Morre aos 83 anos o empresário Sérgio Goldsztein, referência no mercado imobiliário de Porto Alegre
Morreu neste sábado, 29, em Porto Alegre, aos 83 anos, o empresário Sérgio Goldsztein, integrante de uma das famílias de trajetória mais reconhecida no desenvolvimento empresarial e imobiliário da capital gaúcha.
Nascido em Porto Alegre em 26 de julho de 1943, Sérgio era filho de Abram Goldsztein e Paulina Goldsztein. Deixa a esposa, Elisabeth Teresa Marchioro Goldsztein, quatro filhos - Fernando, Eduardo, Claudio e Daniel -, além de netos e netas.
A história profissional de Sérgio começou ainda jovem, ao lado do pai, Abram Goldsztein, imigrante polonês que construiu sua trajetória no Rio Grande do Sul a partir da indústria e do comércio de confecções. Na Wolens, Sérgio acompanhou de perto os ensinamentos do pai, cresceu profissionalmente dentro da empresa e chegou ao cargo de diretor executivo.
Ao lado de Ricardo Sessegolo, participou de uma fase marcante da história do varejo porto-alegrense com o Magazine Wolens, que chegou a ocupar um prédio de oito andares e mais de 4 mil metros quadrados, tornando-se uma das grandes lojas de sua época. Após a venda da operação, Sérgio deu continuidade à sua trajetória empresarial, especialmente no setor imobiliário.
A ligação da família Goldsztein com o mercado de incorporações remonta à década de 1970. Registros da própria Wolens apontam que Abram e Sérgio ingressaram no setor imobiliário em 1974, iniciando uma trajetória que atravessaria gerações. Décadas depois, Sérgio esteve também à frente da retomada da marca Wolens no segmento imobiliário, juntamente com Ricardo Sessegolo e seu filho Daniel Goldsztein.
Nos últimos anos, Sérgio permaneceu ligado à Wolens Incorporadora e Construtora, tendo sua liderança associada à proposta de desenvolver empreendimentos de alto padrão.
O velório será realizado neste domingo, 30, às 9h, no Cemitério do Centro Israelita (Rua Guilherme Schell, 315, em Porto Alegre). A cerimônia de sepultamento ocorrerá no mesmo local, às 17h.
Tragédia no Himalaia: Nepal e China buscam quase 3 mil desaparecidos após avalanche de lama
As equipes de resgate no Nepal e na China continuaram com seus esforços, neste sábado, 29, para localizar milhares de pessoas após o deslizamento de terra mortal que atingiu uma região fronteiriça do Himalaia esta semana, soterrando bairros inteiros. O número de desaparecidos subiu para quase 3 mil (2.426, incluindo centenas de estrangeiros, em território nepalês, e 556 no lado chinês), de acordo com dados oficiais de ambos os países.
Enquanto isso, 682 corpos foram recuperados; 675 deles no lado nepalês e 7 no território chinês do Tibete, que é em grande parte inacessível a jornalistas estrangeiros. Além disso, sete corpos encontrados dezenas de quilômetros rio abaixo, no norte da Índia, estão sendo identificados. As equipes de resgate trabalham em condições extremamente difíceis devido à espessa camada de lama que cobre as áreas afetadas.
Busca difícil em meio à lama
Kawan Koirala, membro da Equipe de Resposta a Desastres do Nepal, explicou que os esforços de busca avançam com dificuldade. "As pessoas querem recuperar os corpos de seus parentes, vivos ou mortos, mas não conseguimos encontrá-los (...) elas só veem a lama", disse à AFP, visivelmente exausto após uma jornada de trabalho de 18 horas.
"É muito traumático para mim também. É a primeira vez que vejo algo assim. Tem lama por toda parte. Já tivemos enchentes no Nepal antes, mas não como esta", acrescentou.
Na quarta-feira, uma enorme avalanche de lama, atribuída ao colapso de uma geleira, soterrou casas, destruiu pontes e arrastou veículos tanto no Nepal quanto na região autônoma chinesa do Tibete. Embora a causa exata do colapso ainda não esteja clara, as mudanças climáticas provocam o derretimento de geleiras em todo o mundo, aumentando o risco de desastres como esse.
"O colapso repentino da geleira e a enxurrada súbita são um lembrete devastador de quão frágeis podem ser esses ambientes montanhosos", afirmou em comunicado Simon Stiell, responsável pelo clima na ONU. "Sabemos que o aquecimento global, provocado pela queima de quantidades colossais de carvão, petróleo e gás pela humanidade, está tornando tragédias como esta, e tantas outras em todo o mundo, muito mais prováveis, frequentes e graves, e que as comunidades vulneráveis são muitas vezes as mais afetadas", ressaltou.
Busca desesperada de familiares
Em uma região onde há grandes projetos de infraestrutura energética, a autoridade de gestão de desastres do Nepal adicionou 933 trabalhadores à sua lista de desaparecidos. Essa lista já incluía dezenas de excursionistas e peregrinos que se dirigiam ao sagrado monte Kailash, no Tibete. Aqueles que conseguiram escapar com vida dizem ter perdido tudo e agora enfrentam uma espera angustiante para saber o destino de seus entes queridos desaparecidos, além da perspectiva de reconstruir suas vidas do zero.
"Todos os assentamentos perto do rio foram destruídos. Não sobrou nada", disse o sobrevivente Buddhi Ram Dangol à AFP.
Em uma base militar em Bidur, que está sendo usada como centro de operações de resgate, parentes se aglomeravam em torno de listas de sobreviventes coladas em uma parede. "Vim aqui procurar meu filho", disse Kalka Sharda. "Ele trabalhava na usina hidrelétrica, mas não consigo encontrar o nome dele, e as autoridades não dizem nada."
Uma das principais operações de resgate está concentrada em uma usina hidrelétrica, onde cerca de 100 pessoas permanecem presas em um túnel desde o desastre. Na última hora deste sábado, o Exército do Nepal conseguiu introduzir um tubo em um túnel da central, informou o ministro do Interior do Nepal, Sudan Gurung. "Estamos enviando ar por meio da pequena abertura e vamos iniciar os trabalhos de escavação e enviar a equipe de resgate para dentro", declarou o ministro em um comunicado.
Desafios e ajuda internacional
A busca pelos desaparecidos foi agravada pelo temor de novas inundações nas áreas afetadas, devido à formação de grandes represas de água. Além disso, em algumas áreas afetadas, a devastação generalizada causa a escassez de alimentos e água potável. As autoridades também indicaram que resgataram 555 turistas e 499 residentes chineses que estavam isolados naquela região autônoma.
Os chanceleres do Nepal e da China conversaram neste sábado e concordaram em compartilhar mais dados hidrológicos e de satélite para favorecer as operações de resgate e de prevenção, informaram ambas as partes. O ministro das Relações Exteriores do Nepal, Shisir Khanal, estimou que a reconstrução das regiões devastadas e da infraestrutura custará "vários bilhões de dólares".
O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou neste sábado que fornecerá 3,6 milhões de dólares em ajuda humanitária, incluindo assistência alimentar de emergência. Washington havia comprometido 500 mil dólares nos primeiros momentos após o mortal deslizamento.
Festival de Tiradentes celebra elo entre Minas e Portugal com vinhos, sabores e ocupação da cidade histórica
Foi minha primeira vez no Festival Cultura e Gastronomia de Tiradentes — e talvez justamente por isso a experiência tenha sido de descoberta. Em sua 29ª edição, realizada de 21 a 30 de agosto, o festival escolheu como tema "Minas Lusitânia – um elo entre culturas", colocando em evidência a relação histórica entre Minas Gerais e Portugal e ocupando diferentes pontos da cidade com gastronomia, cultura, aulas, produtores e experiências.
O que mais me encantou, porém, foi perceber que Tiradentes não recebe simplesmente um festival: ela se transforma no próprio festival. A programação se espalha pelas ruas, praças e restaurantes, e o visitante vai descobrindo cada experiência a pé, pelas ruas de pedra, de charrete, entre uma mesa e outra, um prato e uma taça. É uma maneira muito mineira de celebrar a gastronomia: sem pressa, com conversa, encontros e, claro, boa comida.
Há espaços para diferentes públicos e diferentes maneiras de viver o evento. Na Praça da Rodoviária, a atmosfera é mais democrática e acessível, com gastronomia, música e programação cultural; no Largo das Forras, o festival ganha ainda mais a cara de Tiradentes, com o movimento constante de pessoas circulando pelo centro histórico.
Mas, para mim, o grande destaque foi a gastronomia: pequenos pratos preparados por chefs brasileiros, com preços acessíveis, que permitem experimentar mais de uma cozinha em uma mesma tarde. É justamente aí que o vinho entra como companheiro perfeito. Em vez de uma refeição longa e formal, a proposta convida a provar, compartilhar, voltar à fila, descobrir um novo sabor e harmonizar cada mordida com uma nova taça.
Um dos lugares em que mais permaneci foi a Vila Verdemar, espaço com acesso mediante ingresso e número mais reduzido de pessoas. Ali havia menos opções gastronômicas, mas uma experiência que, para quem gosta de vinho, é especialmente interessante: uma verdadeira adega do supermercado Verdemar, onde pude provar diferentes rótulos mineiros. E foi também ali que encontrei o Pobre Juan, uma das grandes surpresas da viagem.
O festival também oferece os Festins, encontros entre chefs brasileiros e portugueses em menus especiais, além de cozinhas ao vivo e atividades de conhecimento que exploram justamente as pontes entre as duas culturas.
Vinhos mineiros em destaque
E, falando em vinho, Tiradentes merece ser explorada também para além do centro histórico. A Vinícola Trindade, em Bichinho, a apenas 7 quilômetros de Tiradentes, foi uma das dicas que mais gostei: o lugar tem um belo cenário para contemplar o pôr do sol e trabalha com Sauvignon Blanc e Syrah cultivados pela técnica da dupla poda.
Outra parada que vale incluir é a Vinícola Luiz Porto, que reúne produção, tecnologia e enoturismo em Tiradentes, com vinhedos de altitude na Serra da Mantiqueira e degustações que ajudam a entender a evolução dos vinhos mineiros. Minas não é apenas território de queijo, café, doce de leite e cozinha de afeto. É também um território que está construindo, safra após safra, uma identidade própria para seus vinhos.
PROVEI E AMEI — 5 vinhos mineiros para conhecer
1. Luiz Porto Brut — Método Tradicional
Elaborado com Chardonnay e Pinot Noir de Cordislândia, com seis meses de contato com leveduras. Perlage fino, frutas brancas, cítricas, pão tostado e manteiga. Ideal para entradas e queijos.
2. Maria Maria Kika Syrah 2025
Produzido na Fazenda Capetinga, em Boa Esperança, colheita de inverno manual em julho. Aromas de ervas finas e frutas negras frescas, bom corpo e taninos finos.
3. Luiz Porto Gran Reserva Syrah 2018
De vinhedos a 980 metros, 18 meses em barrica francesa e americana. Notas de amora madura, baunilha, pimenta, noz-moscada e defumado. Taninos aveludados e final longo.
4. Dom de Minas Sauvignon Blanc 2025 — Luiz Porto
De altitude, com maracujá, pêssego, pera e toque de especiarias. Estruturado, com acidez marcada e grande versatilidade.
5. Jacinta Rosé 2025 — Vinícola Trindade
Elaborado com Syrah, fresco, delicado e gastronômico. Medalha de Ouro no Brazil Wine Challenge 2026.
Justiça aceita denúncia e torna réus pais de menino de 3 anos morto após agressões em Viamão
A Justiça recebeu a denúncia contra o pai e a mãe de Oliver Grayson, de 3 anos, que morreu em julho após ser gravemente agredido em Viamão. A decisão é do juiz de Direito Guilherme Pires Mitidiero, da 1ª Vara Criminal do Tribunal do Júri e de Execução Criminal da Comarca de Viamão.
O réu foi denunciado por homicídio doloso qualificado, no caso do menino, e por tortura contra ele e outros três filhos. Já a mulher é ré pela prática de tortura por omissão em relação às quatro crianças.
Ambos terão prazo de 10 dias para responder à acusação e permanecem presos preventivamente.
"Verifica-se que os fatos narrados encontram correspondência nos elementos informativos do Inquérito Policial, sendo suficientes, neste momento", indica o juiz. O magistrado esclareceu que, apesar de os crimes de tortura terem ocorrido em cidades e estados diversos, a competência para o julgamento cabe ao Juízo de Viamão, uma vez que o homicídio ocorreu no município, conforme prevê o Código de Processo Penal (CPP).
Após pedido do Ministério Público, o juiz também determinou o arquivamento parcial do inquérito policial em relação à mulher exclusivamente no que se refere ao crime de homicídio doloso. O magistrado considerou a argumentação do órgão a respeito da impossibilidade de imputar à acusada a ocorrência de crime, neste momento, ainda que na forma omissiva. O desarquivamento pode ocorrer nos termos previstos pelo CPP, que trata da reabertura de investigações, e pelo Supremo Tribunal Federal.
O caso
Oliver chegou a ser internado no Hospital de Pronto Socorro de Porto Alegre, mas teve a morte cerebral confirmada em 8 de julho. A vítima apresentava lesões na cabeça, no tórax e no abdômen.
O pai da criança, um norte-americano de 33 anos, foi preso em flagrante no dia 5 de julho, após levar o filho ao hospital. No dia seguinte, teve a prisão preventiva decretada pela Justiça. No dia 9 do mesmo mês, foi decretada, por decisão da 1ª Vara Criminal da Comarca de Viamão, a prisão da mãe da criança. O caso tramita em sigilo.

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