Investidor estrangeiro retira R$ 22 bilhões da Bolsa em agosto e registra 3ª maior saída da história da B3

 


A retirada de investidores estrangeiros da Bolsa brasileira ganhou dimensão histórica em agosto de 2026. Até o dia 18, o saldo negativo de capital externo acumulava aproximadamente R$ 20,5 bilhões, segundo dados da B3, e já chega a R$ 22 bilhões no acumulado do mês considerando o fluxo total, de acordo com levantamento da Bloomberg.

O valor coloca agosto como o terceiro maior episódio de saída de recursos da B3 desde 2008, atrás apenas de fevereiro e março de 2020, período marcado pelo início da pandemia de Covid-19 e por uma liquidação generalizada de ativos de risco.

O movimento ganhou força no dia 11 de agosto, quando estrangeiros retiraram cerca de R$ 4,7 bilhões em um único pregão – o maior fluxo negativo diário desde fevereiro de 2021. Naquela sessão, o Ibovespa recuou 2,5% e voltou à região dos 167 mil pontos. Na semana entre 10 e 14 de agosto, a retirada foi de R$ 12,6 bilhões, a maior saída semanal desde 2008.

Segundo análise do JP Morgan, o episódio atual se enquadra entre os chamados períodos de “saída extrema”. Desde 2008, houve apenas nove meses em que a relação entre o fluxo líquido de estrangeiros e a capitalização do mercado brasileiro caiu abaixo de -0,3%. Em agosto, essa proporção chegou a -0,42%, nível comparável a períodos de forte estresse financeiro.

O banco também rebaixou sua recomendação para o Brasil de “compra” para “neutra”, citando deterioração das condições de crédito doméstico, perspectiva de juros elevados por mais tempo e aumento das incertezas com a aproximação das eleições presidenciais de 2026. A alta dos rendimentos dos títulos do Tesouro dos EUA e a valorização do dólar também aumentaram a competição pelo capital internacional.

Apesar do volume recorde, a Bolsa brasileira tem absorvido melhor a saída do que em crises anteriores. Enquanto em outubro de 2008 o Ibovespa caiu 24,8% e em março de 2020 recuou quase 30%, em agosto de 2026 a queda acumulada é de cerca de 5,6%, abaixo da média histórica de 11,3% observada nos episódios extremos.

Para o JP Morgan, o comportamento futuro ainda é incerto. Em oito dos nove casos de saída extrema desde 2008, o saldo de estrangeiros permaneceu negativo nos três meses seguintes. O banco avalia, porém, que parte substancial das vendas já pode ter sido realizada.

O movimento ocorre após um primeiro trimestre excepcionalmente forte, quando os estrangeiros aportaram R$ 53,4 bilhões na Bolsa brasileira, um dos maiores volumes trimestrais já registrados, após uma entrada de R$ 33,8 bilhões só no primeiro semestre.

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