Flávio Bolsonaro diz ao NYT que não teve ajuda de nenhum governo para sair do Brasil
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) afirmou ao jornal The New York Times, em entrevista publicada nesta quinta-feira, que não teve nenhuma ajuda externa, incluindo de governos estrangeiros, para sair do Brasil sem passar pelo controle regulatório de fronteiras.
Derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições presidenciais no dia 25, Flávio rumou para os Estados Unidos três dias depois, após o ministro do STF Alexandre de Moraes proibir o senador de deixar o país. Ele também foi intimado pela Polícia Federal a entregar seus passaportes, decisão que não foi cumprida.
Ao jornal americano, Flávio, que embarcou em um avião da Argentina rumo a Miami, com escala no Equador, disse que organizou toda a viagem sozinho. "Não tive ajuda de absolutamente ninguém, de nenhum governo", afirmou. O filho mais velho de Jair Bolsonaro também disse que não revelará detalhes de como conseguiu chegar aos EUA. "Levarei isso para o túmulo comigo", disse.
Na entrevista, Flávio também disse ser inocente sobre as investigações nas quais é alvo no país. Ele declarou que deixou o país porque elas certamente levariam a uma condenação. "Eu já sei que o resultado final seria a minha prisão", afirmou.
Flávio também agradeceu a Donald Trump por permitir que sua família ficasse nos EUA e disse que o presidente americano acertou ao "não ter tomado nenhum lado" nas eleições brasileiras. "Era a coisa certa a se fazer", afirmou.
Leite vê risco de sistema prisional perder atenção com extinção de secretaria própria por Zucco
O governador Eduardo Leite (PSD) manifestou preocupação com a proposta do governador eleito Luciano Zucco (PL) de reunificar a Secretaria de Sistemas Penal e Socioeducativo (SSPS) com a Secretaria da Segurança Pública (SSP), a partir de janeiro de 2027. A separação foi feita por Leite em 2019.
"Eu não tenho dúvida de que foi uma decisão acertada e fundamental para que nós chegássemos a este momento, para que o sistema prisional não estivesse disputando, dentro de uma mesma secretaria, atenção com outras unidades que acabam tendo um apelo maior", afirmou durante a inauguração da nova sede administrativa da Polícia Penal, nesta quinta-feira, em Porto Alegre.
Apesar das ressalvas, Leite disse que respeita a autonomia de Zucco para definir a organização do próximo governo. Destacou também que a Polícia Penal continuará existindo como órgão de Estado, independentemente da secretaria à qual estiver vinculada.
Zucco anunciou a reunificação como parte do plano de reduzir o número de secretarias estaduais, hoje em 30, para entre 15 e 20. A mudança foi divulgada no anúncio dos primeiros nomes do futuro secretariado, em 27 de outubro.
Para comandar a pasta unificada, o governador eleito anunciou o general da reserva Mauro Sinott Lopes, que atuou na intervenção federal na segurança pública do Rio de Janeiro e comandou a 3ª Divisão do Exército, em Santa Maria. O atual secretário da Segurança, Mário Ikeda, será o adjunto. A SSPS é hoje comandada por César Atílio Kurtz Rossato.
Atenção ao sistema prisional
Leite argumentou que o sistema prisional tem menos visibilidade que o policiamento ostensivo e investigativo, cujos resultados são percebidos mais diretamente pela população. Por isso, quando há falta de recursos e de capacidade administrativa, essas áreas tendem a receber mais atenção, deixando as demandas prisionais em segundo plano.
"Quando há falta de recursos, quando há falta de capacidade administrativa para atender a todas as pontas, aquela que mais vai ser percebida pela população é a que acaba recebendo mais atenção", afirmou.
Segundo Leite, a separação foi importante para recuperar o sistema prisional gaúcho, que acumulava grande defasagem de investimentos. Citou como resultados a construção de novas unidades, ampliação e recuperação de vagas e o maior chamamento de servidores da história da Polícia Penal.
"Nós conseguimos evoluir muito com a estrutura que nós demos, com a Secretaria do Sistema Penal especificamente, porque o tamanho da defasagem que a gente tinha do investimento no sistema prisional gaúcho era tão grande que colocar essa carga da administração na mesma Secretaria de Segurança Pública acabaria gerando um desafio adicional", disse.
Leite ressaltou que a estrutura prisional é parte fundamental da política de segurança. Sem presença e organização do Estado dentro dos presídios, ficam comprometidas tanto a privação de liberdade quanto a ressocialização.
"Se queremos uma sociedade mais segura aqui fora, é fundamental que lá dentro o Estado tenha condições de manter um sistema prisional bem organizado", afirmou.
O governador disse ainda que o número de secretarias do RS está alinhado ao de Estados como São Paulo, Santa Catarina e Paraná e que, na sua avaliação, não há excesso de pastas. Mas respeita a decisão de Zucco.
"Não há excesso de pastas, mas o novo governo prioriza a redução dessas estruturas, e isso é legítimo. Espero que consiga fazer todas as entregas que deseja em favor da população gaúcha. É legítimo por parte do novo governador que dê a cara e a estrutura ao governo que ele entende melhor", declarou.
Entenda
A estrutura dedicada à administração penitenciária foi criada em 2019, no primeiro ano do governo Leite, como Secretaria da Administração Penitenciária (Seapen). Até então, a gestão prisional era vinculada à SSP e executada pela Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe).
Em 2021, a pasta passou a se chamar Secretaria de Justiça e Sistemas Penal e Socioeducativo. Em 2023, recebeu o nome atual, Secretaria de Sistemas Penal e Socioeducativo (SSPS). A Polícia Penal foi criada em 2022, por emenda à Constituição estadual, em substituição à antiga Susepe.
Lula quer um ministério só para cuidar da segurança do país
Em uma conversa ao vivo na noite desta quinta-feira (5), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que vai criar o Ministério da Segurança Pública por Medida Provisória.
A ideia não é nova. Lula fala sobre ela desde fevereiro, e o tema ganhou ainda mais força durante a campanha eleitoral. Agora, depois da aprovação da PEC da Segurança Pública no Senado, na última terça-feira (3), por 73 votos, ele decidiu dar o próximo passo.
“Alcolumbre cumpriu com a palavra dele e botou para votar a PEC da Segurança Pública. E foi aprovada por 73 votos. Agora, amanhã já vamos fazer a primeira discussão porque eu vou mandar a Medida Provisória criando o Ministério da Segurança Pública, discutindo dinheiro para a gente investir”, disse Lula durante a live com o deputado federal André Janones (Rede-MG).
Na prática, o que Lula quer é ter uma pasta dedicada exclusivamente a organizar e fortalecer o combate ao crime organizado no Brasil. Hoje, esse trabalho fica espalhado entre diferentes órgãos. Com um ministério próprio, a intenção é centralizar as ações, facilitar a conversa entre União, estados e municípios e garantir mais recursos para investir na área.
A nova pasta também vai ser responsável por tocar o Programa Brasil contra o Crime Organizado, lançado em maio deste ano. Entre as prioridades estão enfrentar o tráfico de armas, munições, acessórios e explosivos, sufocar financeiramente facções e milícias e melhorar a segurança dentro dos presídios.
É, no fundo, uma tentativa de dar mais fôlego e coordenação a um problema que afeta o dia a dia de milhões de brasileiros: a sensação de insegurança nas ruas, nos bairros e nas cidades.

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