Queijista: a profissão que transforma queijo em cultura, história e experiência

 


O queijo brasileiro vive um momento especial. O crescimento da produção artesanal, a valorização dos pequenos produtores e o interesse cada vez maior do consumidor por origem, território e identidade estão criando espaço para uma profissão ainda pouco conhecida do grande público: a de queijista.

Mais do que alguém que vende ou seleciona queijos, o queijista é um profissional capaz de compreender matérias-primas, famílias, processos de fabricação, maturação, características sensoriais e, principalmente, traduzir todo esse conhecimento para o consumidor. É uma profissão que aproxima produtor e mercado e ajuda a transformar um alimento em experiência.

Um dos grandes nomes desse movimento é Bruno Cabral, fundador do Mestre Queijeiro, idealizador e realizador do Prêmio Queijo Brasil e uma das principais referências brasileiras na formação e valorização da cultura queijeira. O próprio Prêmio Queijo Brasil vem reforçando essa visão ao reconhecer o queijista como agente educador e formador de mercado, conectando produto, território e consumidor.

Tive recentemente a oportunidade de acompanhar Bruno Cabral no Rio Grande do Sul, no workshop “Grandes Queijos do Mundo e do Brasil”, realizado na Casa Vivá e na Sensory Business em Porto Alegre, em uma experiência que reuniu conhecimento, degustação e harmonização com vinhos de pequenos produtores.

Foi uma verdadeira viagem sensorial por diferentes famílias e estilos: começamos pelo Queijo Marajó, de leite de búfala, produzido pela Queijaria São Victor, na Ilha do Marajó; passamos pelo espanhol Formatge de Tupí, de cabra e azeite, pelo Baommental, de leite de vaca, do Paraná, pelo Mahón DOP, de Menorca, e pelo Ovelha Negra, de leite de ovelha, também paranaense. Na sequência vieram o Manchego ecológico, de Castilla-La Mancha, o brasileiro Flora Azul, de São Paulo, e, para encerrar, o intenso Gorgonzola Dolce, da Lombardia.

A degustação mostrou que harmonizar queijo e vinho não é simplesmente escolher um branco para queijos leves ou um tinto para os mais intensos: é compreender textura, gordura, salinidade, acidez, doçura, intensidade aromática e maturação para encontrar equilíbrio e criar uma terceira experiência, diferente daquela proporcionada isoladamente por cada alimento.

Entre todos, o Queijo Marajó merece atenção especial. Produzido tradicionalmente na Ilha do Marajó, a partir do leite de búfala, ele está profundamente ligado à cultura e à identidade daquele território amazônico. Sua presença em uma degustação ao lado de grandes queijos europeus é também uma forma de mostrar que o Brasil possui produtos com identidade própria, capazes de contar histórias de paisagem, tradição e saber-fazer.

O crescimento da cultura do queijo artesanal brasileiro passa justamente por esse reconhecimento: conhecer a origem, respeitar o produtor e compreender que cada queijo possui características determinadas pelo leite, pelo animal, pelo território, pelo processo e pelo tempo de maturação. E, para que essa cultura avance, é fundamental formar profissionais.

Foi na taça, porém, que essa diversidade ganhou outra dimensão. Entre as combinações apresentadas, uma das mais surpreendentes foi o Gorgonzola Dolce com o Licoroso 10 Anos da Bella Quinta, de São Roque, São Paulo: a cremosidade, a salinidade e a intensidade do queijo azul encontraram na doçura e na complexidade do vinho licoroso o contraponto perfeito.

É exatamente esse o papel da educação: ensinar a olhar para o queijo — e também para o vinho — para além do produto. Valorizar os queijos artesanais significa valorizar produtores, territórios, raças, técnicas e histórias. Formar queijistas, assim como formar sommeliers, significa criar profissionais capazes de traduzir tudo isso para o consumidor. E quando queijo e vinho se encontram com conhecimento, a harmonização deixa de ser apenas uma combinação saborosa e passa a ser uma forma de contar histórias à mesa.




O mercado da diversidade como economia de impacto: por que pluralidade gera negócios



Por eu ser uma mulher negra, quando estou em uma sala desenhando algum projeto e tenho a oportunidade de falar sobre diversidade, as pessoas sempre acham que estou falando do recorte racial. Mas, quando falo de diversidade, não estou falando apenas da pauta racial, ainda que essa seja uma bandeira que carrego com propriedade.

A diversidade é um conceito maior, que abrange geração, território, deficiência, gênero, orientação sexual e tantos outros marcadores que se cruzam e se somam. Quando falamos de diversidade, também falamos dos direitos dessas pessoas, inclusive no mundo dos negócios, que, historicamente, não é nada acolhedor para essa população.

E é justamente aí que mora a virada de chave desta coluna e que me cabe esse papel importante como colunista: a diversidade não é só uma pauta social, é também uma pauta econômica.

O chamado pink money, que se refere ao poder de consumo da população LGBTQIAPN+, já é grande demais para ser ignorado. Segundo o estudo Rainbow Homes, da Nielsen, esse público movimentou R$ 18,7 bilhões no Brasil entre os primeiros trimestres de 2024 e 2023, um crescimento de 39% no período.

Falando pelo lado do empreendedorismo, os dados também são incríveis. Um levantamento do Sebrae mostra que 3,7 milhões de brasileiros LGBT+ possuem negócio próprio ou atuam como autônomos, e 24% da população LGBT+ empreende. A maioria, porém, ainda enfrenta desafios estruturais: 82% desses negócios faturam até R$ 81 mil por ano e 63% são liderados por pessoas entre 16 e 34 anos.

Entre pessoas trans e travestis, o cenário é ainda mais revelador. Entre elas, 70% já empreendem ou desejam abrir um negócio próprio, muitas vezes como resposta à dificuldade de conseguir vaga em empresas tradicionais.

Ou seja, diversidade não é discurso: é dado e mercado. Estamos falando de pessoas construindo renda, futuro e visibilidade a partir do próprio negócio.

Trazendo para meu campo com olhar empreendedor, apresento iniciativas e alguns dos negócios de pessoas empreendedoras LGBTQIAPN+. Se estamos falando de diversidade e inclusão, preciso trazer histórias reais para vocês e incentivá-los a consumirem e movimentarem essa economia.

Se no Brasil o movimento cresce, no Rio Grande do Sul ele também ganha corpo, inclusive em meio à reconstrução do Estado. Estou tendo a oportunidade de conexão com pessoas empreendedoras que têm me mostrado negócios de impacto social voltados ao público LGBTQIAPN+. Apresento três projetos para que conheçam:

Abalô Conexões Plurais
Mais do que divulgar negócios, a Abalô cria oportunidades. Sua plataforma funciona como um ponto de conexão e visibilidade para pequenos empreendedores, profissionais autônomos, empresas e iniciativas que, muitas vezes, ainda não possuem um site próprio ou uma presença digital estruturada.

Ao aproximar quem oferece produtos e serviços de quem busca fornecedores alinhados aos valores da diversidade, da inclusão e do respeito às diferenças, a Abalô amplia oportunidades de negócios e fortalece um ecossistema empreendedor mais plural e acessível. Paralelamente, desenvolve e coordena projetos de impacto social e oferece uma esteira de soluções que inclui palestras, workshops, consultorias, mentorias e experiências educativas voltadas à promoção da diversidade, da equidade e da inclusão.

Uma dessas soluções é o Jogo da Diversidade e Inclusão, uma metodologia desenvolvida pela Abalô para ser aplicada em workshops, treinamentos e vivências. Utilizando um jogo de tabuleiro cooperativo, a metodologia estimula o diálogo e a participação ativa. Em vez da competição, todos caminham juntos, fortalecendo valores como empatia, escuta, respeito e pertencimento.

Educatransforma
Um ecossistema de diversidade com foco na educação, empregabilidade e saúde de pessoas trans e demais grupos, com atuação nacional. O projeto se coloca como uma ponte entre as pessoas transgênero e o mercado de trabalho de tecnologia e inovação, formando e capacitando essas pessoas para que passem a atuar na área.

“Acredito em causas sociais, no impacto e na importância dos direitos humanos, principalmente de recortes mais vulnerabilizados na sociedade, por isso não meço e não medirei esforços para ser agente atuante na mudança que acredito no mundo, para nos tornarmos uma sociedade justa e equânime para todas as pessoas”, diz o CEO e fundador Noah Scheffel.

Transversal
É um Hub idealizado e especializado na população trans e travesti dentro da indústria musical. Atuam a partir da ideia de que a produção de eventos se torna ferramenta de transformação social, promovendo cultura, inclusão e visibilidade com protagonismo trans.

Trabalham também com um projeto fundamental chamado Coletivo Ponto de Vista. Em funcionamento desde 2024, o projeto social de cultura, diversidade e políticas foi feito pela e para a comunidade da Ilha da Pintada, em Porto Alegre, por vezes invisível quando se fala de acesso a políticas públicas e resiliência climática. Sendo duramente atingida com enchentes e inundações no RS, a comunidade recebe o projeto que visa garantir direitos e segurança para o território em caso de novos eventos climáticos.

Espero que conheçam e possam consumir os produtos e serviços dessa cadeia empreendedora, além de muitos negócios que temos no ecossistema. Eles são bem consolidados, com propósito muito claro e partem sempre de uma dor pessoal dos seus fundadores. Hoje, impactam e se consolidam como economia territorial, potencializando uma comunidade inteira.



Após críticas de Sheinbaum, governador do México acusado pelos EUA de ligação com narcotráfico deixa o cargo novamente



Rubén Rocha Moya, o governador mexicano acusado pelos Estados Unidos de ter vínculos com o narcotráfico, informou neste sábado (22) que vai deixar o cargo novamente após ter anunciado, na véspera, a retomada de suas funções.

O governista, que já tinha se afastado do posto em maio, divulgou no X um documento no qual solicitou ao Congresso do estado de Sinaloa uma "licença temporária em caráter indeterminado".

Críticas da presidente Sheinbaum

A presidente mexicana, Claudia Sheinbaum, se desvinculou do retorno de Rocha Moya ao cargo e, neste sábado, o criticou pela "arrogância" e por colocar seu "interesse pessoal" à frente do México.

Na sexta-feira, Rubén Rocha Moya, procurado por um tribunal americano por supostos vínculos com um cartel do narcotráfico mexicano, anunciou no X que reassumiria o governo do estado de Sinaloa, cargo que tinha deixado para ser investigado pelo Ministério Público mexicano.

Rocha Moya é um político próximo do ex-presidente Andrés Manuel López Obrador, antecessor de Sheinbaum e pai do atual movimento de esquerda no poder.

A presidente escreveu no X que "nunca nenhum interesse pessoal pode estar acima dos interesses do povo" e do México. "O poder sem princípios se torna arrogância; o poder sem limites, abuso", acrescentou, sem citar nomes.

Ao responder perguntas de jornalistas neste sábado, a presidente fez alusão à sua mensagem no X.

Reações e distanciamento político

Por causa de uma gripe forte, Sheinbaum cancelou sua coletiva de imprensa matinal na sexta-feira, mas reapareceu neste sábado, usando máscara.

Ela disse que não sabia que Rocha Moya voltaria ao cargo. "Soube por seu tuíte", disse a jornalistas. "Acabo de publicar uma postagem no X, nada mais, é tudo o que trago".

O governo, líderes parlamentares e o partido Morena, ao qual pertencem Sheinbaum e Rocha Moya, tinham se desvinculado da decisão do governador.

Analistas e veículos de imprensa mexicanos destacam este distanciamento incomum e evocam possíveis atritos internos pela proximidade do governador com López Obrador.

Análise política e pressões externas

Para o cientista político José Antonio Crespo, Rocha Moya precisou contar com o apoio do ex-presidente, o que colocaria Sheinbaum em meio a "pressões" de seu antecessor e as reivindicações do presidente americano, Donald Trump.

A mensagem de que Rocha Moya agiu sozinho, acrescentou Crespo, também foi um recado para Washington. "A presidente não quer arcar com a responsabilidade perante os Estados Unidos, mas não acredito que Trump acredite", disse ele à AFP.

Em sua coluna de política, o jornal El Universal mencionou a "irritação" do ex-presidente com Trump depois de Washington cancelar o visto de seu filho.

Acusações dos EUA e postura mexicana

O governador e nove políticos governistas são procurados pela justiça americana, que pela primeira vez visa políticos mexicanos no exercício de suas funções.

Donald Trump reclama com frequência que o México é governado por políticos ligados ao tráfico de drogas e tem insistido em oferecer apoio militar. O México tem pedido que os EUA interrompam o fluxo de armas para cartéis e rejeita qualquer tipo de "conflito", com a presidente Sheinbaum rejeitando qualquer intervenção militar.



No último lance, Matheus Pereira marca e Cruzeiro vence Flamengo por 2 a 1 no Mineirão



Foi com sabor de vingança a vitória do Cruzeiro sobre o Flamengo. Depois da eliminação na Libertadores, mineiros e cariocas se reencontraram neste sábado, pela 24ª rodada do Campeonato Brasileiro. O criticado Matheus Pereira, que esteve nos dois jogos das oitavas de final do torneio sul-americano, foi o grande herói ao marcar o gol da vitória mineira por 2 a 1 no último lance, levando o Mineirão à loucura.

O duelo teve clima de revanche, mas seguiu o panorama dos confrontos do mata-mata continental, com bons embates táticos e qualidade técnica. No meio de semana, o Flamengo levou a melhor vencendo por 2 a 1 no Maracanã e ficou com a vaga para as quartas de final, com o placar agregado de 3 a 2.

Impacto na tabela

O resultado ficou pior para o Flamengo, que perdeu a chance de assumir provisoriamente a liderança do Brasileiro, seguindo em segundo lugar, com 45 pontos, três a menos que o Palmeiras, que ainda atua na rodada. O time de Leonardo Jardim tem um jogo a menos, contra o Mirassol, ainda pela quarta rodada, marcado para o início de setembro.

Já o Cruzeiro está embalado, chegando à sua quarta vitória seguida e a 39 pontos, em quinto lugar. O time está na zona de classificação para a pré-Libertadores e na cola dos quatro primeiros colocados, por uma vaga direta.

Próximos compromissos

O Flamengo agora terá uma rara semana de folga, voltando a campo somente no próximo domingo (30). Na ocasião, o time carioca tem pela frente o clássico diante do Botafogo, às 16h, no Maracanã.

Já o Cruzeiro terá pela frente a Copa do Brasil, na terça-feira, diante do rival Atlético-MG, no jogo de ida das quartas de final, no Mineirão. Pelo Brasileiro, atua no próximo sábado, diante do Vasco, em São Januário.

O confronto

Assim como foi na quarta-feira pela Libertadores, o Cruzeiro encontrou muita dificuldade para neutralizar o meio de campo do Flamengo. O time mineiro frequentava o ataque, mas não conseguia entrar dentro da área e era vítima quando o adversário tinha a bola.

Até que Pedro, depois de desperdiçar grande oportunidade, não perdoou na segunda tentativa e abriu o placar após receber com liberdade dentro da área e bater no contrapé de Otávio.

O Flamengo, apesar da superioridade e do controle da partida, não teve efetividade para ampliar antes do intervalo. A bronca no vestiário surtiu efeito no Cruzeiro. Com outra postura, apertou nos minutos iniciais e chegou ao empate com um golaço de Arroyo, aos nove minutos. O equatoriano recebeu na ponta direita, cortou para o meio e mandou no ângulo.

Final emocionante

Após o gol, o jogo ficou morno, com muita disputa no meio de campo e poucas aparições no campo ofensivo. Na reta final, o duelo ganhou velocidade, com trocação franca entre os times, revezando em contra-ataques. Até que no último minuto, Romero escorou de cabeça e Matheus Pereira pegou de primeira, contou com desvio em Ortiz e virou a partida.



Moraes autoriza retomada de visitas de Carlos e Jair Renan a Bolsonaro



O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, autorizou nesta sexta-feira (22) a retomada das visitas de Jair Renan (PL) e Carlos Bolsonaro (PL) ao ex-presidente Jair Bolsonaro. O direito havia sido suspenso no dia 17 de agosto por descumprimento de medida cautelar imposta por Moraes a Bolsonaro.

Moraes havia suspendido as visitas de parentes a Bolsonaro na prisão domiciliar por 30 dias, e de Flávio Bolsonaro (PL), particularmente, por 90 dias.

Na época, o ex-presidente recebeu uma visita de seu filho Flávio Bolsonaro, que divulgou em suas redes sociais uma carta de cunho político escrita pelo ex-presidente. O político preso por determinação da Corte não pode usar as redes sociais, nem por via de terceiros, para fazer manifestações políticas.

Com a decisão, ficou mantida a suspensão das visitas de Flávio Bolsonaro, enquanto os demais filhos voltam a ter acesso autorizado.






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