Flávio Bolsonaro cobra voto de Cármen Lúcia em julgamento sobre investigação de Moraes

 


Senador afirma que decisão da ministra impactará sua trajetória no STF e convoca ato de 7 de Setembro.

O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL) cobrou neste domingo uma posição da ministra Cármen Lúcia, do Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento que deve analisar a abertura de investigação contra o ministro Alexandre de Moraes.

Em transmissão no Instagram, Flávio disse esperar que a ministra vote a favor da investigação e associou a decisão à trajetória dela na Corte.

"Quero muito ver como vai ser a votação da ministra Cármen Lúcia nesse julgamento agora na semana que vem. Como é que ela, sempre defensora da democracia, da liberdade, que sempre foi contra a impunidade, como é que ela vai se colocar agora. Se vai proteger o Brasil, a democracia e o próprio Supremo Tribunal Federal ou se vai proteger o Alexandre de Moraes porque é seu coleguinha ali de plenário e acha que ele também tem que estar acima dele", afirmou.

Na sequência, o senador dirigiu-se diretamente à magistrada: "Então, Cármen Lúcia, o Brasil está aguardando para ver como vai ser o seu voto na semana que vem, se a senhora vai autorizar que o Alexandre de Moraes seja formalmente investigado ou se a senhora vai passar a mão na cabeça dele com tudo isso que já veio à tona. Vai ficar muito ruim para sua história, para a sua biografia", disse.

Durante a live, Flávio convocou apoiadores para o ato previsto para esta segunda-feira, 7 de setembro, e relacionou a mobilização à possibilidade de investigação de Moraes no STF: "Se a manifestação tiver bastante gente, eu sei que lá dentro do Supremo tem algumas pessoas que são sensíveis a essa pressão popular".

Ele afirmou ainda que o STF não pode ser um ambiente de proteção a Moraes e que "tem que ser uma proteção da instituição, tem que ser uma proteção da democracia e da Constituição do nosso País".

Entenda a tensão na Corte

O clima no STF se intensificou após a revelação de mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, que mostrariam conversas sobre detalhes da Operação Compliance Zero dias antes da prisão do banqueiro.

André Mendonça, relator do caso Master no Supremo, liberou o sigilo de informações da Polícia Federal que continham as mensagens. Após as revelações, Moraes usou o inquérito das fake news para acusar Mendonça de improbidade administrativa, abuso de autoridade e crime de responsabilidade.

O voto de Cármen Lúcia pode ser determinante nas análises que o plenário deve fazer sobre a conduta dos ministros.



Em pronunciamento de 7 de Setembro, Lula critica ingerência externa e diz que Brasil não será colônia



Presidente exalta riquezas naturais, marco das terras raras e associa soberania a direitos sociais.

Em pronunciamento gravado para o Dia da Independência e exibido neste domingo, 6, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva adotou um tom de exaltação ao orgulho nacional e alertou contra tentativas de ingerência de potências estrangeiras nos rumos econômicos e políticos do país.

Ao relembrar a história da independência, Lula afirmou que a data vai além do grito de Dom Pedro I às margens do Ipiranga e representa a luta de nomes históricos como Tiradentes, Maria Quitéria, Maria Felipa e Joana Angélica contra a tirania e a escravidão. Para o presidente, defender a soberania hoje é preservar as instituições democráticas e o controle sobre os recursos estratégicos.

Recursos naturais e transição energética

Lula destacou o potencial produtivo e ambiental do Brasil, citando as reservas de água doce, as recentes descobertas no setor petrolífero e o fato de o país deter a segunda maior reserva de terras raras do mundo.

O presidente mencionou a aprovação do marco legal das terras raras no Congresso, argumentando que a exploração desses minerais críticos deve ser voltada para reindustrialização, desenvolvimento de tecnologia de ponta e geração de empregos.

"Não somos colônia"

Em um dos trechos mais duros, Lula rechaçou qualquer tutela de governos estrangeiros sobre a política comercial brasileira.

"Não podemos baixar a cabeça diante de potências estrangeiras que querem transformar o Brasil novamente em colônia. Não somos colônia e não seremos colônia de ninguém", declarou.

O presidente afirmou que o Brasil defende o livre comércio e a diplomacia pacífica e que nenhuma nação externa pode ditar com quem o país pode comprar ou vender.

Soberania e direitos sociais

Lula também associou soberania às condições de vida da população. Segundo ele, um país só é plenamente soberano quando assegura acesso à saúde pública, educação gratuita de qualidade, trabalho digno e a erradicação da fome e da pobreza.

Ao encerrar, reforçou o papel do Brasil na liderança do combate à emergência climática e na transição energética, elogiou a biodiversidade da Amazônia e parabenizou a população pelo 7 de Setembro.

Confira a íntegra do pronunciamento:

"Minhas amigas e meus amigos,

amanhã, 7 de setembro, é dia de comemorar a Independência do Brasil.

Para além do grito de Dom Pedro I às margens do Rio Ipiranga, a Independência do Brasil foi uma dura conquista de homens e mulheres que deram suas vidas nas batalhas contra a tirania, a escravidão e a injustiça social.

De Tiradentes, herói da Inconfidência Mineira, a Maria Quitéria, Maria Felipa e Joana Angélica, heroínas do 2 de julho na Bahia.

Defender a Independência do Brasil é defender nossa soberania e nossa democracia.

Mais do que nunca, é preciso lutar pelo que é nosso.

Temos a segunda maior reserva de terras raras do mundo, e a maior fonte de água doce.

No último mês, descobrimos uma nova e rica reserva de petróleo.

Nossas riquezas devem servir ao futuro do povo brasileiro.

Foi aprovado no Congresso Nacional o marco legal que permitirá ao Brasil transformar as enormes reservas de minerais críticos e terras raras em desenvolvimento e riqueza para o povo brasileiro.

Recursos naturais que, da mesma forma que o nosso petróleo, devem ser usados para o desenvolvimento de tecnologia de ponta e geração de empregos de qualidade no Brasil.

Por isso, não podemos baixar a cabeça diante de potências estrangeiras que querem transformar o Brasil novamente em colônia.

Não somos colônia e não seremos colônia de ninguém.

Minhas amigas e meus amigos,

um país soberano é aquele capaz de defender seu território, suas fronteiras, seu meio ambiente, suas riquezas e seu povo de quaisquer interesses estrangeiros.

Um país soberano é aquele capaz de criar as oportunidades que o seu povo precisa para conquistar a própria independência.

A independência financeira, a independência de poder estudar e pensar livremente, escolher a melhor profissão e o melhor emprego.

Ter mais tempo para si mesmo e para sua família.

A independência de contar, como previsto na Constituição Federal, com saúde pública de qualidade e a melhor educação gratuita para seus filhos.

E de viver em um país livre da fome, da pobreza e de todas as formas de desigualdade, com direitos para todos, em vez de privilégios para poucos.

Minhas amigas e meus amigos,

o Brasil trabalha pela paz mundial e a harmonia entre as nações.

Defendemos o livre comércio. Nenhum governante estrangeiro tem o direito de dizer de quem podemos comprar e para quem podemos vender.

Somos um país soberano, e nossas decisões pertencem a nós e a mais ninguém.

Temos motivos de sobra para nos orgulharmos do nosso país.

Temos na Amazônia uma das maiores biodiversidades do planeta.

Somos exemplo na defesa do meio ambiente.

Nossa riqueza cultural encanta o mundo.

Somos referência mundial em transição energética e no enfrentamento da emergência climática que ameaça o futuro da humanidade.

E temos cada um e cada uma de vocês, que formam o extraordinário povo brasileiro, um dos mais admirados em todo o planeta.

Um feliz Dia da Independência, e que Deus continue abençoando o nosso Brasil".

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