximos pleitos, com impacto direto nas plataformas eleitorais e nas políticas públicas voltadas a idosos.

Importância da participação dos dois grupos

Para Hoffmann, jovens e idosos têm papéis diferentes e fundamentais para a legitimidade democrática. Os jovens representam a renovação da agenda política e a educação democrática. Já a permanência dos idosos nas urnas, mesmo com voto facultativo, demonstra o arraigamento dos valores democráticos, de quem viveu a Ditadura Militar, as Diretas Já e a volta do pluripartidarismo.

Depoimentos ilustram a tendência:

“Voto pela força do hábito. Acho bem importante votar”, diz Ivanir do Nascimento, 77 anos.

“Quero participar desse processo de maneira consciente”, afirma Martina Miranda Baliski, 16 anos, aluna do Colégio Farroupilha.

“Desde pequena, os pais sempre conversavam comigo sobre política. Fico muito feliz por poder ajudar o meu país”, completa Valentina Tonini Ely, também de 16 anos.

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