Organizadora de evento de rope jump é indiciada por homicídio após morte de jovem em Limeira
Evelyne dos Santos Gonçalves, 43, foi indiciada pela Polícia Civil por homicídio qualificado por motivo torpe e fraude processual. Ela organizou o evento de rope jump em que Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, 21, morreu após saltar da Ponte do Esqueleto, em Limeira (SP), no dia 13 de junho. A polícia também pediu a conversão da prisão temporária de Evelyne em preventiva. A defesa afirma que discorda do indiciamento.
Segundo inquérito é concluído
A delegada Andréa Dantas Levy concluiu o segundo inquérito do caso na terça-feira, 30. No relatório, ao qual o Estadão teve acesso nesta quinta-feira, 2, ela decidiu não indiciar João Antonio Pivetta Ribeiro da Silva, 35, e Gabriel Barros Martins, 30, por falta de provas. Os dois estavam presos temporariamente desde 20 de junho e a delegada solicitou à Justiça a revogação das prisões.
Primeiro inquérito já havia indiciado três instrutores
Em 22 de junho, a polícia já tinha indiciado por homicídio com dolo eventual Luis Felipe Feliciano Egoroff, 32, Maicon Fernandes Cintra, 42, e Vitor de Freitas Gonçalves, 27. Eles aparecem em vídeo lançando Maria Eduarda sem as cordas de segurança e seguem presos preventivamente em Guarulhos.
Corda foi esquecida no chão
No dia do acidente, a corda que deveria estar presa ao corpo da jovem ficou no chão. Vídeos que circulam nas redes sociais mostram o momento em que Maria Eduarda é arremessada de 40 metros de altura. Pessoas que aguardavam o salto perceberam a ausência do equipamento e se desesperaram. O socorro foi acionado, mas ela morreu no local.
Delegada aponta falhas estruturais
Segundo o relatório, laudos, depoimentos e vídeos comprovam que a vítima foi submetida à prática conhecida como “aviãozinho” sem estar conectada ao sistema de segurança. Em depoimento, Evelyne disse que tinha apenas funções “meramente administrativas”, cuidando do atendimento e da divulgação.
Para a investigação, no entanto, ela integrava a estrutura que organizava os eventos, controlava participantes, geria a logística e a divulgação comercial, “exercendo relevante influência sobre a continuidade das operações”.
A delegada afirma que não houve erro isolado, mas “manutenção consciente de atividade de elevado risco” marcada por falhas estruturais, falta de protocolos formais de conferência e definição de atribuições. A equipe era paga por evento. No dia, entre 90 e 100 pessoas estavam inscritas. Evelyne não soube precisar se o salto da jovem foi o 15º ou 17º, por falta de controle.
Câmera desaparecida
A polícia ainda não identificou quem retirou a câmera acoplada ao corpo da vítima, que gravou o salto. O equipamento não foi localizado. João Antonio Pivetta chegou a ser preso sob suspeita de sumir com a câmera, mas o inquérito não encontrou indícios suficientes. Em carta, ele negou a acusação.
Quanto a Evelyne, o relatório indica que ela demonstrou “manifesta preocupação” em recuperar a câmera, “potencialmente apta a registrar a integralidade da dinâmica dos fatos”. Uma testemunha relatou que ela mencionou a necessidade de apagar o vídeo. A investigada também admitiu ter desativado um perfil da atividade em rede social logo após o caso. Para a delegada, isso pode indicar tentativa de restringir acesso a registros relevantes.
Outros dois homens investigados também não foram indiciados por falta de provas e não chegaram a ser presos. Gabriel Barros Martins era integrante eventual da equipe e, segundo a polícia, não tinha como ver a ausência das cordas no momento do salto.
Defesas se manifestam
O advogado Maurício Marchiori, que defende Evelyne, disse que recebeu a conclusão “com respeito, mas discorda do indiciamento”. Ele afirmou que a manifestação será submetida ao Ministério Público e ao Judiciário e que as teses da defesa serão apresentadas “no momento oportuno”.
Já os advogados Vitor Aurélio e Ana Flávia de Almeida Foguel, de João Antonio Pivetta, afirmaram que “inexiste qualquer envolvimento” do cliente com o desaparecimento da câmera, o que foi confirmado pelo relatório. Segundo eles, João sofreu “julgamento antecipado” e ficou preso “de forma ilegal”, devendo ser indenizado pelo período.
A reportagem tenta contato com as demais defesas.
Fonte: Estadão Conteúdo – 02/07/2026, 20:46

Comentários
Postar um comentário