Qual é o país mais distante do Brasil? A resposta muda conforme a cidade

 


Você já imaginou se cavar um buraco reto no chão sairia do outro lado do planeta? Essa brincadeira de criança tem nome científico: antípoda. E é ela que explica qual é, de fato, o país mais distante do Brasil.

Diferente do que muita gente pensa, não existe um único país mais longe. Tudo depende de onde você começa a medir.

Se a gente partir do centro do Brasil, que fica em Barra do Garças (MT), o ponto exatamente oposto no globo não cai em terra firme. Ele cai no meio do oceano, próximo às Filipinas. É por isso que os países mais próximos desse antípoda — e, portanto, os mais distantes de nós — são as Filipinas, partes da Indonésia, Malásia e Brunei.

E o mito do Japão? Muita gente cresceu ouvindo que se cavar muito vai parar no Japão. Isso só é quase verdade se você estiver no extremo sul do país. Saindo de Porto Alegre, por exemplo, o antípoda cai no mar, próximo ao sul do Japão. Daí vem a confusão.

Se a conta for feita em linha reta, a chamada distância geodésica, entram na lista também os países insulares do Pacífico. Fiji, por exemplo, tem sua capital a quase 19.500 km de distância do Brasil, figurando entre os pontos habitados mais afastados do nosso território.

Ou seja: não tem como cravar um único vencedor. O Brasil é tão grande que seu "outro lado do mundo" é, na maior parte, oceano. E os países mais distantes são justamente aqueles espalhados por esse oceano do outro lado: Sudeste Asiático e Pacífico.



O túmulo da democracia



Ontem, 2 de novembro, Dia de Finados — aquilo que chegou ao fim —, me juntei a milhares de brasileiros e fui ao cemitério da minha cidade.

Depois de passar pelos túmulos de parentes e amigos queridos, resolvi procurar um túmulo diferente: aquele onde descansa, sem paz, o corpo esquartejado da democracia brasileira. Um corpo que vem levando golpes brutais, sem piedade, de forças tirânicas que tomaram o poder deste nosso Brasil empobrecido.

Foi ali, no meio daquele clima pesado de tristeza, que um brasileiro mais esperançoso levantou a voz enquanto rezava e disse algo que fez todo mundo parar: assim como uma divindade, a democracia brasileira também pode ressuscitar.

Movidos por essa crença — talvez a última esperança que nos resta — vários visitantes começaram a aplaudir. Porque, no fundo, acreditar na ressurreição é tudo que sobrou.

Mas sejamos honestos. Essa crença, por mais bonita que seja, ainda é infantil.

Depois da incrível manobra eleitoral promovida pelo sistema, a ressurreição, em condições normais, só pode acontecer daqui a quatro anos. E mesmo assim, ela só tem alguma chance real se houver uma coisa muito concreta: a possibilidade de auditar os votos digitados.

Sem voto impresso e sem recontagem, não há ressurreição. Fora disso, é apenas uma crença infantil, ridícula até.

Como bem resume o pensador Roberto Rachewsky: ninguém vai conseguir provar fraude nas urnas porque o sistema foi feito exatamente para isso. Sem voto impresso e sem recontagem, tudo vira suposição.

O que não é suposição, e tem materialidade, são as ilegalidades praticadas pelo governo Lula, que comprou votos com benesses imorais que somaram quase meio trilhão de reais. Se é para impedir injustiças, é nisso que se deve focar, no que tem prova.

O problema é outro, e maior: quem vai julgar os processos que pedem justiça? O sistema também foi arquitetado para se proteger disso.

Estamos num brete. Encurralados.

Mas estar num brete não significa que devemos aceitar calados o caminho do matadouro.



Sete minutos - A pátria bela e perdida



Por Percival Puggina

“Oh, mia patria sì bella e perduta! Oh, membranza sì cara e fatal!” — Verdi, na ópera Nabucco, o hino informal da Itália

Passei dois dias inteiros sem conseguir escrever uma linha sobre o que aconteceu no dia 25 de outubro. Tentei várias vezes reunir meu gabinete de crise interno, aquele que me socorre nessas horas, mas meus botões nem saíram de casa. Eu simplesmente não reconhecia mais o meu país. “Oh, lembrança tão querida e fatal!” Me vi como um exilado bíblico, perdido numa Babilônia distópica, onde a minha liberdade tinha sido consumida.

Nos primeiros minutos depois da proclamação do resultado, ainda falei sozinho, para os poucos botões que me ouviam: bem-feito para quem acreditou nas bravatas de Lula e para quem trocou o voto por um pacote multibilionário de ilusões. Quanta decepção os espera! Terá durado sete minutos essa reflexão raivosa? Terá acontecido ao mesmo tempo em que expediam a ordem para Flávio Bolsonaro entregar os passaportes?

Logo depois, porém, me lembrei dos injustiçados. Dos presos políticos, dos exilados, dos foragidos, dos heróis e das vítimas do arbítrio e dos abusos. E rezei por todos, para que tenham força nessa longa travessia que vem pela frente.

Enquanto as horas passavam, eu só ouvia questionamentos sobre o resultado das urnas. Onde estava a verdade? As sociedades convivem muito mal com a imprevisibilidade — e isso é meritório. Previsibilidade traz segurança, e insegurança custa caro. Muito caro. E o inesperado vem de todo lado. Um dia, é aquela paradinha na contagem de votos que alguns já esperam olhando para o relógio; no outro, é a esticadinha. Um dia, decisão autorizando censura em nome da verdade; no outro, decisão autorizando a mentira em nome da liberdade. Um dia, o STF se intromete em competência do TSE; no outro, o que vale para uns não vale para todos. E vice-versa.

No final dos anos 80, quando coordenei a assessoria da bancada do PFL na Assembleia do Rio Grande do Sul, eu tentava promover palestras sobre democracia liberal. Para isso, precisava agendar uma sala de comissão no prédio do parlamento gaúcho. Sabe qual era a dificuldade? Achar uma sala que o PT já não tivesse reservado antes. O partido vivia reunido, com suas correntes internas, grupos de interesse, pautas específicas. Era um ativismo constante.

Nos anos seguintes, esse ativismo gerou vitórias eleitorais surpreendentes para alguns, mas totalmente previsíveis para outros. Depois de quatro vitórias seguidas para a prefeitura de Porto Alegre, entre 1988 e 2004, o partido perdeu. Lembro bem que, logo após a derrota, um dirigente recomendou aos companheiros que voltassem a ler Antonio Gramsci.

Essa leitura explica o que já tinha acontecido e o que viria depois: ocupar o ambiente cultural, mobilizar multidões, espalhar narrativas, destruir reputações e instrumentalizar a máquina pública. Falo especialmente das carreiras de Estado, do imenso aparelho educacional, do movimento sindical, dos movimentos sociais, de uma ampla parcela da minha amada Igreja Católica cativada pela Teologia da Libertação. Não há movimento conservador ou liberal capaz de algo sequer próximo disso.

Isso tudo basta para justificar uma reversão tão radical de previsões feitas cientificamente pelos institutos de pesquisa? De onde saíram tantos milhões de lulistas em apenas três semanas? É uma pergunta séria, com respostas difíceis de sustentar e difíceis de contestar. A máquina faz barulho ou silêncio conforme lhe convém. E assim como não há previsibilidade, também não há mais credibilidade, porque ela mesma se destruiu ao inutilizar os meios que poderiam esclarecer, com autoridade, qualquer dúvida.

A esquerda releu Gramsci e foi para a eleição. Usou, em uníssono, todos os coelhos da sua cartola de anomalias. A direita ouviu falar dele e só aprendeu a culpá-lo, em vez de aprender o que ele realmente ensinou sobre construção de hegemonia. Quantos líderes da direita leram Olavo de Carvalho? Quantos levaram o dever de casa a sério? Quantos olharam além da primeira cerca?

Agora, a direita parece se dividir mais um pouco e coloca em risco até a futura presidência do Senado.



FRASE DO DIA


  Ser odiado por idiotas é o preço que você paga por não ser um deles.  


- Jean Cocteau 

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