PT aciona PGR contra Flávio Bolsonaro após carta de Marco Rubio
Partido pede investigação por suspeita de corrupção passiva e violação de sigilo funcional
30/06/2026 | 19h51 – Estadão Conteúdo
O PT apresentou nesta terça-feira, 30, uma representação criminal contra o senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O pedido foi encaminhado à Procuradoria-Geral da República (PGR) e solicita que o Ministério Público Federal investigue se o parlamentar cometeu os crimes de corrupção passiva, crimes contra a soberania nacional e violação de sigilo funcional.
Base da representação
A ação do PT se baseia em uma carta enviada a Flávio pelo secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio. No documento, Rubio agradece ao senador por colocar uma equipe de transição "à disposição" dos EUA caso eleito em 2026 e elogia o "apoio" de Flávio à decisão do governo Trump de classificar facções criminosas brasileiras como organizações terroristas.
Para o PT, o conteúdo indica que Flávio manteve tratativas diretas com o governo norte-americano sobre temas de interesse do Estado brasileiro, o que configuraria afronta à soberania nacional.
"O conteúdo expõe, com clareza, que houve tratativa direta entre um parlamentar brasileiro e potência estrangeira, na qual o agente público nacional parece ter oferecido, como contrapartida ou gesto de aproximação e auxílio em campanha eleitoral por Estado estrangeiro, dados e informações tratadas como sigilosas pelo Estado brasileiro", afirma a representação. O texto ainda destaca que o senador "afirmou-se certo de sua vitória no pleito presidencial de 2026".
Pedidos do PT
O partido argumenta que integrantes de uma equipe de transição têm acesso a informações estratégicas da administração federal e que esses dados não poderiam ser negociados com outro país. A legenda também ressalta que, em diversas oportunidades, Flávio manifestou interesse em obter auxílio de representantes estrangeiros em sua eleição.
A representação pede a abertura de inquérito policial e a requisição do inteiro teor da carta de Marco Rubio, do ofício enviado por Flávio e de eventuais comunicações entre o senador e autoridades estrangeiras. O PT quer apurar se, em razão do cargo, ele teve acesso a informações sigilosas e se "tais informações foram, ou seriam", compartilhadas com governo estrangeiro.
O objetivo, segundo o PT, é averiguar se o parlamentar solicitou "auxílio indevido em sua campanha eleitoral ou qualquer outra vantagem indevida, em troca da promessa de compartilhar dados sensíveis obtidos pelo processo de transição."
Contexto
No início do mês, Flávio disse ter enviado a Rubio uma carta pedindo que os EUA desistissem de impor novas tarifas a produtos brasileiros. A resposta do secretário, datada de 23 de junho, reitera o tarifaço e agradece a agenda cumprida por Flávio em Washington no fim de maio.
Em 16 de junho, a Primeira Turma do STF condenou Eduardo Bolsonaro, irmão de Flávio, por coação no curso do processo. Por unanimidade, os ministros entenderam que o ex-deputado atuou para estimular sanções dos EUA contra autoridades brasileiras, buscando pressionar a Corte. A acusação da PGR apontou que o objetivo era interferir no julgamento da trama golpista, que levou à condenação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Foram citadas a articulação para suspensão de vistos de ministros do Supremo pelos EUA, a defesa da aplicação da Lei Magnitsky contra Alexandre de Moraes e o apoio a medidas tarifárias contra o Brasil.
Eduardo foi sentenciado a quatro anos e dois meses de prisão, em regime inicial semiaberto. A Defensoria Pública da União, que o representa após ele não indicar advogado, ainda pode recorrer.

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