Governador Eduardo Leite diz que sequência de 10 homicídios em seis dias foi “episódio isolado”

 


Durante agenda em Alvorada, Leite afirmou que o Estado teve queda nos índices de criminalidade no semestre

02/07/2026 | 19h02 – Renê Almeida

O governador Eduardo Leite chamou de “pontual” a sequência de 10 homicídios registrados em Porto Alegre entre os dias 23 e 29 de junho. Em agenda em Alvorada, na Região Metropolitana, nesta quinta-feira, ele reforçou que, mesmo com o caso recente, o Rio Grande do Sul fechou o primeiro semestre com redução no número de homicídios em comparação com o mesmo período de 2025.

“Você não pode pegar uma situação pontual e dizer que há um problema grave. Mesmo com o episódio que tivemos na semana passada, que ainda está sendo investigado, e cuja correlação entre os crimes também é apurada, o mês de junho deste ano terá registrado algo entre 15% e 20% menos homicídios do que no ano passado, mesmo considerando esse episódio isolado”, afirmou.

Os crimes aconteceram em diferentes bairros da Capital. A suspeita da polícia é de que estejam ligados a uma disputa entre facções.

“Claro que esse episódio preocupa e o Estado age sobre ele. Colocamos imediatamente em prática o protocolo de medidas para situações como essa. Os grupos criminosos sabem que o Estado está agindo, e nós buscamos restringir sua possibilidade de atuação. Ainda estamos avaliando quais foram as condições que levaram a isso, mas não dá para isolar essa situação de alguns dias e tentar construir um contexto geral de agravamento da criminalidade no Estado, porque essa não é a realidade”, disse Leite.

Sequência de homicídios
A onda de violência começou no dia 23 de junho, com o duplo homicídio de Gabriel Becker de Farias, 30 anos, e Therick Eduardo da Cruz Melo, 25, na Vila Pedreira, no bairro Cristal. A investigação aponta que o crime teria sido cometido pela facção Bala na Cara.

Nos dias seguintes, outros casos se somaram: dois jovens mortos no bairro Mário Quintana; uma chacina com três vítimas no Passo das Pedras; e mais duas execuções, uma na Vila Jardim e outra no Coronel Aparício Borges. A polícia ainda apura se a morte de Jaider Torrão Ferreira Júnior, em frente a uma clínica no bairro Santana, também tem relação com a mesma sequência.

A Polícia Civil ainda não confirma oficialmente a ligação entre todos os casos, mas a principal linha de investigação trata de uma série de represálias entre facções rivais que disputam território em Porto Alegre.

Protocolo e prisões
Para conter a escalada, o governo acionou o Protocolo das Sete Medidas de Enfrentamento aos Homicídios. A ação integrada entre Brigada Militar, Polícia Civil e Polícia Penal já levou à prisão de pelo menos 22 pessoas na Capital.

O balanço parcial da Operação Saturação, dentro do Protocolo de Dissuasão Focada, registrou ainda a apreensão de três adolescentes e a retirada de oito armas de fogo de circulação entre 26 e 29 de junho.

Segundo o Comando de Policiamento da Capital, foram quatro prisões na sexta-feira, 26, sete no sábado, cinco no domingo e outras seis na segunda, totalizando 22. Nesse período, foram apreendidas oito armas — quatro pistolas, três revólveres e uma submetralhadora — além de munições, drogas e materiais usados por grupos criminosos.

Entre as ações está a saturação policial nas regiões onde os homicídios ocorreram, com aumento da presença ostensiva para evitar novos ataques e represálias. Em paralelo, a Polícia Civil intensificou as investigações, usando informações de inteligência da Brigada Militar para identificar os responsáveis e a facção envolvida.

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