Durigan: “Quem tem que cuidar de segurança pública no Brasil são os brasileiros”
Ministro critica sanções dos EUA contra brasileiros por suposta ligação com o PCC e diz que influência externa pode atrapalhar economia e combate ao crime
01/07/2026 | 23h11 – Estadão Conteúdo
O ministro da Fazenda, Dario Durigan, reagiu nesta quarta-feira às primeiras sanções anunciadas pelo governo dos Estados Unidos contra brasileiros e empresas por suposta ligação com o Primeiro Comando da Capital (PCC). Para ele, a segurança pública no Brasil é responsabilidade do próprio país.
“Quem tem que cuidar de segurança pública no Brasil são os brasileiros. É a polícia brasileira, são os investigadores brasileiros, é o Coaf, é a Receita Federal”, afirmou Durigan em entrevista à Record, com trechos exibidos pelo Jornal da Record.
Durigan defende que outros países ajudem no combate ao crime, mas dentro dos canais de cooperação internacional, compartilhando informações que possam fortalecer as investigações. O problema, segundo ele, é quando ações unilaterais atingem quem está dentro da lei.
“E se eles, americanos, a pretexto de quererem combater o Comando Vermelho e o PCC, atingirem uma empresa legal? Esse é o problema, o cidadão não sabe como recorrer”, questionou o ministro.
Nesta quarta, o governo americano anunciou as primeiras sanções contra brasileiros e empresas desde que classificou o PCC como organização terrorista internacional. Foram atingidos dois brasileiros, três empresas com sede no Brasil e uma companhia em Portugal, acusados de participar de um esquema de lavagem de dinheiro ligado à facção.
De acordo com o Departamento do Tesouro dos Estados Unidos, o grupo teria movimentado mais de US$ 30 milhões vindos do tráfico internacional de drogas e de outras atividades ilícitas. No comunicado, o governo Donald Trump voltou a chamar o PCC de “maior organização criminosa transnacional do Hemisfério Ocidental” e afirmou que a facção representa uma “ameaça significativa à segurança nacional dos EUA”. Além disso, acusou o grupo de usar o sistema financeiro americano para lavar dinheiro.
Para Durigan, o Brasil não pode abrir mão de conduzir o próprio enfrentamento ao crime organizado. A preocupação é que medidas externas, sem diálogo, acabem prejudicando empresas legítimas e a economia do país.

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