Turismo entre RS e Uruguai muda de perfil e fronteira vira ponto de conexão, não só de compras
Até pouco tempo, a relação turística do Rio Grande do Sul com as fronteiras de países vizinhos estava bastante resumida a uma ação simples e vantajosa: atravessar a divisa para fazer compras. Mas os números e os movimentos mais recentes do setor mostram que essa história entrou em uma nova fase. Os turistas agora querem viver atividades únicas, conhecer a natureza, experimentar a gastronomia e parecem estar prontos para transformar essa relação em algo muito mais sólido e duradouro. E o melhor: em propostas que unem dois territórios.
Um dos pontos de partida para essa reflexão foi o encontro binacional “Uruguai e Rio Grande do Sul: Destinos que Surpreendem”, realizado na última sexta-feira (21) em Pelotas. No moderno Rooftop Vanguarda, representantes do poder público, entidades do turismo, agências e operadores apresentaram destinos e colocaram em pauta uma ideia especialmente interessante: transformar a fronteira, historicamente vista como ponto de passagem, em local de conexão para diferentes experiências.
O projeto se consolida nos números dos últimos anos. Em 2025, dos 504,4 mil brasileiros que visitaram o Uruguai, 266,5 mil eram gaúchos. Ou seja, 53% do mercado brasileiro no país vizinho veio do Rio Grande do Sul. Porto Alegre respondeu por 48,4 mil visitantes, enquanto a região de Pelotas e Rio Grande somou outros 46,5 mil.
Do outro lado, segundo dados da Embratur, o Brasil já contabiliza, desde o início de 2026, a entrada de 5,87 milhões de visitantes estrangeiros, o segundo maior registro da história. O Uruguai, quarto principal país de origem dos turistas internacionais que visitam nosso país, também registrou crescimento de 2,9%.
As estatísticas revelam um oceano azul de oportunidades. Do lado gaúcho, os destinos da Costa Doce, repletos de natureza, praias e lagoas são atrativos que os uruguaios e os argentinos podem e merecem visitar. Do outro lado da fronteira, experiências do norte uruguaio, como o enoturismo, o turismo rural, áreas naturais como o Valle del Lunarejo e a rota das pedras semipreciosas de Artigas têm potencial para serem colocados no mapa de férias dos gaúchos.
Essa irmandade entre os países, combinada com a oportunidade de mudar a cara do turismo, ganha ainda mais relevância em um momento de aproximação institucional. Há poucos dias, os dois países assinaram um Memorando de Entendimento sobre Cooperação Turística. O acordo prevê ações voltadas ao desenvolvimento sustentável, à criação de rotas integradas de fronteira e à ampliação da conectividade regional.
É uma discussão que ocorre em um momento favorável para o turismo internacional. Em vez de pensar apenas no fluxo de brasileiros rumo ao Uruguai e vice-versa, por que não criar produtos binacionais? O encontro de Pelotas mostrou que há interesse, destinos e mercado para isso. Agora, o desafio é transformar a conversa em produtos turísticos, rotas, negócios e experiências.

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