Dólar vai a R$ 5,48 com aversão ao risco e queda de ações de tecnologia
O aumento da aversão ao risco, provocado pelo tombo das ações de tecnologia nos Estados Unidos — ainda sob impacto da vitória do Partido Democrata nas eleições legislativas — contaminou as divisas emergentes e levou o dólar a se aproximar de R$ 5,50 nesta quinta-feira.
Apesar das expectativas em torno das medidas de ajuste fiscal no Lula 4, reforçadas nesta quinta pelo encontro do presidente com a equipe econômica e economistas de perfil heterodoxo, o real sofreu um pouco menos que alguns pares latino-americanos, como os pesos mexicano e chileno.
Além da valorização de commodities como minério de ferro e petróleo, a moeda brasileira pode ter encontrado certo amparo na atratividade do juro local, após o Copom decidir na quarta manter a Selic em 13,75% ao ano.
Pela manhã, o dólar até ensaiou recuo, com mínima de R$ 5,4270, mas virou no início da tarde com a piora do ambiente externo. Com máxima de R$ 5,4948, terminou em alta de 0,68%, a R$ 5,4886 — ainda o maior valor de fechamento desde 30 de dezembro de 2025.
"Os investidores ainda estão tentando entender como Donald Trump vai se comportar com a derrota eleitoral e se haverá uma restrição maior às empresas de inteligência artificial", afirma o economista Fabrizio Velloni. "No Brasil, a postura técnica do BC ajuda a amenizar as pressões de fora, apesar das dúvidas sobre a disposição do governo de conter gastos."
Reunião governamental
Lula se reuniu nesta quinta com a cúpula da equipe econômica e economistas, entre eles ex-ministros da Fazenda como Fernando Haddad e Guido Mantega, para avaliar a conjuntura macroeconômica. Nomes identificados com a heterodoxia, como Luciano Coutinho e Laura Carvalho, também estavam presentes.
Segundo o atual ministro da Fazenda, Dario Durigan, houve "bastante convergência" sobre diagnósticos e caminhos, mas sem discussão de medidas específicas. Ele reiterou a busca por aliar responsabilidade fiscal com os compromissos assumidos por Lula na campanha.
Lula deve fazer pronunciamento à nação neste domingo, 8, reforçando o comprometimento com o cumprimento das metas fiscais. O anúncio de medidas concretas deve ser feito apenas a partir de 16 de novembro, quando Lula retornar ao Brasil após participar da COP31, na Turquia.
"Esperamos que o Lula adote algum grau de consolidação fiscal, mas o ajuste provavelmente será gradual e potencialmente aquém das expectativas do mercado", afirma, em relatório, o economista sênior da Oxford Economics, Mauricio Monge, ressaltando que, dada a rigidez orçamentária dos gastos obrigatórios, o ajuste "virá da desaceleração do crescimento real das despesas".
A economista Luíza Pinese, da XP, atualizou modelos e traçou cenários para o câmbio. Com um quadro global inalterado, o dólar pode descer até R$ 5,20 se houver melhora do quadro fiscal. No caso oposto, vai a R$ 5,70.
"Como os indicadores de percepção de risco do Brasil já estão em níveis estressados, avaliamos que os cenários deixam mais espaço para apreciação do que para nova depreciação. Além disso, as contas externas sólidas tendem a mitigar eventuais choques adversos", afirma Pinese, que projeta dólar a R$ 5,30 no fim do ano.
Polícia Civil do RS lidera megaoperação contra fraudes e prende 34 em 10 estados e no DF
Policiais civis prenderam nesta quinta-feira 34 pessoas suspeitas de participar de organização criminosa investigada por fraudes eletrônicas e lavagem de dinheiro. A ação, batizada de "Operação Fortuna Reversa", foi coordenada pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul e deflagrada em dez estados e no Distrito Federal.
Entre os presos, 32 foram por mandados de prisão preventiva, um por flagrante e um por prisão cível. Foram apreendidos cinco veículos — dois carros e três motos —, celulares, um notebook e 201 gramas de substância com aparência de crack.
A investigação, conduzida pela Delegacia de Polícia de Itaara, começou após uma fraude que causou prejuízo de mais de R$ 1,2 milhão a uma casa lotérica do município. A operação foi coordenada pela delegada Carla Dolores Castro de Almeida, titular da delegacia gaúcha.
"As medidas cumpridas nesta etapa permitirão o aprofundamento das investigações, a responsabilização dos envolvidos e o desenvolvimento das próximas fases da operação, fortalecendo o combate ao crime organizado em todo o país", explicou a delegada.
Os investigadores identificaram uma estrutura criminosa com atuação em diferentes estados, responsável pela movimentação e ocultação dos valores obtidos ilegalmente. Ao todo, 41 pessoas são suspeitas de integrar o esquema, que usava uma complexa rede de movimentações financeiras para pulverizar os recursos ilícitos, dificultando o rastreamento do dinheiro e a identificação dos beneficiários.
Pela abrangência nacional e pela necessidade de cumprimento sincronizado das medidas, a operação contou com apoio do Laboratório de Operações Cibernéticas (Ciberlab), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, responsável pela articulação entre as polícias civis envolvidas e pela execução simultânea das diligências.

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