Temporal de granizo destrói plantação de milho de 25 hectares em Selbach
Um temporal de granizo atingiu em cheio a lavoura de uma família de produtores rurais de Selbach, no Norte do Estado, nesta terça-feira (3). Segundo Ismael Backes, filho do produtor, pelo menos 25 hectares de milho foram danificados. O levantamento dos prejuízos ainda está sendo feito.
O caso de Selbach não foi isolado. No domingo, outro temporal já havia causado transtornos em cidades do Norte e do Médio e Alto Uruguai.
Em Frederico Westphalen, a Defesa Civil ainda contabiliza os estragos: na zona urbana, quatro casas tiveram o telhado danificado pela chuva forte. No distrito de Castelinho, o galho de uma árvore caiu sobre uma residência. Ninguém ficou ferido.
Em Cerro Grande, o vendaval arrancou o telhado do módulo da Brigada Militar, que foi parar no meio da rua. Em Trindade do Sul, duas residências e cinco galpões agrícolas foram destelhados. Em Iraí, também houve registro de destelhamento. Apesar dos danos materiais, não há registro de feridos, desabrigados ou desalojados na região.
Câmara de SP arquiva pedido de impeachment contra Ricardo Nunes por falta de ônibus no 2º turno
A Comissão Especial da Câmara de Vereadores de São Paulo arquivou o pedido de impeachment contra o prefeito Ricardo Nunes, denunciado por irregularidades no transporte público durante o segundo turno das eleições.
Foram cinco votos contra o pedido e dois a favor. Votaram pelo arquivamento Rubinho Nunes (União), que presidiu a comissão, Major Palumbo (PP), relator, Dra. Sandra Tadeu (PL), Kenji Ito (Pode) e Sandra Santana (MDB). Os autores do pedido, Luana Alves (PSol) e Hélio Rodrigues (PT), votaram a favor.
A acusação era grave: no dia 25 de outubro, data do segundo turno, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) havia determinado a circulação de 100% da frota de ônibus, mas, na prática, apenas 70% estavam nas ruas. Segundo os autores, a frota reduzida afetou principalmente quem saía do trabalho para votar.
"Foi caso pensado e não logístico, senão teríamos uma diminuição por igual em todas as regiões da cidade. É tentativa de manipulação eleitoral", afirmou a vereadora Luana Alves. "Tivemos problemas de circulação, os pontos estavam cheios e havia menos carros circulando. Ainda teve perseguição política", completou Hélio Rodrigues.
A prefeitura negou qualquer problema, afirmando que a oferta estava acima da demanda e que imagens mostravam terminais e pontos de ônibus vazios. Para o relator, Major Palumbo, a denúncia não serve de base para abrir processo na Câmara.
"O pedido deve ser analisado pela Justiça eleitoral e os fatos, no dia das eleições, ocorreram dentro das normas eleitorais, não demonstrando que o prefeito tenha cometido qualquer infração", defendeu.
Além de São Paulo, eleitores de outras cidades, como Salvador, também relataram falta de ônibus para chegar aos locais de votação. Na ocasião, a campanha de Luiz Inácio Lula da Silva denunciou restrição de transporte em nove estados e pediu ao TSE prorrogação da votação até as 19h.
O ministro do STF Cristiano Zanin acabou determinando a prorrogação por mais duas horas, até 19h, nos locais onde as urnas ainda não tinham fechado, atendendo a pedidos tanto da campanha de Lula quanto da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), que alegou problemas por causa das fortes chuvas em São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.
Eduardo Paes defende segundo turno no Rio em vídeo: “O povo do Rio tem o direito de votar”
Ex-candidato ao governo do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD) voltou a defender nesta terça-feira, em vídeo nas redes sociais, a realização de segundo turno no estado. Seu adversário, Douglas Ruas (PL), foi declarado eleito depois que os votos de Anthony Garotinho (Republicanos) foram anulados.
No vídeo, Paes argumenta que nem ele nem Ruas tiveram maioria absoluta. "Ninguém alcançou a maioria absoluta, ou seja, ninguém teve mais do que 50% dos votos [...] E a Constituição, gente, é muito clara, sem maioria absoluta, tem segundo turno", afirmou.
Paes também lembrou que sua campanha avisou várias vezes que Garotinho já estava com os direitos políticos cassados antes da eleição, condenado em ação civil pública por improbidade administrativa. "Ele não podia votar e muito menos ser candidato. Eu não culpo a Justiça Eleitoral, porque infelizmente a lei ainda permite esse tipo de manobra", disse.
Quatro dias após o primeiro turno, o TSE rejeitou por 5 a 2 a candidatura de Garotinho e anulou os 274.411 votos que ele recebeu. Com isso, Douglas Ruas foi declarado eleito. Se os votos fossem considerados válidos, haveria segundo turno, já que nenhum candidato teria atingido o percentual necessário.
Ruas teve 4.271.199 votos (49,27% dos válidos) contra 3.706.984 de Paes (42,76%). Com a anulação, o candidato do PL passou a ter cerca de 50,9%.
Paes também explicou por que ficou em silêncio nos últimos dias.
"Muita gente me perguntou por que eu fiquei em silêncio sobre a eleição aqui no Rio desde a decisão do TSE. A resposta é muito simples. Eu entendi que a disputa jurídica do Rio não podia atrapalhar a eleição presidencial. O país precisava votar com tranquilidade e foi isso que aconteceu", afirmou.
"A Justiça Eleitoral já tem eleições suplementares previstas para o dia 6 de dezembro e outros lugares do país", completou. Pelo calendário do TSE, oito cidades irão às urnas nessa data para eleger novos prefeitos e vice-prefeitos.
Imortal da ABL e autor português lotam a Feira do Livro no feriado de Finados
A primeira segunda-feira da 72ª Feira do Livro de Porto Alegre, no feriado de 2 de novembro, movimentou a Praça da Alfândega. O grande destaque da programação foi a presença de Antônio Torres, imortal e ocupante da cadeira 23 da Academia Brasileira de Letras (ABL). O feriado também teve a fotógrafa Liane Neves, amiga de Mario Quintana, e o multiartista português Afonso Cruz.
Baiano, Antônio Torres chegou à capital no início da tarde para falar sobre seu livro “Essa Terra” (Record, 2026), em mesa mediada por Gilberto Schwartsmann. Escrito em 1976, um dos romances mais marcantes da literatura brasileira, o livro retrata o impacto da cidade grande sobre o retirante nordestino. No painel, Torres, que percorreu os mesmos caminhos de seus personagens, destacou que a obra é um espelho da própria trajetória.
Os 120 anos de Mario Quintana também voltaram aos holofotes. A jornalista e fotógrafa Liane Neves, em conversa mediada pelo cineasta Tomás Fleck, contou que se aproximou do poeta gaúcho em 1985, aos 23 anos, para uma sessão de fotos. Dali nasceu uma grande amizade. A história será contada no filme “Minha Sombra Luminosa”, dirigido por Fleck e ambientado na Porto Alegre dos anos 1980.
Todas as filmagens ocorreram no Centro da capital, e um dos desafios foi encontrar ângulos que remetessem à época. A atriz Klara Castanho viverá Liane, e Fernando Eiras será Quintana. “Ele permitiu que eu entrasse na intimidade dele. Tenho fotos dele dormindo, acordando. Eu queria ser quase invisível ao lado dele. Por isso o nome do filme, que foi uma expressão que o Quintana usou no terceiro dia de convivência”, contou Liane.
No final da tarde, no Salão de Bridge do Clube do Comércio, foi a vez do português Afonso Cruz. Com mais de 40 livros publicados, ele também é ilustrador, cineasta de animação e músico da banda The Soaked Lamb. Mediado pela escritora Paula Taitelbaum, ele falou sobre a diversidade da obra.
“Procuro ter uma escrita essencialmente diversa, com opções, formatos, conteúdos. Tenho livros de poemas que se passam em ciclos épicos. Uma obra que me inspira muito, por exemplo, é a Odisseia”, ressaltou.
Estreia do Animextreme e africanidade
Entre os dias 1º e 2, a Feira recebeu pela primeira vez uma programação em parceria com o Animextreme, um dos maiores eventos de cultura pop do Sul. No Teatro Petrobras Carlos Urbim, o público acompanhou bate-papos sobre quadrinhos, apresentação de taiko, desfile de cosplay com cerca de 40 participantes, RPG interativo, encontros com quadrinistas, dança K-pop e conversas sobre fantasia.
No final da tarde, a Sala Vitrine de Lançamentos recebeu Jofredino Faife para falar sobre “Filha de um Deus Menor” (Rua do Sabão, 2026), uma narrativa sobre identidade e força da africanidade, mediada por Eduardo Peixoto, curador de literatura e culturas negras da Feira.
A 72ª Feira do Livro de Porto Alegre é realizada pela Câmara Rio-Grandense do Livro e ocorre entre 30 de outubro e 15 de novembro na Praça da Alfândega. A patrona desta edição é a escritora e antropóloga Heloisa Pires Lima.

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