Secretária da Copa Feminina de 2027 diz que Brasil precisa romper bolha e valorizar futebol de mulheres

 


A Secretária Extraordinária para a Copa do Mundo Feminina de 2027, Juliana Agatte, afirmou que não é possível sustentar a ideia do Brasil como o "País do futebol" valorizando apenas o futebol masculino.

A declaração foi feita nesta terça-feira, 05, durante o painel "Copa do Mundo Feminina FIFA 2027", no Summit Mulheres nas Profissões, em São Paulo, no Expo Center Norte. O evento, realizado pelo Grupo Mulheres do Brasil, reuniu profissionais para discutir liderança feminina e futuro do trabalho.

Mediado pela jornalista Anne Lottermann, o painel contou também com a ex-jogadora Formiga, a diretora de Futebol Feminino da Federação Paulista, Kin Saito, e a coordenadora de Seleções Femininas da CBF, Cristiane Gambaré.

Para Juliana, o Mundial que será sediado no Brasil tem potencial para ir além do esporte e impulsionar o turismo internacional, mas só fará sentido se ajudar a quebrar barreiras históricas.

"Tudo que a gente pode trazer do turismo internacional para consumir o futebol em um território que ele é paixão nacional. E que essa paixão nacional hoje tem um teto, porque não dá para falar em paixão nacional falando só de valorização do futebol masculino. Tem que ampliar falando também do feminino. Quando a gente fala de Copa do Mundo de Futebol Feminino, a gente rompe uma bolha e avança nesse momento que é ao mesmo tempo de resistência e legado", afirmou.

Memória e base

Kin Saito lembrou que o futebol feminino ainda carrega os efeitos da proibição que vigorou por décadas no país. Segundo ela, isso impediu que mulheres se vissem em outras funções no futebol, como treinadoras, árbitras, narradoras e gestoras.

A dirigente destacou que o Campeonato Paulista, o mais tradicional do país na modalidade, começou a ser estruturado em 1987 e hoje serve de modelo. Com dez anos de departamento feminino na FPF, a federação já registra mais meninas na base do que mulheres no adulto.

Legado de gerações

Diretora de Políticas de Futebol e de Promoção do Futebol Feminino no Ministério do Esporte, Formiga defendeu a criação de cursos para que ex-atletas possam fomentar a modalidade em seus estados.

"Necessitamos ingressar cada vez mais ex-atletas, tenhamos em cada Estado uma atleta pioneira que deseja fomentar o futebol feminino e que precisa desse curso", disse.

Em tom bem-humorado, ela afirmou que ainda espera uma convocação do técnico Arthur Elias para a Copa de 2027 e que jogaria "fácil". Para a ex-jogadora, o respeito à história das pioneiras é essencial para que a geração atual entenda o valor de jogar um Mundial em casa.

A coordenadora da CBF, Cristiane Gambaré, afirmou que sediar o torneio é uma honra e uma obrigação de planejamento para o departamento. Na avaliação dela, o Mundial deve alavancar o interesse de estados, federações e clubes pelas categorias de base e garantir frutos a longo prazo para a Seleção Brasileira.

A Copa do Mundo Feminina de 2027 será a primeira realizada no Brasil e, a 500 dias do evento, Porto Alegre, uma das sedes, já recebeu uma ilustração feita por artista local para marcar a contagem regressiva.

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