Guerra do Paraguai (1864-1870): O maior conflito da América do Sul
A Guerra do Paraguai, também chamada de Guerra da Tríplice Aliança na Argentina e Uruguai e de Guerra Grande no Paraguai, foi o maior conflito armado internacional da América Latina. Ocorreu de 27 de dezembro de 1864 a 8 de abril de 1870, entre o Paraguai e a Tríplice Aliança formada pelo Império do Brasil, Argentina e Uruguai.
Resultado: Vitória da Tríplice Aliança, ocupação do Paraguai por quase 10 anos, perda de cerca de 40% do território reivindicado pelo Paraguai e morte de até 300 mil paraguaios.
Como começou
O conflito tem raízes na disputa pela hegemonia na Bacia do Prata. Em 1864, o Brasil interveio militarmente no Uruguai para depor o governo Blanco de Atanasio Aguirre, aliado do ditador paraguaio Francisco Solano López.
Solano López, que vinha modernizando seu exército com 80 mil homens e ambicionava formar o "Grande Paraguai" anexando áreas da Argentina, Uruguai e do Brasil, protestou contra a invasão brasileira. Como resposta, em 11 de novembro de 1864 aprisionou no porto de Assunção o vapor brasileiro Marquês de Olinda, que levava o presidente da província de Mato Grosso. Em 13 de dezembro declarou guerra ao Brasil e invadiu Mato Grosso.
Quando a Argentina negou permissão para as tropas paraguaias cruzarem Corrientes para atacar o Rio Grande do Sul, López também declarou guerra à Argentina em março de 1865. Brasil, Argentina e Uruguai assinaram secretamente em 1º de maio de 1865 o Tratado da Tríplice Aliança.
As fases da guerra
1. Ofensiva paraguaia (1864-1865): O Paraguai ocupou o sul de Mato Grosso, Corrientes e invadiu São Borja, Itaqui e Uruguaiana no Rio Grande do Sul. A reação começou com a Batalha Naval do Riachuelo, em 11 de junho de 1865, quando a esquadra do almirante Barroso destruiu a marinha paraguaia e garantiu o controle dos rios aos Aliados. Em setembro de 1865, os paraguaios cercados em Uruguaiana se renderam a D. Pedro II, Mitre e Flores.
2. Invasão do Paraguai e estagnação (1866-1867): Os Aliados, com 42 mil homens, cruzaram o Paraná em abril de 1866. Apesar de vitórias em Estero Bellaco, a Batalha de Tuiuti em 24 de maio de 1866 - a mais sangrenta da América do Sul, com 12 mil baixas paraguaias - deteve López. O desastre de Curupaiti em setembro de 1866, com 8 mil baixas aliadas contra 250 paraguaias, paralisou a ofensiva por 10 meses.
3. Comando de Caxias e virada (1867-1868): Doente e desorganizado, o exército aliado foi reorganizado pelo Duque de Caxias, nomeado comandante em outubro de 1866. Caxias treinou as tropas, melhorou a saúde e fez a manobra de flanco que isolou a Fortaleza de Humaitá. Em 19 de fevereiro de 1868, os encouraçados brasileiros forçaram a passagem de Humaitá. A fortaleza caiu em 25 de julho.
4. Dezembrada e fim (1868-1870): Caxias fez a Manobra de Piquissiri, contornando as linhas paraguaias pelo Chaco. Em dezembro de 1868, venceu as batalhas de Itororó, Avaí e Lomas Valentinas. Assunção foi ocupada em 1º de janeiro de 1869. Um governo provisório pró-Brasil foi instalado.
Solano López fugiu para a Cordilheira com o que restava do exército - incluindo crianças e idosos. A campanha final foi liderada pelo Conde d'Eu. López foi morto em 1º de março de 1870 em Cerro Corá, pelas tropas do general Câmara, após recusar rendição.
Consequências
Para o Paraguai: Catástrofe demográfica. De uma população de 420 a 450 mil pessoas, sobraram entre 150 e 160 mil em 1871, sendo apenas 28 mil homens adultos. Alguns cálculos apontam até 69% de mortos por combates, fome e doenças como o cólera. O país perdeu 156.415 km² para Brasil e Argentina, ficou ocupado até 1876 e pagou indenização de guerra perdoada apenas em 1943 por Getúlio Vargas.
Para o Brasil: O Império atingiu o auge militar, mas a um custo enorme: 614 mil réis, 50 mil mortos de 146 mil combatentes, endividamento público e o fortalecimento do Exército como força política, o que levaria à proclamação da República em 1889. A guerra também acelerou o fim da escravidão, já que milhares de escravos foram alforriados para lutar.
Para Argentina e Uruguai: A Argentina consolidou seu Estado nacional e garantiu Misiones e Formosa. Perdeu 30 mil homens. O Uruguai perdeu 3,1 mil de 5,6 mil combatentes e os Colorados se mantiveram no poder até 1958.
As fronteiras atuais foram definidas pelos tratados de Loizaga-Cotegipe (1872) com o Brasil e Irigoyen-Machaín (1876) com a Argentina, com arbitragem do presidente americano Rutherford B. Hayes para o Chaco Boreal - homenageado no departamento Presidente Hayes, no Paraguai.

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