Boi gordo em alta: pecuarista gaúcho ganha fôlego com falta de gado pronto para abate
Quem vive da pecuária no Rio Grande do Sul teve uma semana para respirar um pouco mais aliviado.
Assim como no resto do país, o mercado do gado gordo por aqui seguiu em valorização nesta semana. E o motivo é simples: está faltando boi pronto para abate.
Segundo a Análise Semanal do NESPro, núcleo da UFRGS que acompanha os preços do gado gordo e de reposição, a maior alta foi do boi gordo comercializado a peso de carcaça, com +2%, seguido pela vaca gorda a peso vivo, com +1,4%. As demais categorias ficaram praticamente nos mesmos patamares da semana anterior.
“Esse movimento de valorização está associado, principalmente, à menor disponibilidade de animais terminados no estado”, explicou o NESPro.
Com a saída dos rebanhos das pastagens de inverno, a oferta de bovinos prontos para o abate ficou mais restrita. Ou seja, tem menos boi para atender a demanda dos frigoríficos — e quando isso acontece, o preço sobe e quem tem gado para vender ganha mais poder de negociação.
O mercado de reposição também andou para cima, acompanhando as expectativas positivas para o setor.
“Mesmo com a presença de animais mais pesados nas negociações, as médias permanecem em patamares elevados, reforçando a valorização das diferentes categorias e mantendo aquecida a demanda nas feiras e remates”, destacou o boletim.
No Brasil, recorde histórico
No cenário nacional, o Cepea, da Esalq/USP, também registrou uma semana de firmeza. Na quarta-feira, a oferta restrita e as escalas curtas dos frigoríficos sustentaram as cotações.
Veja como ficou em algumas praças:
- Norte de Goiás: arroba subiu R$ 5, com negócios entre R$ 360 e R$ 375
- Cassilândia: boi negociado entre R$ 370 e R$ 380
- São Paulo: negócios entre R$ 385 e R$ 395, com lotes pontuais a R$ 400
- Atacado da Grande SP: carcaça casada bovina estável, na média de R$ 26,25/kg à vista
E teve marca histórica: na terça-feira (3), o Indicador do Boi Gordo Cepea/Esalq fechou a R$ 390, o recorde real da série histórica do Cepea, iniciada em 1994.
“As cotações do boi gordo subiram de forma expressiva em outubro, sustentadas principalmente pela restrição na disponibilidade de animais terminados e pela demanda consistente por carne bovina, combinação que ampliou a disputa entre frigoríficos pela aquisição de matéria-prima”, explicou o Cepea.
“A dificuldade de encontrar lotes de animais prontos para o abate, associada à necessidade de manutenção das escalas de produção dos frigoríficos, favoreceu a sustentação das ofertas de compra e fortaleceu o poder de negociação dos pecuaristas.”
Variações da semana no RS
- Boi gordo a peso de carcaça: +2,0%
- Vaca gorda a peso vivo: +1,4%
- Terneira: +0,20%
- Terneiro: +5,46%
- Novilha: -0,69%
- Novilho: +5,98%
- Vaca invernar: +4,79%
Para o pecuarista, é aquele momento em que o trabalho de meses nas pastagens começa a se converter em preço melhor na hora da venda.
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