Entre crise e alívio, Grêmio vive semana decisiva na temporada

 


O Grêmio vive uma semana que pode redefinir seu segundo semestre. Em menos de sete dias, o time pode ficar com apenas uma competição no calendário ou, se avançar sobre o Mirassol na Copa do Brasil, entrar entre os oito melhores do torneio e ganhar fôlego para sair da zona de rebaixamento do Brasileirão.

O cenário atual resgata a frase de Renato Portaluppi em 2024, após empate com o Operário: "A gente não tem grupo para disputar três competições ao mesmo tempo". O nome de Renato, inclusive, foi gritado por parte da torcida na Arena na última quarta-feira, após vaias a Luís Castro, que volta à Arena nesta terça.

Desde a chegada de Castro, o vestiário mudou muito, com mais de 20 saídas e várias chegadas, como a do meia croata Filip Krovinovic, que será apresentado nesta segunda. Em campo, porém, o time somou três derrotas e dois empates após a pausa da Copa do Mundo, mantendo a insegurança que já existia antes.

A encruzilhada divide opiniões de quem conhece o clube.

"Estar em três competições ao mesmo tempo sempre gera muito desgaste não somente físico, muito desgaste emocional. Geralmente estar em somente em uma competição é depositar toda energia nela e te dá uma vantagem significativa. Por outro lado, abrir mão de tentar dentro do projeto desportivo do clube a busca pela conquista de uma competição dentro de um ano instável também pode afastar o torcedor", avalia o técnico Roger Machado.

Ex-capitão da geração vitoriosa, Maicon entende a situação, mas defende foco jogo a jogo: "Hoje a situação que o Grêmio se encontra para não correr risco de rebaixamento, o ideal é se concentrar apenas no Brasileiro. Só que é impossível você ir pra uma competição que o Grêmio tem tradição que é a Copa do Brasil e jogar para perder. Isso só iria aumentar ainda mais a pressão".

Para parte da direção, abrir mão da Copa seria inadmissível. "É preciso o Grêmio ter a grandeza do Grêmio. Deve ter participação nas duas competições com força total. A Copa do Brasil é uma competição que o Grêmio pode tentar ganhar porque são jogos de mata-mata e nossa tradição é neste tipo de competição. Pensar em abandonar a Copa do Brasil para focar no Brasileirão seria uma vergonha", diz o ex-vice de futebol Antônio Vicente Martins.

Na mesma linha, o ex-conselheiro Homero Bellini Junior: "Já caímos fora da Sul-Americana que era o título que eu mais ambicionava. Um clube da estrutura do Grêmio, mesmo com as dificuldades, não pode abrir mão de competição. Se passar do Mirassol, estará a cinco jogos de ser campeão".

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