Pneumo 20 no SUS: o que você precisa saber sobre a nova vacina

 



Expectativa é que distribuição do imunizante chegue a 6,1 milhões de doses até o fim do ano

02/07/2026 | 17h38 – Estadão Conteúdo

A vacina pneumocócica 20-valente, a Pneumo 20, já está chegando ao SUS. O Ministério da Saúde começou a distribuir as primeiras 514 mil doses e a meta é entregar 6,1 milhões até dezembro.

Incorporada ao SUS em 3 de junho, a Pneumo 20 vai substituir aos poucos a Pneumo 10 no calendário infantil. A ideia é simples: proteger mais e evitar hospitalizações, sequelas e mortes causadas pelas infecções por pneumococo.

Os números mostram a importância. Segundo a OMS, a doença pneumocócica é a principal causa de mortalidade infantil por doença que dá para prevenir com vacina. No Brasil, entre 2023 e 2025, foram 4,6 mil casos de meningite pneumocócica e 1,4 mil mortes. Só entre crianças menores de 5 anos, foram 616 casos e 188 óbitos no mesmo período.

O que é a Pneumo 20?
Ela protege contra 20 sorotipos do pneumococo, a bactéria Streptococcus pneumoniae. Esse bichinho pode causar desde otite e sinusite até quadros graves como pneumonia, meningite e sepse.

Juarez Cunha, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), explica que o “20” no nome indica quantos sorotipos estão cobertos. Existem mais de 100 tipos da bactéria, e a vacina nova busca proteger contra os mais perigosos.

Qual a diferença para a Pneumo 10?
Basicamente, o dobro de proteção. A Pneumo 10 cobre 10 sorotipos; a Pneumo 20, 20.

Para Cunha, é um “avanço importante”. “Desde a introdução da Pneumo 10, vimos crescer outros sorotipos que ela não cobria, principalmente o 19A e o 3. Eles viraram os principais causadores de doenças graves pelo pneumococo, especialmente meningite”, diz.

Quem vai poder tomar a Pneumo 20 pelo SUS?

  • Crianças menores de 5 anos;
  • Indígenas com mais de 5 anos sem histórico de vacina pneumocócica conjugada;
  • Idosos com 60 anos ou mais acamados e/ou institucionalizados;
  • Pessoas com condições clínicas especiais atendidas nos Centros de Referência para Imunobiológicos Especiais (CRIE).

Cunha destaca que quem tem doença crônica ou imunidade baixa está entre os que mais ganham com a proteção ampliada.

Como fica o esquema vacinal durante a transição?
Enquanto ainda houver Pneumo 10 no estoque, o calendário infantil fica assim:

  1. Uma dose da Pneumo 20 aos 2 meses;
  2. Uma dose da Pneumo 10 aos 4 meses;
  3. Uma dose de reforço da Pneumo 20 aos 12 meses.

O reforço precisa ser dado com pelo menos 60 dias de intervalo depois da segunda dose. Até a transição acabar, as vacinas 13-valente (VPC13) e 23-valente (VPP23) continuam sendo usadas em casos específicos. Depois, só a Pneumo 20.

Quem já tomou a Pneumo 10 precisa da nova?
Depende. Se a criança começou o esquema e ainda não terminou, pode completar com a Pneumo 20 nesse período de transição.

Mas quem já fez todo o esquema com a Pneumo 10 não vai receber dose extra pelo SUS, a não ser que faça parte dos grupos do CRIE por alguma condição clínica especial.

A vacina é segura? Dá reação?
Sim. A Pneumo 20 já era usada na rede privada e usa uma tecnologia conhecida no combate ao pneumococo.

“Como qualquer vacina, podem ocorrer eventos adversos. Mas, em geral, são leves e locais”, afirma Cunha. O mais comum é dor, vermelhidão e inchaço no lugar da aplicação. Febre e mal-estar podem aparecer nos dois ou três primeiros dias, e passam rápido.

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