Jornal dos EUA diz que ex-presidente do Irã está em prisão domiciliar por suspeita de ligação com Israel
The New York Times afirma que Mahmoud Ahmadinejad foi detido pela Guarda Revolucionária após supostas reuniões secretas com o Mossad
O ex-presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, está em prisão domiciliar sob custódia da divisão de inteligência da Guarda Revolucionária Islâmica, segundo reportagem do jornal americano The New York Times publicada nesta segunda-feira, 13 de julho. A informação foi atribuída a autoridades iranianas.
De acordo com o jornal, Ahmadinejad está sob vigilância após autoridades do Irã descobrirem supostas interações do ex-presidente com agentes de inteligência de Israel. A situação dele era incerta desde o início da guerra envolvendo EUA, Israel e Irã.
Suposto plano de recrutamento
O NYT afirma que Israel teria desenvolvido, nos últimos anos, um plano para recrutar Ahmadinejad como ativo de inteligência e, futuramente, usá-lo como líder do Irã em uma eventual mudança de regime.
A reportagem diz que o ex-presidente participou de reuniões secretas com agentes israelenses em Budapeste, na Hungria, e que o então chefe do Mossad, David Barnea, chegou a se encontrar pessoalmente com ele.
O jornal relata ainda que, no fim de fevereiro, nos primeiros dias do conflito, Ahmadinejad foi retirado de sua residência em Teerã por agentes do Mossad após um ataque aéreo israelense atingir o complexo onde vivia. Segundo autoridades americanas e iranianas ouvidas pela publicação, o objetivo era colocá-lo em segurança para executar um plano de mudança de regime, que acabou fracassando.
No início da guerra entre Irã, Israel e Estados Unidos, a CNN Brasil havia informado, com base na agência estatal iraniana ILNA, que Mahmoud Ahmadinejad teria sido morto em um ataque aéreo em Teerã.
Governo Ahmadinejad
Mahmoud Ahmadinejad foi presidente do Irã por oito anos, de 2005 a 2013. Inicialmente, era favorito do clero xiita e de alas conservadoras do Parlamento. No fim do mandato, porém, enfrentou críticas por sua política nuclear, que resultou em sanções e crise econômica.
Ahmadinejad foi alvo de críticas internacionais por declarações antissemitas. Durante sua gestão, o Irã ficou isolado devido a ameaças militares contra Israel e à negação do Holocausto.
Mesmo visto no início como um dos favoritos do aiatolá Ali Khamenei, perdeu apoio ao tentar ampliar os poderes da presidência em detrimento da liderança clerical. Em 2011, entrou em conflito aberto com Khamenei sobre o Ministério da Inteligência.
O Conselho dos Guardiães, composto por 12 clérigos e juristas nomeados pelo líder supremo, barrou suas candidaturas às eleições presidenciais de 2017, 2021 e 2024.
Com informações da Reuters

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