Leite responde: “Disseram que dava para fazer mais, agora mostrem como”

 


O assunto voltou a esquentar no Rio Grande do Sul: será que os salários dos servidores podem voltar a ser parcelados?

Durante a inauguração da nova sede da Polícia Penal, nesta quinta-feira (5), o governador Eduardo Leite (PSD) resolveu responder direto às críticas e aos alertas vindos da equipe do governador eleito, Luciano Zucco (PL).

O estopim foi uma fala do deputado Claudio Branchieri (PL), relator do orçamento de 2027 e cotado para assumir a Secretaria da Fazenda no próximo governo. Ele falou em um déficit de R$ 7 bilhões para o ano que vem — bem acima dos R$ 4,8 bilhões previstos na proposta enviada pelo Palácio Piratini à Assembleia — e admitiu que o parcelamento é uma possibilidade, mesmo sem previsão de acontecer agora.

Leite não gostou nada do tom e devolveu:

“Eles têm a obrigação de governar o Estado agora sem reclamar desta falta de recursos, porque eles definiram e defenderam que era possível administrar o Estado com a redução de arrecadação, simplesmente reduzindo despesas.”

Para quem não lembra, o fim do parcelamento é uma das principais bandeiras de Leite. Foi em 30 de novembro de 2020 que o governo conseguiu encerrar um período de 57 meses — quase cinco anos — de salários pagos em pedaços, que tinha começado ainda na gestão de José Ivo Sartori (MDB).

Leite lembrou que, em 2023, a bancada mais à direita da Assembleia, incluindo Branchieri, foi contra o projeto que tentava elevar a alíquota geral do ICMS de 17% para 19,5% a partir de 2024.

“Nós precisávamos re-equalizar a nossa alíquota, não para aumentar a carga tributária, mas para preservar a arrecadação do Estado”, explicou.

Ele também citou a extinção da taxa de emissão do CRLV, que tirou cerca de R$ 850 milhões da arrecadação do Estado, mesmo após tentativa de veto — um ponto que gerou atrito com os deputados.

E aproveitou para cutucar o slogan de campanha de Zucco, o “RS pode mais”:

“Disseram que dava para fazer mais, que o estado podia mais. Que bom que ele quer mais, eu também quero mais para o estado. Disseram que era possível sustentar fazendo cortes em despesas aqui e ali, pois agora que apresentem os cortes nas despesas possíveis de serem feitos.”

Leite ainda reforçou que o novo governo não poderá usar o dinheiro do Caixa Único e disse que não está escondendo as dificuldades do Estado. Ele se colocou à disposição para ajudar, mas sem aceitar que a responsabilidade seja transferida.

“Eu espero que a gente possa ter do novo governo a condição de entender que estão partindo de uma situação bastante melhor do que aquela que nós partimos em 2019”, finalizou.



Quem pagou o voo de fuga de Flávio Bolsonaro? Fonte aponta piloto argentino de Miami



A história da fuga de Flávio Bolsonaro do Brasil ganhou um novo personagem.

Segundo uma fonte envolvida na operação, ouvida pela AFP sob condição de anonimato, quem intermediou o pagamento do voo particular que levou o senador para os Estados Unidos foi o piloto e empresário argentino Fernando Martín Boye, radicado há mais de uma década em Miami — justamente a cidade onde Flávio desembarcou.

Flávio, que perdeu a eleição para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), deixou o Brasil em 28 de outubro, depois que a Polícia Federal cancelou seus passaportes por causa de um suposto caso de lavagem de dinheiro.

Acompanhado da esposa e das duas filhas, ele embarcou na madrugada daquela quarta-feira em Puerto Iguazú, na Argentina, em um jato da empresa argentina Baires Fly, que fez uma escala em Guayaquil, no Equador, antes de seguir para os EUA.

Até então, o dono da Baires Fly, o empresário argentino Luis Grande, tinha dito que foi contratado por um “broker”, um intermediário que “vende voos e mora nos Estados Unidos”. Grande afirmou ter recebido 150 mil dólares — cerca de R$ 820 mil — em uma conta bancária argentina, vindo de uma conta americana de uma empresa desse intermediário. Mas ele se recusou a revelar o nome.

Agora, a fonte identifica esse intermediário como Boye, dono de pelo menos duas empresas na Flórida: a Emerald Aviation e a Huracan USA, segundo registros públicos.

Ainda de acordo com duas fontes independentes do setor aeronáutico, Boye e Grande são amigos e já fizeram outros negócios juntos no passado.

A AFP tentou contato com Boye, mas não obteve resposta.

A fuga, cheia de pontos ainda sem explicação, aumentou a tensão de Brasília com os governos de Donald Trump, nos Estados Unidos, e de Javier Milei, na Argentina — ambos aliados de Flávio.

O secretário de Estado americano, Marco Rubio, garantiu que os EUA não estiveram envolvidos “diretamente” no voo.

Já na Argentina, a procuradora Paloma Ochoa pediu nesta quinta-feira a abertura de uma investigação para apurar se o governo argentino usou recursos públicos para facilitar o voo, informou uma fonte judicial à AFP.

Flávio, por sua vez, disse ao The New York Times que “nenhum governo” ajudou na organização do voo e que levará “para o túmulo” o segredo sobre como a operação foi montada.

Veículos americanos publicaram na semana passada que o avião teria sido contratado após articulações de Jason Miller, um assessor de Trump.

Lula denunciou tentativas de interferência eleitoral dos Estados Unidos em favor de Flávio Bolsonaro, cujo pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, é aliado de Trump. Flávio não reconheceu a derrota eleitoral e se autoproclamou o verdadeiro “líder” do Brasil ao chegar aos Estados Unidos.

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